Marilyn Manson: isso é o que acontecia na tour de 1996

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Por Narcissus Narcosis, Fonte: Metal Hammer, Tradução
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Em 1994 MARILYN MANSON lançou o seu EP "Smells Like Children" e registrou um improvável hit com um cover de "Sweet Dreams". Um ano mais tarde ele seria a figura odiada favorita dos Estados Unidos.

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Bem vindo à Igreja do Novo Apocalipse. É o final de 1996 e o mundo está no inferno. Pelo menos se você está na América, assistindo a banda mais quente do ano detonando a merda toda em Detroit.

Mas nem tudo está bem na casa de MANSON hoje à noite. A banda MARILYN MANSON pode ter vindo para nos livrar de uma onda eterna de wannabes sem graça do NIRVANA, mas mesmo discípulos do caos podem ser vítimas de uma temida gripe.

Trinta segundos da furiosa "Irresponsible Hate Anthem" e um MARILYN MANSON de aparência febril balança para a frente doentiamente, agarrando o pedestal do microfone. Sempre cauteloso em partilhar do mesmo palco com MANSON, a cara do guitarrista ZIM ZUM transforma-se de um olhar de apreensão nervosa à uma máscara de incredulidade quando ele vê o vocalista ranger os dentes e atirar-se ao chão como um anjo detestável anunciando o fim do mundo. Assustador!

No meio dessa frenética teatralidade gótica, as luzes se apagam e roadies montam um púlpito. As luzes, então, acendem-se novamente e a banda está usando capacetes de aço, enquanto que agora o cenário está decorado com bandeiras negras, brancas e vermelhas - que lembram o símbolo internacional de perigo de choque. MANSON surge como um general dizendo: "Veja a nós! Seja nós! Nos adore! Foda-se!" Mais assustador ainda!

"O conceito por trás do show é muito simples", diz decididamente um indisposto MARILYN MANSON, deitado sobre a cama do seu quarto de hotel à noite. "Quando eu falo, as pessoas ouvem. Isso me dá um certo poder sobre elas. Eu rapidamente percebi que ser um astro do rock concede-me o mesmo poder sobre as pessoas que eu teria se fosse o presidente. Você está empoderado pela atenção. Você volta aos tempos antigos dos romanos e de César. As pessoas te dão o poder, mas é o que você faz com ele que importa."

O segundo álbum de MARILYN MANSON, "Antichrist Superstar", é um álbum conceitual e seguiu os passos do hit "Sweet Dreams" (do intermediário EP "Smells Like Children"). Ele conta a história do verme "Wormboy", que exorciza os seus demônios pessoais para se tornar o novo "Antichrist Superstar".

"A história não é sobre crescimento. É sobre 'tornar-se' e não ser capaz de lidar com nada disso. Acima de tudo, é sobre equilíbrio entre força pessoal e autocontrole. É autobiográfico, mas também um trabalho em andamento. Eu ainda não sei como essa história vai acabar."

O final pode ainda não ter sido escrito, mas o nascimento de "Antichrist Superstar" teve lugar há muito tempo na jovem mente do insatisfeito e irritado Brian Warner. A partir do momento que ele pisou no S&M Underground, da Flórida, Warner desapareceu para sempre e deixou a estrela ascendente de MARILYN MANSON em pleno controle do seu destino. Conectar-se com TRENT REZNOR, chefão do NINE INCH NAILS, provou ser o ingrediente explosivo final do conto.

"Eu conheci TRENT em 1990, logo que eu formei a banda. Foi antes de sair "Broken", do NINE INCH NAILS, então ele ainda não era grande. Depois que ele ganhou fama e fundou a Nothing Records, ele nos procurou para sermos a sua primeira banda."

"Não somos uma progênie do NINE INCH NAILS. Eu sempre tive uma visão de para onde levar a banda. TRENT apareceu e fez isso acontecer mais rapidamente. TRENT também é um grande produtor e ele já foi exposto à atenção da mídia, que era exatamente onde eu queria estar."

Após da aclamação da crítica em cima do lançamento de "Portrait of an American Family", produzido por TRENT, sérios problemas na turnê levaram a banda ao atrito interno e no tempo em que "Antichrist Superstar" tinha sido concluído na casa de TRENT, o baterista SARA LEE LUCAS e o guitarrista de longa data DAISY BERKOWITZ foram substituídos por GINGER FISH e o sósia de Winona Ryder ZIM ZUM (o line-up é completado por MADONNA WAYNE GACY e TWIGGY RAMIREZ).

"Na verdade, o álbum foi muito fácil de ser escrito", sibila o réptil frontman. "As letras vieram de sonhos que eu estava tendo. TWIGGY e eu estávamos compartilhando as mesma frequências, ele as coincidiria com as minhas letras musicalmente."

"Enquanto gravávamos o álbum em New Orleans, passamos um longo tempo experimentando alguns extremos naturais e sobrenaturais: magia negra, drogas, computadores, e limites de experiências de dor desempenharam os seus papéis. Eu considero o álbum um ritual para trazer o apocalipse. Cada vez que uma pessoa toca o disco, ela dá um passo para mais longe de Deus e um passo mais próximo de se tornar um indivíduo. Aos olhos do cristianismo, uma nação de indivíduos é o apocalipse, porque eles não terão mais controle moral."

Na estrada, MANSON é conhecido por atacar os integrantes de sua banda. Nos últimos meses tanto o baterista GINGER FISH quanto o tecladista MADONNA WAYNE GACY foram internados em enfermarias de vítimas locais.

"Eu trabalho tão pesado que espero que as coisas fiquem perfeitas", diz o vocalista. "Quando as coisas saem errado eu fico puto e jogo a minha frustração para cima das pessoas culpadas pelo erro. "Se você faz merda no palco, você será punido. É a única maneira que as pessoas têm para aprender. Minha banda e minha equipe vivem com medo da minha ira", ele ri. "Ninguém gosta de me irritar. Eu faço das pessoas que me irritam exemplos."

Apesar de toda a sua linguagem bombástica no palco, seria um erro acreditar que esse aluno evadido da faculdade e ex-entregador de pizza é capaz apenas de cuspir retórica. Apesar de suas demonstrações exteriores de caos evidente, cada pergunta é respondida de forma cuidadosamente considerada e produto de uma mente bastante ordenada. Há um método definitivo para a loucura desse homem que o torna ainda mais perigoso para todos que o cercam. E, como recipiente de uma escola estritamente episcopal, MANSON odeia bastante a religião organizada.

"Há um falso senso de esperança e de que tudo ficará bem na América. Mas o mundo precisa acabar e nós precisamos de um renascimento. Eu não estou falando sobre uma destruição física da vida ou da propriedade, mas um renascimento mental e espiritual. É tudo tão banal hoje que eu ainda me surpreendo que as pessoas são capazes de se entreterem com alguma coisa", diz ele desdenhosamente.

"O cristianismo é a raiz de toda a fraqueza da América. Você cresce se sentindo culpado por ser uma pessoa, pois tudo o que é natural para todo o ser humano, como a luxúra, ganância ou o sexo é considerado pecado. Você está sempre controlado. Eu aprendi a transcender essas coisas. Eu aprendi a viver, e isso me faz mais feliz."

Para alguém que é "feliz", ele não soa tão alegre no final do seu álbum autobiográfico. A penúltima faixa, "The Reflecting God", é sobre suicídio e uma precursora arrepiante para "Man That You Fear", um conto sombrio e vazio, desprovido até de qualquer vislumbre de esperança.

"'The Reflecting God' é acerca de chegar a um acordo sobre o seu papel no mundo", ele contrapõe, sem perder o ritmo "Destruir o mundo é tão fácil como se matar. Se você está morto, então o mundo não existe mais. Eu estava explorando um ponto particular de pensamento."

"'Antichrist Superstar' como entidade é bastante niilista, mas acho que representa um elemento de misantropia que está dentro de todos nós - o desgosto pela humanidade. Mas, como álbum, niilismo e destruição em 'Antichrist Superstar' são apenas dois fatores num mundo mais complexo."

Sem qualquer sinal de sorriso irônico, MANSON lança o olhar para um papelote de entorpecentes - da MTV Americana -, inclina a cabeça para o lado e pergunta: "Você sabe porque eles me odeiam tanto? Eles me chamam de viciado e satanista. Até de pedófilo eles já me acusaram. Mas eu sou muito, muito pior do que qualquer um destes. Eu sou tudo o que eles temem. Tudo o que eles odeiam, tudo o que tentam esconder, e muito além. Eu falo a minha mente e mostro às pessoas o que está lá fora, na realidade. Eles estão me usando como bicho-papão, mas eu estou refletindo tudo de volta como um espelho."

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Sobre Narcissus Narcosis

Narcissus Narcosis é fã de Marilyn Manson desde o final dos anos 90 e tirou o seu nome de uma música do cantor. Além do roqueiro, também é apreciador de literatura, cinema, filosofia, psicologia, teatro, shows, etc.

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