Roger Waters: o Rock, a Sociedade e a Causa Palestina
Por Adriano Carlos Tardoque
Fonte: Blog Sonoro Panegírico
Postado em 29 de novembro de 2012
Ouvindo Pink Floyd eu não tive somente música para agradar aos ouvidos. Cada álbum que lançava, trouxe envolvido em peculiar engenharia musical, o retrato do período em que fora concebido, compondo um mosaico de existencialismo, crítica social e grito de manifesto. Tal estrutura, em grande parte, se deu pela atormentada e genial alma de Roger Waters, ex-líder, baixista e compositor da banda.
Afastado dos demais membros do grupo, partiu para a produção de discos solo, com as mesmas angústias que permeavam o mundo, desde o final dos anos 60 ao começo dos anos 80. Em 21 de julho de 1990, fez um monumental show em Berlin, na comemoração da queda do muro que dividiu como uma lâmina, o bom senso e a condição humana. Numa fusão de teatro, coral, orquestra e banda militar, somando a presença de diversos músicos de sucesso, realizou uma versão ao vivo do álbum The Wall (1979 - que ganhara incrível estética no cinema com o genial filme hononimo de Alan Parker, em 1982 - com roteiro do próprio Waters), considerado até hoje um dos marcos da história do rock e um dos maiores shows de todos os tempos.
3 de abril de 2012, estádio do Morumbi, São Paulo. Roger Waters já havia se apresentado dois dias antes, causando grande impressão para os fãs. No público, como é habitual, as gerações se alternavam nos espaços com sua ansiedade pulsante. Um grande aparato tecnológico, reproduz imagens antigas e contemporâneas, intercaladas com psicodelia, palavras de ordem, cenas do filme e em um muro que aos poucos vai sendo construído para, na apoteose do espetáculo, vir abaixo! Um porco inflável voador, um avião descontrolado que cai no palco e explosões pirotécnicas adornam as canções e completam o grande delírio coletivo. As execuções de "Mother", "Googbye Blue Sky", "Young Lust", e "Bring the boys back home" beiraram o inacreditável!
O mundo ainda tem muros insanos, como o que divide os povos de Israel e Palestina. Waters adotou a militância da causa dos palestinos (subjugados violentamente em suas terras) declarando a criação de um Fórum Social Mundial Palestina Livre, que ocorrerá no Brasil com sua presença (texto que está na íntegra no link http://www.icarabe.org/noticias/roger-waters-anuncia-forum-social-palestina-livre). O rock, acusado de envelhecimento, pode ser considerado na verdade, um "velho" maduro e sábio. Melhor do que ninguém, soube e sabe olhar para a sociedade, dar-lhe a mão ou as costas, cantar para ela e gritar em sua direção. Em sua obra, Roger Waters fez com que eu entendesse que posso ser mais do que um tijolo no muro.
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