Resenha - Enlighten Me (Maxi-Single) - Masterplan
Por Leandro Testa
Postado em 10 de janeiro de 2003
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Fazer a prova em doze minutos, aguardar a minha mina terminar a dela, sair às pressas para deixá-la perto de casa, levar multa e tudo isso para quê? Para ver uma apresentação deselegante de uma banda que nunca viera ao Brasil dar um show completo e decente? No sábado anterior eu não pudera comparecer, e, por conseguinte, me alegrei ao tomar conhecimento da oportunidade extra para vê-los. Fui levado a crer que a quantidade de público naquela terça-feira em relação à casa lotada de outrora seria o motivo para tamanha displicência, algo envolvendo estrelismo, mas mal eu supunha que este era o começo do "fim". Fiquei me indagando se aquilo que sentira era cansaço ou desaprovação ao ‘setlist’, ao som embolado, contudo, dias depois a razão do clima brabo veio a se esclarecer: o guitarrista Roland Grapow e o baterista Uli Kusch estavam prestes a ser dispensados, um desfalque incomensurável para o Helloween, alegados os motivos dúbios de que estes vinham se dedicando em demasia a seus projetos paralelos (incluindo um em especial com o vocalista do Symphony X, Russel Allen), não focando sua atenção única e exclusivamente à empreitada principal de que tomavam parte. Se isso serve de desculpa, o que fazer com o baixista Markus Großkopf, um dos fundadores (portanto não pode ser despedido), que no ensejo participara do aclamado Tobias Sammet’s Avantasia? (não compôs, mas tocou!) Bem, ele é quem animava as coisas no palco, seguido do primeiro dos nomes supracitados. E agora? Nem a gloriosa Mãe Dinah pode por em clarividência o futuro dos ali remanescentes... Mark Cross? Sasha Gerntz? e agora Mickey Dee quebrando um galho? Deus queira que a despeito de tal recém-chegada eles possam dar suas opiniões e trazer boas influências... nem precisam ser exímios músicos, apenas criativos, simpáticos, e dotados de gana, OK? Claro, mas essa já é uma outra história a se discutir...

Assim, ao passo que a equipe acima decretava seu estado de inércia, os dois egressos se mantiveram atados, e, longe do hiato, incendiaram o estopim da separação que se convencionou chamar de Masterplan (sugestão de um fã mexicano), solidificado com um ‘line-up’ bem diferente do originalmente previsto, já que este deixara de ser um passatempo. Devido à impossibilidade de clonar o frontman idealizado, o norueguês Jorn Lande (Jorn, Beyond Twilight, ex-ARK, The Snakes e dezenas de outros) ocupou as vozes do grupo, Axel Mackenrott entrou no lugar do (também ocupado) tecladista do Children of Bodom, e Jan-S.Eckert (Iron Savior) chegou em substituição ao baixista Jürgen Attig.
O primeiro fruto desta união a ser prensado foi a cover "Black Dog" do Led Zeppelin no tributo The Metal Zeppelin - The Music Remains The Same, que aqui aparece como faixa-bônus. Boa, como era de se esperar, mas que cuja simulação sexual perpetrada por Robert Plant no original, se mostrou difícil de reproduzir e pode não agradar. Não obstante, Jorn Lande é um profissional espetacular (posso me considerar o seguidor número 1 dele) e prova o porquê disso nas composições próprias do conjunto, das quais é um dos três responsáveis em potencial. A que dá título a este maxi-single, "Enlighten Me", é uma peça atmosférica, voltada ao progressivo, que aparece em duas versões, uma editada e outra com solo, que estará no álbum auto-intitulado, a ser lançado no dia 20 de janeiro. Seu refrão pujante é a marca registrada, assim como qualquer linha vocal de "Kind Hearted Light", bem mais ‘up-tempo’, que começa com teclas a lá Stratovarius, algo que se desvanece em seu desenrolar, ratificando a posição anticopiativa fronte às abóboras germânicas, até mesmo pelo distanciamento interpretativo que Lande traz, mais puxado à agressividade setentista de um Dio ou um Coverdale. A vida expelida por ele pôde até transformar em simpática a simplória balada "Through Thick and Thin", que servirá de brinde para o mercado japonês e pode ou não figurar o ‘tracklist’ definitivo do lançamento europeu. O fato é que a licenciada nipônica Marquee Avalon anunciou ela e "The Kid Rocks On" como sendo mais apropriadas a seus preceitos comerciais do que as excluídas "Enlighten Me" (?!?!?) e a pesada/cadenciada "Bleeding Eyes" (reminiscência da "Escalation 666" do The Dark Ride), justificando uma variação quantitativa entre continentes.
Confusões à parte, taí mais um exemplo de mal que veio para o bem, cisão esta que traz preciosidades recentes como o Shaman e quiçá o Circle II Circle do ex-Savatage Zak Stevens. Para não estragar a surpresa, prepare-se, pois em breve verás aqui no Whiplash! a resenha deste que vem sendo votado como "álbum do mês" em diversas publicações da mídia especializada (espere até ouvir uma tal de "Crawling from Hell" e o dueto em "Heroes" com o também ex-Helloween Michael Kiske – inicialmente, queriam-no como membro fixo). Torcemos por eles, mesmo tendo o ‘Sansão’ Uli Kusch cortado suas lindas tranças de Rapunzel... e que é aquilo? Luzes nos cabelos? Podes crê, farei o mesmo nos meus...
Duração - 21:26 (5 faixas)
Com produção do renomado Andy Sneap, escorado por ninguém menos que Roy Z.
Website oficial: www.master-plan.net
OBS: Realmente uma pena Jorn Lande ter se desligado do ARK para se dedicar tão somente ao Masterplan, afinal, após uma estréia estonteante, o que se seguiu foi uma obra-prima chamada "Burn the Sun", facilmente o melhor opus do ano 2001. E logo agora que eles estavam gravando o terceiro ‘play’... snif!
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O disco do Iron Maiden que fez integrantes do Metallica perderem o controle dentro de um avião
43 roqueiros que morreram em 2026, segundo a Loudwire
Por que King Crimson é melhor do que Dream Theater, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth
A banda dos anos 1990 que não tocava depois do Motörhead ou Slayer
Rhapsody anuncia Brasil na turnê de despedida em 2027
Dave Mustaine nega que Megadeth tenha pedido dinheiro para tocar em despedida de Ozzy
A noite em que Chuck Berry invadiu show de banda punk e deixou todo mundo de queixo caído
Sharon Osbourne explica ausência do Megadeth em "Back to the Beginning"
Floor Jansen quebra silêncio sobre saída do Nightwish em vídeo: "Também estou triste"
Revolução feminina? Perfil vê padrão nas saídas recentes de cantoras do metal sinfônico
A pior banda gaúcha de rock de todos os tempos, segundo Rogério Skylab
Slipknot orientou Eloy Casagrande a tocar como Joey Jordison? O próprio responde
Fã diz que Nightwish deveria aprender com erros e baterista rebate: "Floor fez essa escolha"
Os 30 melhores álbuns do blues rock britânico segundo a Classic Rock
A banda que Ozzy venerava, James Hetfield odiava e Bruce Dickinson ridicularizava
James Hetfield explica porque Metallica deixou o thrash metal com o "Black Album"
A opinião de Paulo Ricardo sobre o contemporâneo Humberto Gessinger
Todos os discos do Iron Maiden, do pior ao melhor, em lista do Loudwire


Sem olhar pelo retrovisor, Masterplan inicia nova fase com o denso e honesto "Metalmorphosis"
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman



