Resenha - Live at the Astoria London - Steve Vai
Por Daniel Dutra
Postado em 28 de agosto de 2004
Nota: 9 ![]()
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Não há dúvida que Live at the Astoria London foi um dos DVDs mais aguardados de 2003, afinal, se Steve Vai sozinho já é motivo de expectativa, ao lado de um verdadeiro "dream team" a coisa toda ganhou proporções ainda maiores. Billy Sheehan (baixo), Virgil Donati (bateria), Tony MacAlpine (teclados e guitarra) e Dave Weiner (guitarra) formavam a banda que acompanhou Vai durante a turnê para promover o duplo ao vivo Alive in an Ultra World. À exceção de Wainer - pupilo que acompanha o mestre desde a turnê do álbum The Ultra Zone, em 1999 - todos músicos experientes e, mais do que isso, extraordinários em seus respectivos instrumentos.

O grande problema do DVD, no entanto, é a edição de imagens. Não chega a ser lamentavelmente ágil demais como Rock in Rio, do Iron Maiden, mas muitas tomadas de cena são irritantes - quem assiste a um show de Steve Vai ou é músico ou fã da boa música, deu para sacar? - e a banda acabou não sendo privilegiada como deveria na edição - mostrar Vai bebendo água enquanto Donati está solando é de matar (aliás, solo de bateria relevante é isso ai). Apesar dos impropérios dirigidos ao diretor Phil Woodhead e ao editor Brandon Sanders, o show é tão maravilhoso que a gente acaba relevando tudo a segundo plano.
Em primeiro lugar, não existe guitarrista melhor que Steve Vai. Pode pensar em qualquer um, existem vários excepcionais, mas nenhum chega aos pés dele. Vai é completo não apenas tecnicamente, mas no domínio do instrumento, em relação aos efeitos, na habilidade de explorar todos os recursos. Além disso, é um showman - presepeiro, é verdade - e um compositor brilhante. Mais do que isso, é humano: erra - sim, ele erra! - e ainda dá grande espaço a MacAlpine e Weiner desfilarem técnica, seja em solos individuais (Dave's Party Piece é um exemplo) ou dobrando temas e solos durante as músicas.
Rasgação de seda à parte, impossível não ficar entusiasmado com um show que começa com Shyboy - cantada por Sheehan e com os duelos de baixo e guitarra idênticos aos registrados em Eat 'Em and Smile, segundo trabalho solo de David Lee Roth - e termina com The Attitude Song - esta com a participação de Eric Sardinas, guitarrista que lançou seu terceiro álbum, Black Pearls (2003), pela Favored Nations, gravadora de Vai. Ainda há surpresas bem agradáveis, como a versão instrumental de Down Deep Into the Pain (do incompreendido Sex & Religion), Chamaleon (do primeiro disco solo de Sheehan, Compression) e os covers para Fire e Little Wing, de Deus, digo, Jimi Hendrix.
Em mais de duas horas de show, Vai passa sua carreira a limpo e apresenta músicas de todos os discos. Além de The Attitude Song, do primeiro álbum, Flex-Able, temos Giant Balls of Gold e a belíssima Whispering a Prayer, de Alive in an Ultra World; Bad Horsie representa Alien Love Secrets (faltou Tender Surrender); Fire Garden cede a bela Bangkok e a maravilhosa The Crying Machine; e The Ultra Zone aparece apenas com a excelente Jibboom (show de Vai e Sheehan!), já que sentir falta de Windows to the Soul e I'll Be Around não é pecado algum.
Obviamente, a obra-prima Passion and Warfare contribui com um maior número de músicas. Liberty, Erotic Nightmares e The Animal sempre são espetaculares. Se por um lado não há I Would Love to, Vai incluiu a espetacular Blue Powder no set list - e foi ótimo ver Sheehan fazendo uso de slaps, assim como em The Crying Machine. O recurso nunca foi a praia que costumou explorar, mas em Live at the Astoria London o baixista manteve as partes originais de Stu Hamm, o que, convenhamos, não seria mesmo problema. E, claro, não esqueci de For the Love of God, mas não há muito o que falar de uma das músicas mais bonitas de todos os tempos, a não ser perguntar o que os caras que fizeram a lista dos 100 melhores guitarristas, publicada na Rolling Stone, fumaram. Deve ter dado uma onda danada, afinal, incluir Kurt Cobain e ignorar Steve Vai é coisa de quem estava vendo elefante voador rosa com bolinhas azuis.
Os extras, que acabaram ficando no segundo DVD, apresentam biografia de cada músico, uma discografia completíssima de Vai (incluindo Frank Zappa, David Lee Roth, Whitesnake e participações em tributos, trilhas sonoras, discos de outros artistas et cetera), cenas de backstage, entrevistas e, o melhor de tudo, a banda ensaiando em Los Angeles, onde numa sala mandam ver em Giant Balls of Gold e Erotic Nightmares. Se você não faz uso do mesmo medicamento utilizado pelos especialistas da Rolling Stone, fique tranqüilo. Você está com a cabeça no lugar e Live at the Astoria London foi feito sob medida - mesmo que os senhores Woodhead (sobrenome propício) e Sanders tenham tentado estragar.
(Favored Nations - importado - 240min)
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