Resenha - Slow Motion - Supertramp

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Por Walter Russo
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Poucas bandas que freqüentaram o cenário musical dos anos 70 e 80 tiveram tanto destaque e experimentaram tanto sucesso quanto o Supertramp.

Tudo começou no ano de 1969 quando um tecladista e vocalista cheio de talento e totalmente sem grana, Rick Davies, foi encontrado por um milionário suíço decidido a bancar o projeto de formar uma banda de rock. Após uma incansável procura por outros músicos, um jovem guitarrista/baixista e vocalista surgiu. Seu nome era Roger Hodgson, e a partir daí a história realmente começou...

Juntamente com Roger, dividindo as composições e letras - no mais puro estilo Lennon/McCartney - , Rick e mais dois músicos - o guitarrista Richard Palmer e o baterista Robert Millar - criaram a primeira formação do Supertramp que inicialmente recebeu o nome de Daddy. Pouco após o lançamento do primeiro trabalho da banda em 1970, Millar e Palmer deixaram a banda. Nova procura e, meses depois, juntam-se à banda o baixista Frank Farrell, o baterista Kevin Currie e o saxofonista Dave Winthrop. Infelizmente os dois primeiros álbuns - "Supertramp" (1970) e "Indelibly Stamped" (1971) - atingiram pouco sucesso de crítica e nenhum sucesso comercial. O pouco impacto causado pelos dois primeiros trabalhos desanimou a dupla Davies/Hodgson. Chegaram a pensar em algumas alternativas, dentre elas se dedicar à composição de trilhas sonoras, formar uma nova banda com outro nome (recurso típico de bandas que não atingiam o sucesso na década de 70), se juntar a alguma banda já existente ou simplesmente desistir e seguirem outros caminhos.

Foi nessa época, quando tudo parecia estar perdido, que surgiu uma oferta da gravadora para mais uma tentativa. Rick e Roger decidiram investir numa banda totalmente reestruturada, começando então a procura por novos membros. Estava muito claro que a escolha devia ser de músicos que tivessem uma base musical a mais eclética possível, uma vez que ficavam cada vez mais evidentes as diferenças musicais entre os dois gênios criadores da banda. Rick era um instrumentista extremamente influenciado pelo blues, jazz e rock'n'roll americano do final dos anos 50. Já Roger - 6 anos mais novo - tinha sua base musical formada no ambiente do rock inglês dos anos 60, bebendo na mesma fonte dos Beatles, Genesis, Traffic etc. Foi nessa procura incessante que surgiram em 1973 - entre centenas e centenas de candidatos - três nomes que se mostraram fundamentais para o sucesso que se tornaria o Supertramp.

O primeiro nome a surgir foi o do baixista escocês Dougie Thomson, que já havia passado por algumas bandas britânicas e que havia, tempos antes, substituído o ex-baixista do Supertramp Frank Farrell. Na seqüência, o californiano Bob Siebenberg assumiu a bateria vindo da também banda britânica Bees Make Honey. O último a entrar para o Supertramp e, certamente, um dos membros mais marcantes da história do grupo - não apenas pelo seu tremendo talento mas também pela sua simpatia e eterno senso de humor - foi o saxofonista John Helliwell, amigo de Dougie e com quem havia tocado no Alan Bown Group. Com essa formação o Supertramp começaria a caminhada para se tornar um dos maiores marcos na história da música internacional.

Trancados por quase um ano em uma casa e bancados pela gravadora, a banda teve oportunidade de juntar material necessário para a gravação de dois álbuns. O primeiro deles, lançado em 1974, recebeu o nome de "Crime of the Century". Ao contrário dos dois primeiros discos, "Crime of the Century" atingiu não apenas o sucesso junto à crítica como também junto ao público. "Dreamer" e "Bloody Well Right" chegaram às primeiras posições nas paradas britânicas e logo o álbum conquistou toda a Europa. Na cola do sucesso atingido, a banda lança na seqüência "Crisis? What Crisis?" (1975), que consolida o nome do Supertramp com canções como "Lady" e "Ain't Nobody But Me".

Apesar de conseguir o reconhecimento da crítica e do público europeu, o Supertramp ainda não havia conquistado em definitivo o mercado norte americano. Então decidem se mudar para os Estados Unidos e lá lançam o álbum "Even in the Quietest Moments" em 1977, conseguindo emplacar o grande hit "Give a Little Bit". Tudo caminhava muito bem, com shows lotados em todo o mundo, discos ganhando ouro e platina em vários países... Mas o melhor estaria por vir!

Em 1979 eles lançam "Breakfast in America", que permaneceu por 10 semanas em primeiro lugar na parada da revista "Billboard", 22 semanas no "Top Five" dos discos mais vendidos nos EUA (16 milhões de cópias em todo o mundo!!!) e 48 semanas no "Top Forty". Seus hits "The Logical Song", "Goodbye Stranger", "Breakfast in America" e "Take the Long Way Home" estiveram entre as músicas mais executadas nas rádios do planeta naquele ano. Na seqüência, em 1980, lançam o seu primeiro registro ao vivo, o álbum duplo "Paris". Em 1982 sai "Famous Last Words", álbum que contém os hits "It's Raining Again" e "My Kind of Lady", que marca a despedida de Roger Hodgson.

Apenas com Rick Davies nos vocais, a banda aguarda um intervalo de três anos e lança "Brother Where You Bound" em 1985. Contando com a presença de David Gilmour (Pink Floyd) na guitarra, e um som mais pesado - tendendo para o Rhythm & Blues - o álbum conta com o hit dançante "Cannonball". Em 1987, após o lançamento da coletânea "The Autobiography of Supertramp", sai "Free as a Bird" com uma sonoridade bem latina, recheada de metais. Emplacam os singles "Free as a Bird" e "I'm Beggin' You" e então iniciam uma tour mundial em 1988, incluindo o Brasil, onde se apresentam para mais de 160 mil pessoas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ainda no final desse ano, lançam mais um álbum ao vivo, "Live'88".

Após um imenso intervalo de nove anos sem gravar nem se apresentar ao vivo, apenas quebrado pelo lançamento de duas coletâneas - "The Very Best of Supertramp 1" (1990) e "The Very Best of Supertramp 2" (1992) - , o Supertramp decide voltar em 1997, agora pela EMI, lançando o novo álbum "Some Things Never Change", apresentando uma nova formação. Além dos veteranos Rick Davies, John Helliwell, Bob Siebenberg e Mark Hart - que já havia sido incorporado à banda desde meados dos anos 80 - a banda contou com a colaboração de Carl Verheyen (guitarra), Cliff Hugo (baixo), Lee Thornburg (trompete e trombone) e Tom Walsh (percussão). Após uma bem sucedida tour com mais de 100 shows lotados pela Europa, Canadá e Estados Unidos, a banda decide lançar um novo registro ao vivo. Sai então em 1999 o álbum duplo "It Was The Best of Times". Ainda em 1999, aproveitando o "revival" da banda, o cineasta Paul Thomas Anderson decide homenagear o Supertramp incluindo "The Logical Song" e "Goodbye Stranger" na trilha sonora de seu premiado filme "Magnolia".

O Supertramp é uma das bandas mais aclamadas em toda a história da música. Tendo atingido a incrível marca de mais de 55 milhões de discos vendidos até hoje, eles emplacaram grandes hits nesses 33 anos de existência. Inesquecíveis canções !!! Produziram músicas de todos os estilos ! Desde o mais refinado rock progressivo do início da carreira, passando pelo pop e por baladas dos anos 80, chegando até o blues e o jazz de seus trabalhos mais recentes, o Supertramp continua encantando pela sua versatilidade e ecletismo !

É exatamente essa versatilidade que se vê no seu mais recente lançamento. Contando com praticamente a mesma formação do álbum de estúdio anterior - apenas com a entrada de Jesse Siebenberg (filho de Bob) na percussão - "Slow Motion" (EMI-2002) traz uma coleção de nove canções inéditas, bem ao estilo de toda a carreira vitoriosa do Supertramp. Desde baladas românticas como "Over You", rock'n'roll bem ao estilo dos anos 60 ("Broken Hearted"), canções dançantes ("Little By Little"), blues ("A Sting in the Tail"), outras cheias de lirismo e com belos solos de saxofone ("Slow Motion") e músicas que misturam os estilos jazz, blues e rock progressivo ("Tenth Avenue Breakdown", "Bee in Your Bonnet" e "Dead Man's Blues"). Há ainda uma bela surpresa para admiradores do início da carreira do Supertramp. Após 31 anos guardada nos arquivos pessoais de Rick Davies, "Goldrush" - canção programada para ser lançada em 1971 - acaba sendo incluída após muitos pedidos dos fãs!

O Supertramp já se prepara para uma nova grande tour - chamada de "One More For The Road" - que será iniciada no dia 20 de abril em Portugal e que, até agora, já tem shows agendados até o final de julho apenas na Europa. Ainda estão por ser confirmadas datas na América do Norte e, talvez, na América do Sul.

Agora é só curtir o som de "Slow Motion", já que alguns rumores o apontam como sendo provavelmente o último álbum dessa grande e memorável banda.




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