Como o Queen se tornou a maior banda do mundo em 1980
Por Yuri Apolônio
Postado em 07 de julho de 2023
Por mais que o Queen fosse uma banda eclética, depois do lançamento do Jazz, em 1978, acho que pouca gente imaginaria que eles lançariam dois compactos com estilos músicas que em sete discos de estúdio ainda não haviam sido abordados: o rockabilly o funk rock! E quis Deus, ou melhor, Freddie Mercury que o Queen retornasse ao topo das paradas e a liderança nas vendas com estas canções. Mais importante, ambas elevaram a banda ao topo pela primeira vez nos EUA, o maior mercado consumidor do mundo, conquista que os músicos almejavam há muito tempo.
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No caso da primeira canção, seriam necessários 15 minutos para que Freddie Mercury compusesse "Crazy Little Thing Called Love". E ele aproveitou que a banda estava desfalcada de Brian May para gravá-la rapidamente no estúdio, afinal ele sabia que o guitarrista não seria convencido tão fácil de seguir por esta linha. Para piorar, o produtor alemão Mack pediria para que Brian May gravasse o solo da canção com uma Telecaster, e não com a sua amada ‘Red Special’. Mas o inesperado single lançado às pressas que com que a banda atingisse o topo das paradas americanas pela primeira vez na carreira acabaria por convencer o guitarrista de que Freddie estava certo, mais uma vez.

Aproveitando o momento, Freddie Mercury se une ao baixista John Deacon para criar um funk misturado com disco music em Another One Bites the Dust. De início, a banda somente lançou a canção no seu álbum de estúdio. Mas Michael Jackson daria a letra. O "Rei do Pop’ (que na época ainda não era "rei", mas já tinha faro comercial) disse ter ficado impressionado com a faixa e que ela seria um sucesso nos EUA, o que se concretizou e colocou o ‘The Game’ no topo das vendas por lá também.

Ao final de 1980, os quatro integrantes do Queen entrariam para o Livro dos Recordes como os diretores de empresa mais bem remunerados do mundo. Nas quantias atuais pode não parecer muito, mas naquela época £ 700 mil para cada um era um montante bastante significativo para um artista do rock.
A mudança no eixo de principal de compositor do Queen é somente uma das razões da banda ter retornado ao topo e ido além. Não era recente que o grupo gravava seus discos fora do Reino Unido para fugir dos impostos, mas seria esta a primeira vez que o Queen utilizaria as instalações do Musicland Studios, em Munique, na Alemanha. E não apenas isso, a banda encontraria por lá o seu "produtor da década": Reinhold Mack, ou simplesmente Mack. Para muitos, Mack teria para o Queen nos anos 80, o papel que Roy Thomas Baker teve na década anterior. E com o Queen, Mack, por mais que tivesse trabalhado como engenheiro de som de diversos dinossauros do rock, se consagraria produtor. Foi ele o responsável por trazer um toque moderno e jovial ao Queen, mas nas canções mais ao estilo "clássico" da banda, as ofuscadas Save Me e Play the Game.
Há um último detalhe que não pode passar batido para essa nova fase do Queen, que é o "escritório"... ou melhor, o Suggar Shack, uma boate. Além de citado na canção Dragon Attack, o "The Shack" teve um importante papel na sonoridade do Queen, afinal era para lá que os membros da banda iam após as sessões de gravação e, entre uma bebida e sabe-se lá mais o quê, ouviam nas caixas de som da boate as demos recém gravadas. Ocorre que bem provavelmente não são nas caixas de som de uma pista de dança de uma boate onde um bom rock pesado soa bem. Ali, era necessário ter algum groove, um balanço, ou melhor, como definiria Freddie Mercury, eram necessárias "pausas".
Freddie percebeu então que o Queen poderia incluir algumas pausas em suas canções, por mais que isso viesse a bater de frente com a visão que Brian May tinha para a banda. Mas o sucesso dos hits deixou claro quem estava certo na ‘queda de braço’. Isso levaria o Queen para caminhos tortuosos, mas isso é assunto para um outro texto!
Se você gostou do texto, no vídeo mais recente para o meu canal, conto a história do período entre 1978 e 1981 do Queen, que inclui a história contada acima e ainda falo de cada disco de estúdio nessa época. E como vídeo no YouTube não tem limitação de tamanho, aproveito para falar também da primeira vinda do Queen ao Brasil, em 1981, e da segunda vinda à América Latina, no mesmo ano, que foi um desastre quase completo.
Ainda é um trabalho humilde, feito sozinho, no facão e na enxada, mas com muito carinho. Espero que gostem!
Fonte:
A Verdadeira História do Queen: Os Bastidores e os Segredos de uma das Maiores Bandas de Todos os Tempos, por Mark Blake. Editora Seoman; 2015.
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