Iron Maiden: Uma Breve História do Século XX
Por Diogo Tomaz Pereira
Postado em 07 de julho de 2020
Eu inicio esse texto como uma pergunta que talvez assombre 99,9% dos professores: como planejar uma aula inovadora, "diferente", que desperte o interesse e a atenção de uma turma durante 50 minutos? Difícil, mas não impossível. As respostas para esse tipo de pergunta variam muito, depende de como esse professor se porta em sala, depende do engajamento da turma... são diversos fatores que podem influência em uma boa aula (como barulho externo, temperatura, luz ambiente...). Mas, no caso do ensino de História, ferramentas não faltam para estimular o raciocínio histórico assentado não no "passado tal como aconteceu", e sim nas maneiras para adquirir saberes sobre as ações humanas no tempo.
Considerando que uma aula de História não é uma simples apresentação de fatos, mas, sim, pôr em prática a busca por uma interpretação do passado e presente, utilizo com minhas turmas diversos meios que ajudam a transformar as aulas no foco da atenção. Longe de querer pôr fim à famosa aula "cuspe e giz", pelo contrário, a acho extremamente importante, mas é sempre bom variar, por isso, histórias em quadrinhos, vídeos de canais do YouTube, jogos de Videogame e músicas de diversos estilos, estão sempre acompanhando minhas explicações em determinados assuntos.
Por falar em música, uma excelente que pode ser trabalhada tanto com turmas de 9º ano do Ensino Fundamental II quanto com o 3º ano do Ensino Médio, é a brilhante Brighter Than a Thousand Suns do Iron Maiden. A terceira faixa do álbum de 2006, "A Matter Of Life and Death", é inspirada no livro homônimo da canção, escrito pelo austríaco Robert Jungk. A música traz uma série de referências à Era Atômica e ao Projeto Manhattan, que eventualmente levaria o mundo à Guerra Fria.
ANALISANDO A LETRA
A Segunda Guerra Mundial mal terminou e a humanidade mergulhou no que se pode encarar, razoavelmente, como uma "Terceira Guerra Mundial", embora muito peculiar. Como observou o filósofo Thomas Hobbes, "a guerra consiste não só na batalha, ou no ato de lutar, mas num período de tempo em que a vontade de disputar pela batalha é suficientemente conhecida". A Guerra Fria, entre EUA e URSS, que dominou o cenário internacional na segunda metade do século XX, foi sem dúvidas um desses períodos.
Dedos sombrios se erguem
Dedos de ferro golpeiam o céu deserto
Oh! Admire o poder do homem
Na sua torre, prontos para a queda
Trocando bem ideias
Erga uma cidade, construa um inferno vivo
Una-se à corrida para o suicídio
Ouvindo o badalar dos sinos
Brighter Than a Thousand Suns ("Mais Brilhante do que Mil Sóis") é uma canção sobre o experimento que deu vida à bomba atômica, também conhecido como Projeto Manhattan. A criação controversa e o eventual uso da bomba atômica envolveram algumas das principais mentes científicas do mundo, bem como as forças armadas dos EUA - e a maior parte do trabalho foi realizada em Los Álamos, Novo México, não na cidade de Nova York para a qual foi originalmente nomeado. O Projeto Manhattan foi iniciado em resposta ao medo de que cientistas alemães estivessem trabalhando em uma arma nuclear desde os anos 30 - e que Adolf Hitler estivesse preparado para usá-la. Em 16 de julho de 1945, em um local remoto no deserto perto do Novo México, a primeira bomba atômica foi detonada com sucesso, criando uma enorme nuvem de cogumelo com cerca de 10.000 metros de altura e inaugurando a Era Atômica. O título da música, "Mais Brilhante do que Mil Sóis", se refere a um comentário que um dos cientistas fez depois de ter visto a bomba atômica testada no deserto.
Sol amarelo de seu gêmeo perverso
Na escuridão as asas o entregam
Nós dividiremos a alma que nos habita
Semente atômica é dividida em poeira nuclear.
[...]
Fora das trevas, mais brilhante e do que mil sóis
Fora das trevas, mais brilhante do que mil sóis
[...]
O que quer que Robert tenha dito a seu Deus
Sobre como ele fez a guerra com o Sol
E=MC², você pode relacionar
Como criamos Deus com nossas mãos
A letra também fala de um tal "Robert", uma referência direta ao físico teórico J. Robert Oppenheimer, que estava trabalhando no conceito de fissão nuclear quando foi nomeado diretor do Laboratório Los Álamos em 1943. Alguns físicos judeus que emigraram para os Estados Unidos, também expressaram suas preocupações com a possibilidade dos alemães terem desenvolvido um programa para criar uma poderosa arma de destruição em massa. Eles citam Albert Einstein ("e = mc2"), outro refugiado judeu e cientista de renome mundial, para dar mais peso aos seus argumentos. Chegaram a escrever uma carta, conhecida como carta de Einstein-Szilard, que convenceu o presidente Roosevelt a criar um comitê de pesquisa em 1939 para investigar as possibilidades de produzir uma arma nuclear baseada na fissão de urânio.
Fora do universo
Um estranho amor nasce
União profana
Trindade reformada
A "trindade reformada" pode ser uma alusão ao codinome do local onde a primeira bomba atômica foi detonada, em 16 de julho de 1945, no deserto do Novo México: Trinity. Eventualmente, Roosevelt autorizou um "esforço total" a desenvolver uma bomba assim o mais rápido possível. De 1942 a 1945, os cientistas correram para serem os primeiros a elaborarem um dispositivo nuclear, o que fizeram em duas ocasiões ainda em 1945: em 6 de agosto, uma bomba de urânio (com o codinome "boy") foi jogado sobre Hiroshima e, em 9 de agosto, uma bomba de plutônio (batizada de "Fat Man") arrasou Nagasaki. A era nuclear, com sua ameaça de destruição total da humanidade, havia começado.
Pai Sagrado nós pecamos
A última frase da música parece uma alusão ao que disse Robert A. Lewis, co-piloto do bombardeiro B-26 que lançou a primeira bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima em 6 de agosto de 1945: "Meu Deus, o que nós fizemos!"
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O hit da Legião Urbana que foi mal interpretado como apologia ao fascismo
As duas músicas do Judas Priest que Rob Halford detesta: "Lixo, só clichês"
Os 3 artistas considerados "rock de tiozão" pelo baixista do Nirvana Krist Novoselic em 1992
O ajuste que Bruno Sutter sugere para a voz de Bruce Dickinson no Iron Maiden
O disco do Slayer que é uma "resposta" ao pop punk feito por Green Day e Offspring
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 2000 e 2020, segundo a Metal Hammer
Brian May diz que ele e Tony Iommi estão no novo álbum do Capitão Kirk
Metal Hammer e Classic Rock classificam álbuns do Iron Maiden do pior ao melhor
Angra celebra a força dos palcos em novo videoclipe de "Lisbon"
O motivo que Geddy Lee aponta para tanta gente simplesmente não gostar do Rush
Regis Tadeu explica por que o Slipknot deve agradecer de joelhos a Eloy Casagrande
Em 1986, leitores da Kerrang! escolhiam os melhores discos do ano
Tony Iommi recusou gravar último álbum com o Black Sabbath original
A música do Judas Priest que tem um dos solos "mais gloriosos" do metal, segundo Rob Halford

Canal crava a tier list definitiva do Iron Maiden e joga um disco no fundo do poço
As faixas que colocam "Fear of the Dark" entre os piores discos do Iron Maiden
Os 10 vídeos mais vistos do Iron Maiden no YouTube incluem show no Brasil
Youtuber se pergunta: "Por que tantos músicos brasileiros odeiam o Iron Maiden?"
Por que o Iron Maiden é a melhor banda de heavy metal do mundo, segundo Bruce Dickinson
A banda britânica que merecia o público devoto do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
A curiosa trajetória de Wagner "Antichrist" Lamounier um dos fundadores da lendária Sarcófago
AC/DC: os últimos dias do vocalista Bon Scott


