Deep Purple: Flertando com o rock progressivo em seus primórdios
Por Tarcisio Lucas Hernandes Pereira
Postado em 23 de novembro de 2015
O Deep Purple, juntamente com o Led Zeppelin e o Black Sabbath, é comumente apontado como um dos grandes responsáveis pela criação daquilo que viria a ser o heavy Metal.
Aliando uma pegada blues acrescida de distorções, mais as influências clássicas de seus integrantes – em especial do guitarrista Ritchie Blackmore e do tecladista John Lord – a banda teceu, e continua tecendo, uma vez que tem lançado bons trabalhos, uma discografia bastante respeitável, repleta de clássicos e momentos marcantes.
No entanto, o que nem todos sabem é que em seu início, mais especificamente em seus três primeiros álbuns, a banda apresentava uma sonoridade bastante diferente do som que a consagrou, tendo muitos elementos do que seria conhecido como rock progressivo.
Tendo nos vocais o musico Rod Evans, o Deep Purple mostrou a cara ao mundo lançando, em dois anos, 1968 e 1969, nada menos que 3 discos, fato praticamente impensável nos dias atuais.
E é justamente sobre esses 3 primeiros discos que nossa matéria irá tratar.
Shades of Deep Purple
O primeiro disco da banda foi lançado no segundo semestre de 68, e mostra uma forte influência do rock psicodélico que era febre na época, mas apresentado de uma forma mais trabalhada musicalmente, o que levava a estética da banda para sonoridades que se tornariam, poucos anos depois, características marcantes do rock progressivo inglês. Podemos dizer, sem sombra de duvida, que o Deep Purple foi um dos grandes precursores do progressivo.
Trazendo em sua formação Rod Evans nos vocais, Ritchie Blackmore nas guitarras, Nick Semper no baixo, John Lord nos teclados e hammond, e Ian Paice na Bateria, o álbum tinha como destaque a música "Hush", na verdade regravação de uma composição de Joe South. A música faz parte do repertório ao vivo da banda até os dias atuais.
Entre outros covers, o álbum apresentava uma versão de 'Help' dos Beatles, 'Hey Joe', que muitos pensam ser de Jimi Hendrix, mas na verdade é do musico Billy Roberts. Ainda há uma versão de 'I’m so glad', de Skip James, e citações de Rimsky Korsakovy em 'Prelude: Happiness'.
Eis aqui o track list original:
1 "And the Address"
2 "Hush"
3 "One More Rainy Day"
4 a) "Prelude: Happiness" b) "I'm So Glad"
5 "Mandrake Root"
6 "Help!"
7 "Love Help Me"
8 "Hey Joe"
The Book of Taliesyn
Menos de 4 meses depois de lançar o primeiro disco, a banda coloca no mercado "The Book of Taliesyn", que mantem todas as características do primeiro álbum, fato que não causa grande estranheza devido à proximidade das datas de lançamento dos dois discos.
A banda manteve a mesma formação do primeiro lançamento. Se alguma diferença estilística pode ser apontada, talvez seja que "The Book of Taliesyn" possui maiores influências de música clássica, especialmente nas partes executadas por John Lord.
3 covers constam no álbum: 'We Can Work it Out', dos Beatles; 'Kentuck Woman', de Neil Diamond; e a espetacular 'River Deep-Mountain High', de Phil Spector, Jeff Barry e Ellie Greenwich.
Na música 'Exposition', existem citações de Beethoven.
E na introdução de 'River Deep - Mountain High', a banda executa uma parte de uma composição de Strauss, 'Assim Falou Zaratustra', que pouco depois se tornaria mundialmente conhecida por fazer parte da trilha sonora do filme '2001 – Uma odisseia no Espaço' (a versão do filme é a partitura original de Strauss, sem relação com o arranjo do Deep Purple).
Track List:
1 "Listen, Learn, Read On"
2 "Wring That Neck
3 "Kentucky Woman"
4 a) "Exposition"
4 b) "We Can Work It Out"
5 "Shield"
6 "Anthem"
7 "River Deep - Mountain High"
Trata-se de um disco muito bom, capaz de agradar a todos os apreciadores do rock progressivo da época.
Deep Purple
Lançado no segundo semestre de 1969, o auto- intitulado terceiro álbum do conjunto, ainda que mantivesse a formação intacta, apresentava grandes diferenças sonoras em relação aos discos anteriores.
Ainda que elementos de rock progressivo existam, as músicas presentes no álbum já começam a caminhar para um formato mais próximo daquele que consagraria a banda.
A tensão que a banda passava na época, que culminou com a saída do vocalista Rod Evans e do baixista Nick Semper, parece transbordar de algumas faixas. Apesar desse aspecto, ou justamente por conta dele, trata-se de um disco bastante forte e peculiar, com excelentes composições.
O único cover presente no álbum é 'Lalena', versão de uma música de Donovan Leitch.
Track list:
1 "Chasing Shadows"
2 "Blind"
3 "Lalena"
4 a) "Fault Line" b) "The Painter"
5 "Why Didn't Rosemary?"
6 "Bird Has Flown"
7 "April"
Esses três discos juntos representam a primeira fase da banda, e apostava em uma sonoridade que foi sendo deixada de lado em detrimento de uma estética mais pesada, bluesística.
No entanto, o valor das obras é inegável, e é perfeitamente possível perceber nessa trilogia toda a genialidade que marcaria o som do conjunto.
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