Resenha - Rock And Roll Is Dead - Hellacopters
Por Eduardo Buss
Postado em 19 de maio de 2005
O site novo do Hellacopters já está pronto. E o disco novo deles, apesar de eu nem ter conseguido ver como é a capa, já vazou pra net. Seguem os comentários.

Juro que não é só pra pegar no pé dos caras!
Bem, talvez eu esteja falando isso aqui pra irritar alguns de vocês mesmo, mas o título do novo disco dos Hellacopters é mais do que apropriado: depois de ouvi-lo, você terá certeza que o rock and roll está morto!
Será que não há mais solução pro rock mesmo? Só resta para as bandas viverem à sombra de um passado glorioso, reaquecendo as velhas fórmulas que sempre deram certo? Se esse disco aqui for a regra - e eu acredito que seja mesmo - então a cena é exatamente como eu descrevi.
Por outro lado, talvez a farofada seja mesmo a solução e esse é o caminho que o rock and roll deve seguir.
Será?
O disco abre com um rock and roll básico e clichê. Mas aí eu penso, "tudo bem, é só uma homenagem e não vai ser todo o disco assim". Na segunda faixa a coisa melhora um pouco e já começa a ficar clara a veia punk do álbum (esse disco até pode agradar os punks de plantão, desde que tenham muita boa vontade). Na terceira música fica nítido um fenômeno que se repete ao longo do disco todo: a sensação de já ouvi isso antes. Logo após temos uma boa música, "No Angel to Lay Me Away", mas que mantém a mesma impressão anterior. Daí em diante a coisa começa a descambar pra bagaceirada colossal. A faixa número 5 é um punk rock de butique dos mais bagaceiros que ouvi ultimamente!
Pra piorar, a partir daí a farofa também começa a pipocar constantemente nessa bolacha... "Leave It Alone" é uma baladinha country sugada magistralmente dos medalhões do estilo nos anos 70. Chegando na 7ª faixa, pô, ela até é legal, mas nessas alturas eu já tou com vontade de ouvir um Lynyrd ou Free ou Cream ou Stooges ou o que seja - começa a perder o sentido ouvir esse disco do Hella. E "I'm in the Band" só piora a situação, dessa vez remetendo aos glams setentistas sem economizar farofa - riffs, refrõezinhos, etc. "Put out the Fire" começa engraçadinha, remetendo à psicodelia sessentista, mas logo em seguida vem mais um refrãozinho comprometedor. Ainda assim é uma das boas faixas do disco, apesar de clichês como o solo de guitarra "emocionante" (ou "emocionado").
Aí vem mais um momento de farofada country com "I Might Come See You Tonight" - aliás, que título! Perfeito praquele refrão pegajoso hein? Depois temos mais um punk genérico com vocaizinhos ridículos, nem vou perder tempo falando porque quero comentar logo a próxima faixa, que é o "ápice" do disco.
"Make It Tonight" é o grande e absoluto destaque do álbum! Outra com um puta título! Digna de Paul Stanley, aliás acho que nem o mestre conseguiria criar algo tão bagaceiro hoje em dia! Mantenha o teclado afastado para ele não molhar enquanto você escuta essa música, porque a baba vai escorrer em profusão! "Time Got No Time to Wait for Me" fecha bem o disco, um típico hard farofa que deixará os fãs do estilo orgulhosos.
Enfim, esse aqui é um disco com méritos suficientes para ser reconhecido pela grande mídia. Eu preferiria mesmo ouvir músicas do Hellacopters na trilha sonora das novelas globais, ao invés de ter que ouvir malas tipos os caras do The Darkness.
Site oficial: www.hellacopters.com.
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