Raul Seixas: canções de protesto contra a ditadura militar
Por Elianeide da Silva Nascimento
Fonte: PIBIC-UNIR / GEEFIL
Postado em 06 de agosto de 2018
RAUL SEIXAS cultivou sua obra de forma criativa e enriquecedora. "Aos Trancos e Barrancos", criou seus "Super-Heróis", como "Dr. Paxeco". As letras e músicas se entrelaçam de experiências num momento em que a liberdade de expressão era cerceada. Como uma "Metamorfose Ambulante", criou versos e poemas aguardando "A Hora do Trem Passar". Sem "Medo da Chuva", "Porque" como militante da sua geração, sem abandonar seus ideais, vivenciou através das canções um presente bastante obscuro e autoritário mantendo através de metáforas um sonho louco de uma "Sociedade Alternativa".
Com a esperança e a ilusão de um mundo melhor, RAUL SEIXAS viajou pelo país entre 1964 e 1985. Os "Caminhos" filosóficos do compositor o mantém firme em suas convicções. Sua inquietação inovadora e debochada principia num rompimento de padrões e provoca reflexões dos valores da época, além de incorporar novas ideias e os anseios do musicista. O "Cowboy fora da lei" modifica os conceitos tradicionais e resgata uma força vital que se transforma numa contracultura, um Novo Aeon, mantendo a esperança do "Tente Outra Vez". RAUL SEIXAS revela uma ambiguidade pois não só ironiza ou critica mas expõe uma contemporaneidade com o monstro SIST (Sistema Capitalista) e enfatiza os problemas enfrentados no país pelo regime militar.
O modelo econômico do regime militar foi apontado como conquista, o que facilitou muito o controle da população através das campanhas publicitárias promovidas pela Assessoria Especial de Relações Púbicas do governo Médici para martelar slogans ufanistas: "Pra frente, Brasil"; "Ninguém mais segura este país"; "O futuro chegou".
Podemos notar a resistência de RAUL SEIXAS ao autoritarismo da ditadura e ao ufanismo conservador da época, pois o músico se mostrava contrário a tudo isto. Com uma afiada linguagem, contrariava as ideias de condicionamento impostas pelo período que se apresentava através da comunicação de massa e atingia uma camada numerosa da população brasileira disseminando as informações com o intuito de manter o conformismo.
Como se percebe, a resistência do músico não se mostrava apenas nas letras, mas na própria imagem que ele fazia de si mesmo e nas capas de seus LPs, além de ser um artista filósofo, ele utilizava sua música como veículo de comunicação de massa. Adicionada a isso, buscava basicamente transmitir nas suas canções uma mensagem figurada e mergulhada em críticas ao monstro SIST, ou seja, ao sistema capitalista.
Naquela época, a mobilização motivada pelas canções era considerado um ato de subversão. Por esse motivo, muitas músicas de RAUL SEIXAS foram vetadas pela censura e outras tiveram de ser alteradas, por ordens do CSC (Conselho Superior de Censura), que vigiava e controlava tudo o que poderia ser dito.
Num período onde em que não se podia contestar e muitos não se atreviam a encarar a censura, RAUL SEIXAS surge como um subversivo, mantendo uma postura debochada e expressando suas ideias. Diante da situação existente no país, isoladamente ou com suas parcerias, o maluco beleza conseguiu manter uma postura crítica e irônica nas suas canções.
RAUL SEIXAS procurava usar a cultura da mídia para resistir à opressão do Estado de exceção, divulgando como contraproposta o ideal do Novo Aeon.
É possível que RAUL SEIXAS, com seu grito de guerra, ainda hoje estremecesse os palcos e transformasse sua herança juvenil na expressão de um protesto.
Texto orientado pelo Prof. Dr. Vitor Cei
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