Resenha - Live at the Astoria London - Steve Vai

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Por Daniel Dutra
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(Favored Nations - importado - 240min)

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Não há dúvida que Live at the Astoria London foi um dos DVDs mais aguardados de 2003, afinal, se Steve Vai sozinho já é motivo de expectativa, ao lado de um verdadeiro "dream team" a coisa toda ganhou proporções ainda maiores. Billy Sheehan (baixo), Virgil Donati (bateria), Tony MacAlpine (teclados e guitarra) e Dave Weiner (guitarra) formavam a banda que acompanhou Vai durante a turnê para promover o duplo ao vivo Alive in an Ultra World. À exceção de Wainer - pupilo que acompanha o mestre desde a turnê do álbum The Ultra Zone, em 1999 - todos músicos experientes e, mais do que isso, extraordinários em seus respectivos instrumentos.

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O grande problema do DVD, no entanto, é a edição de imagens. Não chega a ser lamentavelmente ágil demais como Rock in Rio, do Iron Maiden, mas muitas tomadas de cena são irritantes - quem assiste a um show de Steve Vai ou é músico ou fã da boa música, deu para sacar? - e a banda acabou não sendo privilegiada como deveria na edição - mostrar Vai bebendo água enquanto Donati está solando é de matar (aliás, solo de bateria relevante é isso ai). Apesar dos impropérios dirigidos ao diretor Phil Woodhead e ao editor Brandon Sanders, o show é tão maravilhoso que a gente acaba relevando tudo a segundo plano.

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Em primeiro lugar, não existe guitarrista melhor que Steve Vai. Pode pensar em qualquer um, existem vários excepcionais, mas nenhum chega aos pés dele. Vai é completo não apenas tecnicamente, mas no domínio do instrumento, em relação aos efeitos, na habilidade de explorar todos os recursos. Além disso, é um showman - presepeiro, é verdade - e um compositor brilhante. Mais do que isso, é humano: erra - sim, ele erra! - e ainda dá grande espaço a MacAlpine e Weiner desfilarem técnica, seja em solos individuais (Dave's Party Piece é um exemplo) ou dobrando temas e solos durante as músicas.

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Rasgação de seda à parte, impossível não ficar entusiasmado com um show que começa com Shyboy - cantada por Sheehan e com os duelos de baixo e guitarra idênticos aos registrados em Eat 'Em and Smile, segundo trabalho solo de David Lee Roth - e termina com The Attitude Song - esta com a participação de Eric Sardinas, guitarrista que lançou seu terceiro álbum, Black Pearls (2003), pela Favored Nations, gravadora de Vai. Ainda há surpresas bem agradáveis, como a versão instrumental de Down Deep Into the Pain (do incompreendido Sex & Religion), Chamaleon (do primeiro disco solo de Sheehan, Compression) e os covers para Fire e Little Wing, de Deus, digo, Jimi Hendrix.

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Em mais de duas horas de show, Vai passa sua carreira a limpo e apresenta músicas de todos os discos. Além de The Attitude Song, do primeiro álbum, Flex-Able, temos Giant Balls of Gold e a belíssima Whispering a Prayer, de Alive in an Ultra World; Bad Horsie representa Alien Love Secrets (faltou Tender Surrender); Fire Garden cede a bela Bangkok e a maravilhosa The Crying Machine; e The Ultra Zone aparece apenas com a excelente Jibboom (show de Vai e Sheehan!), já que sentir falta de Windows to the Soul e I'll Be Around não é pecado algum.

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Obviamente, a obra-prima Passion and Warfare contribui com um maior número de músicas. Liberty, Erotic Nightmares e The Animal sempre são espetaculares. Se por um lado não há I Would Love to, Vai incluiu a espetacular Blue Powder no set list - e foi ótimo ver Sheehan fazendo uso de slaps, assim como em The Crying Machine. O recurso nunca foi a praia que costumou explorar, mas em Live at the Astoria London o baixista manteve as partes originais de Stu Hamm, o que, convenhamos, não seria mesmo problema. E, claro, não esqueci de For the Love of God, mas não há muito o que falar de uma das músicas mais bonitas de todos os tempos, a não ser perguntar o que os caras que fizeram a lista dos 100 melhores guitarristas, publicada na Rolling Stone, fumaram. Deve ter dado uma onda danada, afinal, incluir Kurt Cobain e ignorar Steve Vai é coisa de quem estava vendo elefante voador rosa com bolinhas azuis.

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Os extras, que acabaram ficando no segundo DVD, apresentam biografia de cada músico, uma discografia completíssima de Vai (incluindo Frank Zappa, David Lee Roth, Whitesnake e participações em tributos, trilhas sonoras, discos de outros artistas et cetera), cenas de backstage, entrevistas e, o melhor de tudo, a banda ensaiando em Los Angeles, onde numa sala mandam ver em Giant Balls of Gold e Erotic Nightmares. Se você não faz uso do mesmo medicamento utilizado pelos especialistas da Rolling Stone, fique tranqüilo. Você está com a cabeça no lugar e Live at the Astoria London foi feito sob medida - mesmo que os senhores Woodhead (sobrenome propício) e Sanders tenham tentado estragar.

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