Rock Nacional: Artistas e bandas que estrearam com álbuns estranhos

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Por Jonathan Pires Fernandes
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Sabe aquele álbum da discografia de um artista ou de uma banda que é estranho? Aquele que não está em sintonia com os demais? Nesta lista, mostrarei alguns artistas e bandas que produziram um desses álbuns em suas respectivas estreias no mercado fonográfico. Segue em ordem cronológica.

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Roberto Carlos - Louco Por Você (1961)

Roberto Carlos é conhecido por ter sido o principal nome da Jovem Guarda nos anos 60, movimento que reuniu diversos artistas de pop/rock. Entretanto, o "rei" estreou com um álbum que não tem absolutamente nada de pop/rock. "Louco por você" tem o seu repertório composto por samba, bolero e bossa nova, gêneros que não se associam a quase nada do que Roberto produziria depois. O álbum foi um fracasso comercial e hoje chega a ser até desconsiderado na discografia. Apesar de ter sido remasterizado, é raro encontrá-lo nas lojas e um exemplar em vinil não custa menos que dois mil reais na internet. No disco seguinte, "Splish Splash" (1963), Roberto Carlos seguiria um caminho totalmente diferente em direção ao surf rock.

Raul Seixas - Raulzito e Seus Panteras (1968)

Antes de lançar o seu disco de estréia solo, "Krig-ha Bandolo" (1973), Raul Seixas já tinha tentado se aventurar no mercado fonográfico com a banda Os Panteras, lançando este álbum cujo repertório não se associa a quase nada do que Raul Seixas tenha feito depois. Mesmo o "estranho" álbum "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista" (1971) - gravado junto com Miriam Batucada, Edy Star e Sérgio Sampaio - já dava amostras de uma das principais características de Raul: a mistura de rock com ritmos nordestinos. Porém, o repertório dos Panteras era um pop-rock na linha do Everly Brothers, bem diferente de coisas como "Mosca na Sopa", "Gita", "Aluga-se" ou "Metamorfose Ambulante". A título de curiosidade, o álbum possui uma versão de "Lucy in the sky with diamonds" (Você ainda pode sonhar) que fez um relativo sucesso tardio entre os fãs.

Rita Lee - Build Up (1970)

A discografia de Rita Lee pode ser dividida em duas fases: a rockeira (1974-1979) e a pop/new wave (1980- atualmente). Porém, no meio dela, temos um disco bastante estranho lançado na época em que Rita Lee ainda fazia parte dos Mutantes: Build Up. De repertório totalmente irregular que misturava psicodelismo, pop frank-sinatriano e até tango, o disco soa mais como uma brincadeira de Rita Lee e do então marido Arnaldo Baptista, que assina junto com ela as composições. Paradoxalmente, a canção "José" fez um relativo sucesso, mas o destaque positivo fica por conta de "Eu vou me salvar". Rita Lee seguiria um caminho totalmente diferente a partir de "Atrás do Porto tem uma cidade", primeiro álbum verdadeiramente solo da cantora - já acompanhada da banda Tutty Frutty -, lembrando que "Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida" é na verdade um álbum dos Mutantes que só foi creditado à Rita Lee por conta de questões contratuais com a Polydor.

Inocentes - Miséria e Fome (1983)

Inocentes é uma banda pragmática de punk rock clássico. E, como tal, seus discos soam mais ou menos parecidos, à maneira de bandas como Ramones, X e Undertones. Porém, em sua discografia também há um "álbum estranho" de hardcore punk: vocais acelerados, músicas de 1 min e meio no máximo e letras que beiram o anarcopunk. E esse álbum é nada mais nada menos que o disco de estréia: "Miséria e Fome", lançado em 1983. A duração inteira dele não chega nem a 20 min, lembrando qualquer álbum do Suicidal Tendencies ou do Ratos de Porão. Destaque para "Morte Nuclear", "Não diga não" e a canção-título. Posteriormente, o Inocentes mudaria completamente a sua formação, restando apenas Clemente - que toca baixo em "Miséria e Fome" - da formação original. Em Pânico em SP (1987), o baixista assume os vocais e a banda envereda para o punk clássico, abandonando o hardcore.

Engenheiros do Hawaii - Longe Demais das Capitais (1986)

Quando o disco de estréia do Engenheiros foi lançado, as pessoas brincavam dizendo que a banda era Os Paralamas do Sucesso gaúcho. Afinal, nesse álbum, canções com influência pós-punk como "Nada a ver" e a canção-título são intercaladas por fraseados da reggae. Reza a lenda que o então baixista da banda, Marcelo Pitiz, era aficionado pelo gênero e que a sua saída explica a razão pela qual a banda parou de ser confundida com os Paralamas. Contudo, apesar de ser um álbum "estranho" na discografia, ele trouxe um dos maiores hits do Engenheiros: "Toda Forma de Poder". A partir do disco seguinte, "A Revolta dos Dândis" (1987), a banda de Gessinguer consagraria um estilo diferente do que é apresentado em "Longe Demais das Capitais".

Los Hermanos - Los Hermanos (1999)

O primeiro álbum do Los Hermanos é uma mistura inusitada de ska, hardcore melódico e Weezer, como podemos notar em canções como "Tenha dó", "Aline" e "Descoberta". E é justamente por essa razão que ele é "estranho" na discografia da banda de Marcelo Camelo que, posteriormente, enveredaria para uma mistura de rock com mpb. Todavia, o álbum de estréia contém hits como "Primavera", "Quem sabe" e "Anna Júlia", essa última o maior hit da banda que é renegada pelo próprio grupo que já se recusou a tocá-la ao vivo.




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