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Resenha - Karma - Kamelot

Por Leandro Testa
Em 14/08/02

Nota: 10

Quase um ano após o seu lançamento oficial, eis que finalmente os bangers brasileiros são brindados com mais uma obra-prima desta surpreendente banda norte-americana, graças à recente aliança entre a Noise/Sanctuary Records e a Century Media Latina (isso significa que o amigo leitor poderá adquirir um material inspiradíssimo, de excelente qualidade, altamente recomendado, pela metade do custo de um CD importado).

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Mas, voltando um pouquinho no passado, não seria redundante ratificar que este conjunto, oriundo de Tampa Bay, no ensolarado estado da Flórida, vêm apresentando uma incrível ascensão, desencadeada pelo ingresso do jovem baterista Casey Grillo e do experiente vocalista norueguês Roy S. Khan, convidado para uma audição, já que a sua antiga banda, o Conception, encerrara suas atividades e que mesmo tendo os membros do Kamelot escutado de 75 a 100 fitas, o preenchimento de tal vaga ainda continuava uma incógnita. Um disco inteiro havia sido composto, entretanto só havia ali um pedestal para segurar o microfone e, desesperados, cogitaram até a utilização de um profissional de estúdio, para gravar aquele que viria a ser "Siége Perilous" (1998), o terceiro álbum do grupo. Felizmente, a integração se efetivou pouco antes do início das gravações, e o álbum foi alvo de críticas favoráveis em todo o mundo, impulsionado pela relativa popularidade de Khan, mostrando a vida nova de uma banda que esteve prestes a acabar nos difíceis tempos que tiveram de enfrentar, quando da demissão de dois de seus integrantes originais.

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Com o experiente Khan dando uma bica no pedestal, não poderia ter rolado uma química mais perfeita: além de ser dono de um timbre único, de um modo muito particular de cantar, ou seja, com muita naturalidade e desenvoltura, e de criar lindas e cativantes melodias, o moço escreve letras/músicas/arranjos em parceria com o guitarrista Thomas Youngblood, lembrando que ele ainda "arranha" um piano/sintetizador, algo muito útil para o processo criativo das canções. E para quem já teve a infelicidade de ouvir o antigo dono deste posto, Mark Vanderbilt, sabe bem o quanto a sua entrada acrescentou à banda, sendo ele um destaque imediato, pois difere, e muito, dos vocalistas em voga na atualidade. Como esse norueguês canta com sentimento! (tente não se emocionar com "Elizabeth Part I – Mirror Mirror"). Esse e outros detalhes dão motivos suficientes para que os seus companheiros de banda agradeçam aos céus todos os santos dias por essa "ajuda divina".

Logo no segundo álbum a contar com o dito-cujo, "The Fourth Legacy" (2000), eles atingiram um patamar deveras excelso, que pode ser facilmente classificado por este que vos escreve como um dos dois melhores lançamentos do ano, dividindo méritos apenas com "Silicon Messiah" do polêmico Blaze Bayley. O por quê de tudo isso? Simplesmente porque todos são músicos sublimes e parecem fazer seu papel com muita vontade e esmero. Costumo classificar os lançamentos de certas bandas analisando uma série de aspectos: uns são um tanto precipitados, visando a se manter uma determinada popularidade, às vezes por pressão das próprias gravadoras e acabam não empolgando; outros são como estes: não há um vacilo sequer, pois apesar de costumarem lançar em média um trabalho por ano, cada segundo nele contido teve a sua devida atenção. Tá vendo, basta um pouquinho de tempo e dedicação, como Khan e Youngblood costumam fazer, numa total imersão, longe dos problemas do cotidiano, e o resultado pode ser conferido pelos fans com o maior deleite possível (chamo a isso de trabalho honesto, apesar de esta não ser a denominação mais correta...). E foi justamente isso que veio a se repetir em "Karma" (2001): desde a maravilhosa "Forever", sendo que a irretocável introdução "Regalis Apertura" foi criada pelo co-produtor Miro, passando pela faixa-título (a favorita pela banda em cima do palco), inspirada por elementos de "new age" e "world music" até os últimos momentos da magnífica trilogia baseada na vida da Condessa Bathory, que encerra esplendorosamente o CD, Glenn Barry (baixo), Grillo, Khan e Youngblood, mostram que a preocupação aqui era em se fazer músicas de qualidade, intensas, ambiciosas e com muito feeling (o mais importante), contando que a nota 10 por si só deve dar uma dica do que isso venha a representar.

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Não bastasse isso, tanto em "The Fourth Legacy", como neste, as capas criadas por Derek Gores são de encher os olhos. Mesmo tendo a difícil tarefa de superá-las, disse que estava mais do que preparado para provar que isso seria possível, avisando aos fans que esperassem por uma criação visual incrível para o novo petardo, ainda sem título, que no exato momento em que escrevo esta resenha está sendo muito bem cuidado no estúdio do renomado produtor Sascha Paeth na Alemanha. Ele ainda conta com a ajuda de seu inseparável comparsa Miro (que pode ser visto no site oficial da banda, num momento de reflexão, trajando a camisa do Brasil) e o engenheiro de som paulista Philip Colodetti. Por lá também apareceu o Luca Turilli (Rhapsody), que está finalizando o seu segundo disco solo, e pode vir a fazer uma participação no novo do Kamelot.

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A banda promete um disco conceitual, mantendo o seu estilo, porém mais pesado que seus antecessores, e como de costume com a adição de novos elementos, para manter o som sempre revigorado. Esse é dado com o maior e mais ambicioso lançamento que o Kamelot fará, e está sendo previsto para o final deste ano.

OBS 1: Para quem nunca ouviu uma música sequer do Kamelot, vale situar que o som da banda é em sua essência o chamado Metal Melódico (ugh!). Bem, até que eu gostaria de fugir desse rótulo, já que o mercado está saturado de tantas bandas neste estilo, copiando umas às outras. Mas não se assuste, o Kamelot é muito mais do que essa denominação pode abranger NOS DIAS DE HOJE, pois o que ouvimos aqui é um metal bastante melódico (no bom sentido) e competente, com intervenções clássicas (como já era de se esperar considerando o nome da banda, que remete ao Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda) que em nada comprometem, e sim apenas contribuem para a beleza das composições, intercaladas por músicas cadenciadas, momentos mais sorumbáticos, como nas duas baladas ali contidas. Por falar em sorumbáticos, as letras não são nada alegrinhas, pois testemunhamos em "Don´t You Cry" uma homenagem ao pai de Thom, que faleceu quando ele tinha apenas doze anos; em "Forever", um indivíduo sofrendo pela morte da pessoa amada, enquanto planeja também partir para poder reencontrá-la; na trilogia da Condessa Elizabeth Bathory, o tema da vaidade vivenciada nos dias de hoje, já que ela viveu no século 14, e dizem ter matado cerca de 600 pessoas para ganhar a beleza e a juventude eterna, tomando banho com o sangue de suas vítimas. Isso faz parte do folclore europeu, mas Khan afirma que a história não é tão conhecida nos EUA. As letras: mais um ponto positivo no CD!

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OBS 2: Considerando que o novo álbum não tardará a ser lançado, e "Karma" apenas chegou às prateleiras brasileiras em meados de Junho, este ficou defasado de promoção na mídia especializada, cabendo aos fans fazerem sua divulgação no boca-a-boca. Se você tiver a oportunidade de ouví-lo, e gostar, corra atrás de "The Fourth Legacy" ou até mesmo do ‘ao vivo’ "The Expedition", também disponíveis em versão nacional através da Rock Brigade/Laser Company Records.

OBS 3: As versões japonesas e americanas de "Karma" vieram respectivamente acompanhadas das faixas bônus "Once and Future King" e "Ne Pleur Pas", esta última que nada mais é a balada "Don´t You Cry" cantada em francês. Pena que nós brasileiros não tenhamos sido brindados com nenhum atrativo semelhante, considerando a defasagem de tempo com que ele foi lançado por aqui.

Site Oficial:
http://www.kamelot.com

Site Oficial Brasileiro: http://lunarsanctum.vilabol.uol.com.br/kamelotbraziliansite.html

Site da Noise/Sanctuary Records para ouvir as músicas:
http://www.noiserecords.com

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