Pink Floyd: Discografia comentada

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Por Tiago Meneses
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Durante toda a sua história, o PINK FLOYD fez por onde para se tornar uma das bandas mais amadas não somente do rock, mas da música em geral. Uma história dividida por fases onde muitas vezes dividem também os seus fãs. Mas no final das contas, os unem em algum ponto em comum, expondo algo que todos carregam dentro de si, a paixão pelo seu som.

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The Piper At The Gates Of Dawn (1967)

"The Piper At The Gates Of Dawn" é uma boa estreia, mas confesso que não o considero um dos melhores álbuns. Claro que existem momentos que merecem destaque, o começo do disco mesmo já é muito bom, "Astronomy Domine" mostra uma canção psicodélica típica do final dos anos 60 com toque pop e som baseado em guitarras e bateria simples, porem, bastante eficaz. Outros destaques são "Pow R Toc H", "Interestellar Overdrive" e "Bike". O que me faz deixar esse álbum nem sempre empolgante são músicas como "The Gnome", "Chapter 24" e "The Scarecrow" que formam uma sequência que não me diz muito. ASSEMBLE SUNBURST HEAD E OZRIC TENTACLES são dois exemplos de bandas de rock progressivo/psicodélico dessa geração que mais do que ter o Pink Floyd como influência, já beberam muito na fonte desse álbum.

Nota:8.5

A Saucerful Of Secrets (1968)

Em "A Saucerful Of Secrets" a banda segue basicamente a linha do seu antecessor, mas com um porem, apesar de possuir arranjos psicodélicos, tudo está mais diluído em favor da melodia. É um álbum bastante coeso onde não aplaudo de pé nenhuma faixa (talvez somente a faixa título) em compensação não acho nenhuma delas fraca, mas ainda assim, menciono "Let There be More Light", "Set The Controls For The Heart Of The Sun" e "Remember Day". O início da transição para o que a banda se transformaria no futuro estava começando.

Nota: 8.5

More (1969)

"Cirrus Minor" é uma grande abertura para o álbum, "More". O violão triste é contrabalançado pelos teclados etéreos. No geral é um disco que não me agrada muito, além de uma boa abertura como já disse, possui a faixa mais pesada já composta pela banda, "The Nile Song" que se não fosse os excessos em seus gritos na parte vocal poderia funcionar melhor. Também destaco Cymbaline que tem um ótimo sentimento space. Mas no geral são poucas coisas que merecem comentários nesse álbum.

Nota: 5

Ummagumma (1969)

"Ummagumma" considero complicado atribuir uma classificação, não sei exatamente definir o que acho dele. Mas no fim percebo que ainda consegue ser um bom disco, tem seus bons momentos. O disco de estúdio, que é um experimento no qual cada membro da banda fez sua própria composição, sem qualquer ajuda dos outros (incluindo letras e reprodução de todos os instrumentos) de alguma forma consegue provar o quanto eles precisavam um do outro, a fim de criar o som definitivo que seria o da banda. O disco ao vivo, por outro lado, é na maior parte algo de resultado positivo, impressionante em termos de qualidade de desempenho, porem, a qualidade de gravação deixa muito a desejar.

Nota: 6.5

Atom Heart Mother (1970)

"Atom Heart Mother" ou o disco da vaquinha eu acho excepcional. A música homônima ao disco já faz valer todo o álbum. De uma beleza impressionante, com uma orquestra incrível, leva o ouvinte a outro mundo. Dentro dos limites, claro, pode ser comparada a Stravinsky, e é totalmente lisérgica, não agride os ouvidos, e eleva quem a ouve. Mas claro, tem suas estranhezas, pois falamos de PINK FLOYD. "Fat Old Sun" além de um solo lindo e ser tratar de uma das queridinhas de DAVID GILMOUR, possui aquele que considero o seu melhor desempenho vocal de toda a carreira. "Summer '68" é ótima. "Alan's Psychedelic Breakfest" é outra faixa de beleza ímpar aliado a loucura floydiana.

Nota: 9

Meddle (1971)

"Meddle" foi uma transição musical bastante importante pro PINK FLOYD. Ao mesmo tempo que encontra-se a finesse instrumental do que havia sido feito em "Atom Heart Mother" no álbum anterior, também nota-se a beleza lírica e vocal que o grupo viria a fazer daqui pra frente. Sem contar que é o álbum que traz "Echoes", minha música não apenas preferida da banda, mas entre todas as músicas que conheço. Um daqueles discos que nunca me canso de ouvi-lo. Não questiono nenhuma nota, nenhum segundo de música que seja, nada está fora de ordem, tudo está perfeitamente encaixado. Uma reunião de peças musicais fundamentais, notáveis pra qualquer coleção de progressivo que se preze.

Nota: 10

Obscured By Clouds (1972)

"Obscured by Clouds" sem dúvida alguma é aquele que considero o álbum mais subestimado da discografia da banda. Conta com uma das mais belas canções (igualmente subestimada) do grupo tanto musicalmente quanto liricamente, "Wot's... Uh the Deal". Como um todo não contém canções tão experimentais. Não quero comparar a qualidade musical de "Obscured by Clouds" com a de "Dark Side of the Moon", mas sem dúvida aqui pode ser visto como um embrião por causar algumas sensações semelhantes em suas músicas além de possuir um brilho musical inquestionável. Destaques também pra "Stay", "Mudmen" e "Childhood's End" (provavelmente a melhor letra da carreira do DAVID GILMOUR).

Nota:8.5

Dark Side of the Moon (1973)

É sem dúvida um dos exemplos mais clássicos de química perfeita na mistura de vários elementos em um único disco. Musicalmente e liricamente hipnotizante "Dark Side of the Moon" não é apenas um álbum pra simplesmente ouvir enquanto bate um papo com amigo, fuça no computador ou usar de pano de fundo diante de situações que farão com que as atenções ao mesmo sejam divididas, mas sim, trata-se de uma obra que faixa a faixa faz com que pensemos sobre nossas vidas de um modo geral, acerca de situações como o as nossas dificuldades em fazer escolhas, escravidão do homem diante do tempo, o dinheiro e suas falsas felicidades e ilusões e a correria do mundo no seu dia a dia. Sem dúvida é um álbum que fez com que o popular abraçasse o experimental, colocou o Rock Progressivo onde ele jamais esteve, influenciou e influencia inúmeras bandas e marcou pra sempre a maneira de fazer música. Até hoje segue atemporal, seja pelo seu conceito o qual inclusive segue mais atual do que nunca, seja pela produção e ideias que estavam muito a frente do seu tempo.

Nota: 10

Wish You Were Here (1975)

Impressionante como uma banda após lançar sua obra que viria ser a mais bem sucedida não somente do grupo, mas que se tornaria um dos discos que mais colecionam recordes até hoje como é o caso do "Dark Side of the Moon", consiga ter feito em seguida algo tão genial quanto (ao meu ver até melhor). "Wish You Were Here" é um disco que considero sem dúvida uma das obras primas da história da música. Seus maiores destaques com certeza são "Shine On You Crazy Diamond" e "Wish You Were Here", essa segunda inclusive pulou os muros que cercam os fãs de Pink Floyd e entrou nas graças de amantes de música em geral. Mas de fato é um álbum de qualidade inquestionável do começo ao fim.

Nota: 10

Animals (1977)

Em "Animals" as letras tem uma inclinação vagamente política baseada no livro "Revolução dos Bichos" escrito por George Orwell em 1945. Representando em cada uma das três faixas (a primeira e a última são apenas pequenas pontes para que o álbum comece e termine) uma das classes da hierarquia política aqui criticada. "Dogs"(cães representando os tipos manipuladores), "Pigs" (em que porcos são os tipos gananciosos) e "Sheep" (ovelhas ou somente seguidores estúpidos), mas ovelhas essas que também atacam tanto os cães quanto os porcos. O considero a última obra prima da banda. "Animals" é o epitáfio de uma era, o desfecho do último capítulo sem brigas ou começo de individualismos que culminaram no seu fim. Sempre achei "Dogs" a faixa central desse álbum. Um épico com grandes solos de guitarra de DAVID GILMOUR, vocais incríveis tanto pelo próprio como por ROGER WATERS, letras inteligentes. Constantes mudanças de andamentos, mas também suaves, algo que os tornam diferentes de qualquer outra banda progressiva da época e talvez isso faça com que o Pink Floyd nem seja visto como uma banda genuinamente de prog rock. "Pigs", com uma veia até um pouco Hard, mas dentro de uma viagem floydiana, as letras são bastante agressivas e políticas. Ao longo da canção dá pra ouvir bastantes referências psicodélicas. Possui não apenas umas das mais belas entradas de solos de guitarra de David Gilmour, mas um dos mais belos e inspirados solos que ele fez em sua carreira. Em termos de letra, sem dúvida alguma, "Sheep" é a mais controversa, agressiva e até mesmo antirreligiosa do álbum. As massas são descritas como seguidores fracos sempre com medo de tudo e passam a vida sempre somente a comer para sobreviver a fim de ter a chance de envelhecer e mais nada. O baixo de WATERS nessa faixa é sensacional, WRIGHT é brilhante nos teclados. GILMOUR pra não passar despercebido nos presenteia com uma seção final de guitarra simplesmente esplêndida.

Nota: 10

The Wall (1979)

"The Wall" eu acho que é um grande disco, mas não é sempre que estou com paciência em ouvi-lo de forma completa como faço com outros álbuns da banda. Por conta do seu conceito, existem sim canções fortes, mas pra mim, carece de uma atmosfera profunda e/ou clima nostálgico encontrado em discos anteriores. Apesar de possuir ótimas faixas musicalmente falando como "In The Flesh?", "Hey You", "Comfortably Numb", "Run Like Hell, "The Thin Ice" que é tão esquecida, assim como "The Trial", faixa que possui um clima teatral bastante interessante, o legado mais importante é disparadamente o seu conceito complexo e inteligente. Gosto do álbum? Claro que sim. É um dos meus preferidos? Definitivamente não, mas mesmo assim vale uma nota alta por tudo que representa dentro da música.

Nota: 9.5

The Final Cut (1983)

"The Final Cut" ou seria o CD 3 do "The Wall" como já vi sendo citado algumas vezes? Sinceramente, pegando como base, "um momentâneo lapso de razão" criado pelo GILMOUR futuramente, esse álbum sofre de "momentâneos lapsos de boa criação". O pequeno solo da faixa título é lindo, assim como o de "The Fletcher Memorial Home". "Paranoid Eyes" tem um clima interessante apesar de não ser algo pra ouvir qualquer hora e "Not Now John" também é uma boa música, no mais, dispenso basicamente tudo do álbum. Já entrei no seu conceito pra ver se melhorava minha visão sobre ele, mas não me prendeu e não me fez gostar nem 1% a mais.

Nota: 5.5

A Momentary Lapse Of Reason (1987)

A banda sem Roger Waters obviamente que não é a mesma coisa, mas não tem como negar que ainda contem bastante de sua identidade senão liricamente falando, ao menos musicalmente. "A Momentary Lapse of Reason" não é um álbum que vou admirar como um todo, mas possui bons momentos e que me agradam mais que os de "The Final Cut". "Learning to Fly", por exemplo, pode ser visto como um clássico moderno, som atmosférico, excelente guitarra, coro feminino e percussão forte, um dos grandes momentos do álbum. "On the Turning Away" tem ótimos violões e vocais, teclados bem encaixados e o melhor solo de guitarra do disco. "Terminal Frost" é uma boa música instrumental, apesar de não ser brilhante, ganha força principalmente no solo jazzy de sax. E claro, outra grande música é Sorrow, mas sempre achei que é uma faixa que funciona infinitamente melhor ao vivo, mais ou menos o que sinto com Comfortably Numb.

Nota: 6

The Division Bell (1994)

Diferentemente do que aconteceu em seu álbum anterior que mais foi um trabalho de criação solo de DAVID GILMOUR, a banda aqui realmente regressa de forma tradicional (mesmo sem WATERS) mostrando que pode sim lançar algo digno sem aquele que foi por anos uma das suas principais peças. Acho "Division Bell" infinitamente superior a "A Momentary Lapse of Reason". "High Hopes" é uma das melhores músicas que o PINK FLOYD já fez, "Lost For Words" tem um trabalho acústico lindo que culmina em um belo solo de violão, "A Great Day For Freedom" é belíssima, "Marooned" é uma aula de feeling, faixa instrumental simplesmente hipnotizante, "Poles Apart" também possui um ótimo trabalho acústico. Um disco bastante homogêneo no seu geral.

Nota: 8

Endless River (2014)

"Endless River" é uma reflexão tardia, após uma carreira brilhante. Não é nenhuma obra prima, mas possui o seu valor, nunca é demais ouvir "novas" notas executadas por um dos maiores mestres da melodia que a música já teve, caso de DAVID GILMOUR. Não precisa sempre fazer um gol de placa, apenas não dar bola fora, e foi isso que ocorreu aqui.

Nota: 5




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Sobre Tiago Meneses

Um amante do rock em todas as suas vertentes, mas que desde que conheceu o disco Selling England by the Pound do Genesis, teve no gênero progressivo uma paixão diferente.

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