Resenha - Night of the Stormrider - Iced Earth

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Por Leandro Testa
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Minha experiência com o Iced Earth remonta ao ido ano de 1998 em que pouco se falava dele em terras tupiniquins, ou melhor, sua popularidade era quase nula por aqui (para se ter uma idéia, a Rock Brigade dava-o como uma nova promessa em pouco mais de setenta palavras na sua edição de março de 97 - fora o fato de que a internet não era assim tão difundida...).

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Então, vamos lá... senta, que lá vem história: Num belo dia durante uma viagem, vasculhando centenas de prateleiras em dezenas de ‘music shops’, deparei-me com uma única cópia de "Night of the Stormrider" e a comprei de olhos vendados, com um certo pressentimento de que aquele seria um bom material. Escutei-o, e minha primeira reação foi um considerável "NóóóÓÓÓÓSSsa!!!!". O "bom" passou a ser "primoroso", e isso me induziu a ir numa outra loja procurar o tal do CD com a capa do Spawn, "The Dark Saga", de 1996 (diga-se, outro dos excelentes trabalhos desta prolífica banda oriunda de Tampa, Flórida). Em ambas as situações sua formação era bem diferente da de hoje, e mais precisamente na primeira delas, o único remanescente é (e sempre será) o guitarrista, líder e compositor em potencial Jon Schaffer. Todavia, independentemente de seu posterior desligamento, a trupe que o acompanhava nesta empreitada não deixou a peteca cair enquanto provava a quem quisesse saber o motivo de tão próspera tour ao lado do Blind Guardian, seus camaradas desde os seminais dias de palco, amizade esta que gerou anos depois o bem sucedido projeto Demons & Wizards.

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Talvez pelo fato de já ser um álbum "antigo" quando os disseminadores do mal gélido estouraram por estas paragens com "Something Wicked...", aliado à inexistência de sua versão nacional para facilitar em termos financeiros, "Night of the Stormrider" tenha ficado no anonimato para os milhares de seguidores angariados mais recentemente. Mas eles nem imaginam o que estão perdendo... Para quem escutou as regravações constantes no duplo "Days of Purgatory" (último trabalho do até então sempre presente Randall Shawver [guitarra-solo]), bem como o triplo ‘ao vivo’ "Alive in Athens", sabe que o som aqui era ostentoso, um heavy tradicional bastante influenciado por Maiden, com profundas incursões do speed/thrash da época, em seus derradeiros dias áureos, algo que foi sendo mantido e/ou reformulado na sua carreira em maiores ou menores proporções.

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Seguindo os passos do ‘debut’, o estilo foi aprimorado e agora faziam seu primeiro álbum conceitual, contando com um vocalista à altura da qualidade musical, John Greely, que conseguia cantar as linhas criadas por Schaffer do jeito que ele queria, em interpretação às diversas nuanças d’uma obra deste calibre. Ainda que nenhum de seus trabalhos tenha decepcionado até o presente momento, creio que seja este o mais importante de todos, pois mesmo depois de dez anos, tocou-se 70% dele nos shows da última turnê, sendo assim o disco que melhor representa a primeira década de vida do conjunto.

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"Mas e os outros 30%?" Bem, neles se incluem duas faixas vocal-acústicas curtinhas, não tão indicadas para serem executadas ‘ao vivo’ e duas outras canções, que mesmo sendo muito boas, não poderiam tomar o lugar de outros clássicos só para poder tocar o "...Stormrider" inteirinho (algo totalmente inoportuno). "Mas e ele é tão bom assim?" Claro que o é! Ou melhor, sou um pouco suspeito para comentar a respeito, pois esse foi o que mais me causou impacto, numa época em que as bases do Schaffer me traziam mais furor, e talvez, por isso, ao escutar algumas músicas mais atuais, eu não tenha me empolgado tanto quanto haveria de se esperar de um novo fã. É claro que tudo deles é sublime, mas em minha opinião, as coisas se tornaram ligeiramente pragmáticas, seguindo aquele determinado parâmetro... (bem, pelo menos para quem tem tudo que é lançamento oficial dos "Ice Devils", passando também pelo Demons & Wizards).

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Mas tal situação não é difícil de se contornar... faz parte do jogo... duro e impossível é ficar parado ao ouvir pedradas como "Stormrider", na voz agressiva de Schaffer e "The Path That I Choose", que vem avassaladora em seqüência, com um riff de início pedindo para ser chamado de "part II". Ave, depois dessa, até preciso de um refresco... É, talvez seja esta a função de "Before the Vision", o primeiro interlúdio acústico que precede aquelas duas canções descartadas dos shows, "Mystical End" e "Desert Rain". A primeira, muito provavelmente é a que mais contém elementos do Maiden, e assim como a segunda, alterna sua levada principal por climas progressivos ou riffs violentíssimos, apenas depreciados pelo refrão em "Desert Rain" que, sabe-se lá o porquê, não me agrada muito...

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Para os amantes da brutalidade pura, "Pure Evil" fuzila tudo e a pergunta é se ainda virá coisa melhor pela frente. Obviamente que sim! Ao passo que estamos chegando ao fim com "Reaching the End" (he he, vocês já perceberam que eu adoro trocadilhos, não é???), esta grandiosa faixa curtinha (ah, também gosto de antíteses... tô quase lá...), dá lugar a um dos maiores clássicos do Earth, "Travel in Stygian", à luz de qualquer ‘ending theme’ que a banda já tenha feito, sempre, indubitavelmente, deveras especiais. Assim como "seus companheiros de fim de fila", tal épico de nove minutos reúne diversas mudanças de andamento naquele que se revela um metal primacial, para depois se findar em um belíssimo adorno ao piano, com cordas de aço ao fundo, vaporando qualquer intenção de soltar meia palavra negativa a respeito da obra. "Uma belezura", como se diz lá no interior.

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Apenas para explicar um pouquinho melhor, o material que ora resenho não é aquele que eu comprara anteriormente, mas sim uma reedição que faz parte da caixa importada "Dark Genesis", lançada há menos de um ano, contendo também o primeiro EP, "Enter the Realm", o ‘debut’ e o terceiro ‘play’ da banda, "Burnt Offerings", remixados, remasterizados e com arte gráfica diferentes, mais um book de 32 páginas e um CD só de covers, "Tribute to the Gods", causando ânsia e frenesi em muitos headbangers, devido ao custo nada singelo para poder adquiri-la. Entretanto, a saliva já pode ir sendo recolhida, pois aos poucos eles estão sendo individualmente disponibilizados no mercado, um prato cheio para quem embaçou até agora para tê-los e para aqueles que querem conhecer esse "som de macho", isento de frescuras...

Tal versão, modificada digitalmente, nivela algumas deficiências da material original, melhorando de modo satisfatório algumas partes "escondidas" referente a todos os instrumentos, desde a batida na caixa de bateria até as tímidas intervenções de teclado, como por exemplo, no trecho em que o barulho da chuva se sobrepunha a tudo o que configura o início da segunda faixa. Ou seja, de uma forma geral tudo melhorou: nem é preciso dizer o que essa tecnologia consegue fazer - o ‘maluco’ tem a possibilidade de arrumar tudo aquilo que o deixou insatisfeito na primeira prensagem - ...e olha que em seu estado bruto já era um baita atrativo. As mencionadas mudanças já se evidenciam logo que o CD começa a rolar, pois concomitantemente à delirante citação de "O Fortuna" (Carmina Burana) do compositor alemão Carl Orff (1895 – 1982), a guitarra em "Angels Holocaust" já começa rangendo mais alto, numa das mais populares (e melhores) músicas já escritas por Schaffer.

Não me resta muito a dissertar, exceto ratificar que este é um item obrigatório na coleção de qualquer sujeito que se preze, de gostos variando desde Uirapuru e Tropa de Shock até Dillinger Escape Plan, Nile, Cannibal Corpse, e congêneres. Preconizo até cansar; em suma, "Buy or die!!!"

OBS: Dave Abell (baixo) e Richey Secchiari (batera) completavam o time

OBS 1: A capa original foi inclusa neste novo encarte, mas com tonalidades diferentes, fazendo-a perder um pouco da sua essência. Portanto, prefiro a do meu CD.

OBS 2: Fique à vontade para ler um ótimo complemento desta resenha no link abaixo, dando-lhe um bom panorama desta e das demais obras do Iced Earth.

Duração – 45:48 (9 faixas)

Site Oficial - www.icedearth.com

Material cedido por:
Century Media Records
http://www.centurymedia.com.br
Telefone: (0xx11) 3097-8117
Fax: (0xx11) 3816-1195
Email: [email protected]

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