Resenha - Coldness - Kotipelto
Por Carlos Eduardo Corrales
Postado em 20 de julho de 2004
Já estava na hora de alguma coisa relacionada à música vir de alguém relacionado ao Stratovarius. Depois de toda a palhaçada, lavação de roupa suja, banho de sangue e cabalas, finalmente algo com notas musicais chega às nossas mãos.

Para ser brutalmente sincero (como sempre sou nas minhas resenhas), devo dizer que não gosto de CDs solo. Eu realmente entendo a necessidade dos músicos em fazê-los, principalmente no caso de bandas como o Stratovarius, cuja maior parte das composições é executada por apenas um dos membros (Coldness já estava sendo realizado antes da saída de Timo Kotipelto), mas mesmo assim, dificilmente esses CDs trazem músicas com a mesma qualidade da banda original, nos levando a pensar que às vezes realmente exista um motivo racional (que não a ditadura) para um único membro dominar as composições.
Esse CD, infelizmente não é uma dessas exceções. O que também não significa que ele seja ruim. Ele é, na verdade, o melhor CD solo lançado por alguém relacionado ao Stratovarius, pois, ao contrário das incursões de Jens Johansson no Fusion e de Timo Tolkki no Pop/Rock, Timo Kotipelto concentra sua carreira solo no mais puro Heavy Metal (supondo, é claro, que você prefira esse estilo a Fusion ou Pop/Rock).
A banda conta com um time de superstars e inclui Mike Romeo (guitarrista do Symphony X), Jari Kainulainen (baixista do Stratovarius) e Janne Wirman (tecladista do Children Of Bodom), todos em performances impecáveis. Timo Kotipelto, como sempre, arregaça nos vocais, mostrando porque é considerado uma das melhores vozes do Metal Melódico desde Michael Kiske (embora a música contida neste CD esteja mais para o Metal Tradicional do que para o Melódico).
Então onde está o problema do CD? Nas composições em si. Não é que sejam ruins, ou realizadas por quem não sabe o que faz, mas simplesmente não existe nenhuma composição tão cativante neste CD como uma Black Diamond, por exemplo. Um dos maiores destaques então, acaba indo para a faixa do single, a comercial Reasons, que tem um refrão daqueles que a galera adora acompanhar em shows. Outra legal é a faixa de abertura, Seeds Of Sorrow, a que mais lembra Stratovarius no álbum. O destaque negativo vai para um detalhe bizarro da última faixa, Here We Are, que termina em um fade out (até aí, nada demais), mas depois volta em um volume tão alto que chega a machucar os ouvidos e não duvido que chegue a prejudicar caixas de som menos potentes. Bizarro é apelido.
De bônus, essa edição nacional traz ainda o videoclipe de Reasons, que é chato que dói, parecendo ter sido feito com câmeras amadoras e um também chato Making Of do álbum, esse sim feito assumidamente com câmeras amadoras em um padrão de qualidade bem semelhante ao visto no vídeo do Stratovarius, Infinite Visions.
Coldness não é ruim, mas é um disco sem carisma. Um álbum que comprei por obrigação de colecionador e que dificilmente vou ouvir de novo, assim como Waiting For The Dawn, a incursão anterior do vocalista. Se você gosta muito de Stratovarius ou de Timo Kotipelto, vale a pena conferir. Só não vá com muita sede ao pote e abaixe o volume no final da última música.
(Century Media – 2004)
Matéria originalmente publicada no site
DELFOS – Diversão e Cultura
http://delfos.zip.net
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