Resenha - Gathering - Testament
Por Ricardo Augusto Sarcinelli
Postado em 19 de novembro de 1999
Se você me perguntasse qual a banda mais corajosa do heavy metal hoje, eu responderia: Testament. Eles renunciaram à um thrash melódico que hora ou outra flertava com o hard rock baladeiro e assumiram sua devoção – que a bem da verdade nunca deixou de existir – pela música extrema (veja os guturais que vez ou outra são evocados no álbum "The New Order", por exemplo). Vale frisar que tal renúncia implicou em demissão de uma "major", o que, por sua vez, refletiu em produções e distribuições mais modestas, e, consequentemente, vendagens idem . Somente não subtraiu o bem mais singular de qualquer artista: sua capacidade de criação.
No álbum anterior, "Demonic", eles certamente alcançaram o limite da agressividade, sobretudo pelas vocalizações extremas de Chuck Billy, que, ao meu ver, configuram as mais viscerais já realizadas por qualquer vocalista em todos os tempos. Para se ter uma idéia, Chuck fez teste para o posto de Max Cavalera no Sepultura. A alegação por sua reprovação? "É agressivo demais!".
Este novo trabalho pode ser definido como uma inter-relação entre "Demonic" e seu antecessor, "Low", que, embora também extremamente pesado, primava por uma atmosfera menos densa, e uma dinâmica mais cadenciada, condicionadas à manifestações constantes da técnica dos instrumentistas da banda, neste novo disco novamente enfatizadas.
"The Gathering" é um álbum de suma importância para os cenários Thrash e Death de nossos dias ao passo que reafirma sua força. Ele traz consigo uma nova abordagem, apresentando novas propostas para a música pesada do próximo milênio. "D.N.R. (Do Not Ressuscitate)" clássico imediato que abre o disco e "Allegiance" são exemplos que mais servem para gastar tinta e espaço nesta resenha do que para ilustrar qualquer coisa, uma vez que todas as composições primam pela mesma qualidade e carisma pertinentes à banda.
Ouvindo o álbum, a principal influência salta naturalmente: Slayer, sobretudo, e isto é tão óbvio, pela presença do imortal Dave Lombardo no kit, que aceitando convite da banda dá um show à parte. Steve Digiorgio, continua irrepreensível, embora acredite que ele possa render ainda mais. Eric Peterson , primoroso como de costume em seu trabalho de bases e riffs quebra-pescoço dispensa maiores manifestações de idolatria. Sua limitação nos solos parece não fazer diferença dada a presença de Mr. James Murphy na outra guitarra, configurando o que seja talvez a dupla de guitarristas que melhor consegue o equilíbrio entre peso extremo e melodia .
Com este time e a atitude permanentemente honesta desta extraordinária banda, este álbum realmente não poderia ser menos que maravilhoso.
Nota: 9 (nove
Outras resenhas de Gathering - Testament
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Usina da capa de "Animals", do Pink Floyd, se tornará espaço para shows
O grupo pop que Ian Gillan considera muito bom em fazer música comercial
Robert Plant defende músico por show desastroso realizado pelo Led Zeppelin
O melhor disco do Judas Priest, de acordo com a Metal Hammer
A frase casual de Roger Glover que virou um dos maiores clássicos do Rainbow
Os 10 covers mais tocados pelo Metallica ao vivo, segundo a Noise Creep
Cinco fantásticos álbuns ao vivo que não nasceram para ser álbuns ao vivo
O grupo vocal dos anos 1980 que perdeu espaço para a onda do rock nacional
A estrela de Hollywood que ajudou a transformar uma canção em clássico do Guns N' Roses
Digão explica o erro dos Raimundos: "Mamonas Assassinas foram mais inteligentes"
Carach Angren - Entre na floresta por sua conta e risco em "Lammendam"
Tarja Turunen fará show em São Paulo em maio de 2027
A curiosa opinião de Humberto Gessinger sobre o Supertramp
A reação de Jason Newsted ao ouvir uma música de "St. Anger" no rádio
Em parceria com a Casa da Moeda Real, Pink Floyd lança palhetas em cobre, prata e ouro

As quatro bandas que Dave Mustaine incluiria em um novo Big Four
10 músicas de rock e metal diretamente inspiradas pelo 11 de setembro
Os 59 anos de idade de Gene Hoglan, um dos maiores bateristas do heavy metal de todos os tempos
O clássico do Lamb of God cujo riff foi inspirado em música do Testament
Testament gravará novo disco ano que vem, revela Chuck Billy
Metallica: And Justice For All é um álbum injustiçado?


