Rilvas: Cada pedacinho de Rock constrói uma fortaleza

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Por Marcos Hiyoga, Fonte: Fonte pessoal, Press-Release
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"O degrau de uma escada não foi construído para que alguém permaneça sobre ele, mas somente para sustentar o pé de um homem pelo tempo suficiente até que ele coloque o outro um pouco mais alto."

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O pensamento acima, do cientista Thomas Huxley, serve de analogia à evolução humana. Adequa-se também aos motivos pelos quais Fortaleza, capital do Ceará, está ajudando a deixar o nordeste mais "inrockado".

Cada reclamação de vizinho ao ouvir um som mais pesado tocar,
cada "caixa" de papelão que um baterista improvisou para ensaiar,
cada estereótipo injusto que ouvimos um religioso nos rotular,
cada roqueiro enfrentando dificuldades para um show poder pagar,
cada empreendedor que lutou para a distorção por aqui troar,
cada pedacinho de Rock que tem pelas bandas de cá,
pode fazer milagres, inclusive fazer o Ed Force One aqui pousar.

Já escrevi sobre música, cinema, política, sempre demonstrando minha sincera opinião acerca de várias perspectivas, mas sem nunca ter conhecido "de perto" personagens dos assuntos sobre os quais eu falara. Desta vez é diferente, pois escrevo sobre a trajetória em ascensão de um amigo músico. E, à medida que as palavras saíam, brotava em mim um sentimento composto de orgulho e admiração. Eis que lhes apresento com um enorme prazer o fonoaudiólogo, professor de canto e vocalista: Rildevar Silva, ou simplesmente Rilvas.

Escolher viver de música em Fortaleza é meio complicado; se o gênero musical for Rock, o caminho se torna mais árduo; Heavy Metal, gênero adotado por Rilvas, então... aí já é pesado demais. Na década de 90, o Metal por essas bandas ainda era muito estereotipado negativamente, fosse pelos adereços metálicos em consonância com o nosso tradicional manto preto ou pela cabeleira sobre uma cabeça de atitude contra o padrão.

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Em 1997, ter uma banda de Rock pesado era mais difícil do que reverter o fluxo da cachoeira, tarefa à qual Shiryu de Dragão foi submetido, no anime Cavaleiros do Zodíaco. Não havia estúdios de ensaio (o jeito era tocar em casa mesmo, sujeitos a levar pedrada de vizinhos na hora do "barulho"), local para shows era restrito ao nível máximo; tudo era muito precário, sobrevivíamos no improviso. Logo no ano em que Carla Perez e Scheila Carvalho rebolavam até o chão com a lendária música do "Ali Baba", cuja mistura do Brasil com Egito tinha que ter charme para dançar bonito; época na qual os HANSON e os BACKSTREET BOYS roubaram quase 90% da atenção de nossas garotas com seus hipnóticos passinhos milimetricamente coreografados e seus rostinhos angelicais (os outros 10% eram curtiam Rock'n'Roll e os odiavam). Mas foi durante esse ano que um de nossos guerreiros da cena roqueira local, Rilvas, desembainhou seu microfone para iniciar sua odisseia artística.

Sua primeira banda foi a DREAMATORY, que fazia um trabalho autoral na linha do Power Metal. Durante uma apresentação da banda, Rilvas despertou o interesse dos músicos da banda LOST VALLEY, Mario Gomes e Giovanni Sena, que convidaram-no para uma nova formação ao estilo Hard Rock. Gravaram o EP "Under The Holly Rain" (2000). Após algum tempo, a banda se diluiu e alguns membros, juntamente com Rilvas, formaram o Prog Metal da banda ALLIANCE. Além de registrarem em estúdio o single "Era Of Fire", compuseram outras músicas e realizaram shows inesquecíveis pelo Ceará e algumas cidades do nordeste. Suas atividades foram encerradas em 2010.

Desde o início de sua carreira, Rilvas demonstrou um talento imenso para música. Seu vocal, forte e ao mesmo tempo agudo, fez com que o número de adeptos em nossa cena crescesse ainda mais. No início, compreensivamente, cometia falhas, semitonando em algumas passagens e deixando um pouco a desejar nos graves. Porém, como um diamante bruto sendo lapidado, sua voz foi se transformando com o passar do tempo. Passou por um extenso laboratório musical, realizando tributos aos seus ídolos, cantando em inúmeras bandas-cover como: HELLOWEEN, IRON MAIDEN, THE OFFSPRING, SMASHING PUMPKINS, PEARL JAM, U2, entre outros. E, "a meu ouvir", todos esses mestres da voz deixaram um resquício de suas essências na construção do timbre do nosso cantor nordestino. Agregando essa "dádiva" aos estudos e a parcerias realizadas ao redor do globo, Rilvas tornou-se versátil, moldou sua voz com inteligência e hoje é visto como uma joia rara, e merece todo reconhecimento que vem recebendo. Não adianta eu tentar pôr somente em palavras minha percepção sobre sua capacidade vocálica, então selecionei alguns links. Fechem os olhos, arregalem seus ouvidos e espero que gostem.

Neste projeto, o grande músico Israelense, Avi Rosenfeld, convocou vocalistas de várias etnias para participar do álbum "Very Heepy Very Purple V", o qual foi resenhado mundialmente de forma positiva. Rilvas participou cantando "Babylon" (faixa 2). Para ouvi-lo, clique no link abaixo:

https://avirosenfeld.bandcamp.com/track/babylon

Rilvas possui uma tessitura precisa e canta na zona aguda confortavelmente. Sua sustentação mesclada ao controle da agressividade impressiona. Neste vídeo, Rilvas fez um dueto com a talentosíssima Graça Santtos, na música "No Pain For The Dead" (ANGRA). Clique abaixo para visualizar:

Rilvas pode ser considerado um cantor de alta performance, pois participa de gravações diárias, canta em tributos a várias bandas semanalmente, além de lecionar aulas de canto em uma escola de música. Nesta parceria, Rilvas "feats" Johan Holmström (guitarrista sueco) na música "Queen Of The Night" (ANGRA). Clique no link abaixo para assistir:

Mais um cover, agora da música "Heaven Tonight" (YNGWIE MALMSTEEN). Clique no link abaixo:

Com o vocalista sueco, Rob Lundgren, a versão de "Temple Of Hate" (ANGRA) se torna arrasadora. Clique abaixo.

"Quando avistei aquele rapaz franzino pela primeira vez sobre o palco, na Praia do Futuro, fiquei impressionado com sua voz. Imediatamente o convidei para integrar à LOST VALLEY, a partir dali, tornamo-nos grandes amigos. Houve um aprendizado mútuo, do qual tenho um grande orgulho." (Giovanni Sena, baixista da banda ARTEMIS).

Como amigo e companheiro de banda, posso-lhes assegurar que Rilvas é um ser humano incrível e um profissional surpreendente. Certa vez tocamos, com o tributo ao U2, a música "Like a Song", cujo tom na versão de estúdio é considerado alto para cantar. Só que na gravação original é um tom abaixo em relação ao que tocávamos naquela ocasião, então a maneira mais prática de tocá-la, para não perdermos tempo afinando todos os instrumentos, foi Rilvas subir o tom. Espetacular, elevou sua voz um tom acima e não houve oscilação alguma - transposição perfeita. Noutro momento do show, ele surpreendeu durante a música "Miss Sarayevo", cantando o trecho do PAVAROTI. Foi um momento emocionante. Toda a plateia ficou extasiada - inesquecível.

Hoje em dia, muitos artistas não passam de produtos fabricados visando agradar a um nicho de mercado, entretanto o suposto talento escorre pelo ralo durante a execução de suas vozes ao vivo, chegando muitas vezes a ser constrangedor para o fã, que está prestigiando-o. Músicas são compostas para serem consumidas por temporadas - o hit do carnaval passado já é quinquilharia. Os tempos mudaram. Saudades da Era de Ouro, em que tudo "era" de verdade. Época na qual Cauby Peixoto, um dos deuses da voz, ousou ao cantar "Rock'n'Roll em Copacabana", ajudando a popularizar o Rock pelo Brasil.

Quando assistimos a um programa como "The Voice", constatamos que temos músicos incríveis espalhados por nossa terrinha. Porém, infelizmente, não são os que vencem. Rilvas, deixo-lhe, afinado ao mais puro carinho e em sintonia com o "de coração", um recado: em nosso cenário musical, não há quatro jurados sentados em suas poltronas sedentos para transformá-lo em um produto efêmero; há, sim, uma arquibancada inteira aplaudindo-o de pé, agradecendo-lhe a Fortaleza do Rock que ajudou a construir.

"Keep rocking, man!"




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