Guns N' Roses: O Grande Assalto à MTV - Parte III

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Site do LoKaos Rock Show
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PETER BARON: O primeiro vídeo do Guns N’ Roses que eu coordenei foi ‘Patience’. Alan Niven meio que co-dirigiu aqueles primeiros vídeos com Nigel Dick. Nós filmamos a parte conceitual no Ambassador Hotel e a performance em Hollywood. Claro que Axl se atrasou umas sete horas. E Izzy estava chapado. Havia cocaína escorrendo de seu nariz, mas ele não percebia porque o rosto dele estava dormente.

NIGEL DICK: No geral o que eu mais me lembro daquele vídeo é uma caçambada de mulheres e cocaína.

ALAN NIVEN: Izzy, que estava afundado num vício em cocaína que estava detruindo-o, sentou num canto escuro enquanto gravávamos. Quando olhamos pras imagens, Nigel e eu concordamos em minimizar Izzy no vídeo, porque ele parecia zoado demais. Ele se limpou pouco depois, mas aquele vídeo representa a nadir do vício de Izzy em cocaína. Houve outros momentos em que Slash estava muito intoxicado, e momentos em que Steven estava muito intoxicado. Esses eram os três que tinham os maiores problemas com o excesso.

STEVEN ADLER: Eu estava sentado lá enrolando baseados. Era essa a minha função no clipe: acender incensos e enrolar baseados. Quanto a Izzy, se você olhar na capa da Rolling Stone quando aparecemos nela em 1988, ele está sentado no chão, e se você olhar pros pulsos dele, você consegue ver marcas de agulha. Ele estava usando drogas havia mais tempo do que qualquer um na banda, e daí ele saiu da banda porque ele se limpou e não podia ficar naquele meio.

JOHN CANNELLI: Certa noite, eu estava com Slash e sua namorada no quarto de hotel deles. Era tarde, tínhamos bebido, e ela perguntou se eu queria terminar a noite com eles. Eu tenho certeza que ela queria dizer algo além de dormir no sofá. Agora, até onde eu saiba, ela só estava falando por ela. Não há motivo para achar que Slash estava na parada. Mas eu disse, “Pô, muito obrigado, mas eu acho que preciso ir agora.”

DOUG GOLDSTEIN: Quando você está lidando com dois viciados em heroína, um viciado em cocaína, e um vocalista bipolar, todo dia é um desastre. Bem, três viciados em heroína, na verdade: Izzy também. Mas Izzy se limpou no meio da turnê de Appetite. A reabilitação não estava funcionando pros outros caras, então eu decidi sentar em um quarto de hotel por duas semanas com Steven e dar soníferos para ele, e limpar o vômito e a merda dele. Nós fomos pro Orange Tree Resort no Arizona, e Steven está bem, ele já está faz quatro dias sem bagulho e dormindo até as 4 da tarde por causa das pílulas. Eu decido ir jogar golfe, e quando eu volto pro hotel, há duas ambulâncias, dois caminhões de bombeiro, umas quinze viaturas da polícia, e trezentas pessoas num círculo. Slash está lá, pelado. E sangrando. Ele tinha chegado à noite, para trazer heroína pra Steven, eu acho. Eu disse pro meu segurança, “Earl, vai pro meu quarto e pega minha maleta.” Eu costumava carregar entre 30 e 50 mil dólares o tempo todo, apenas pra situações como essa.

Daí eu digo, “Alguém viu algo aqui?” e um cara diz, “Sim eu vi”. Então eu dou um role com ele e ele diz, “eu o vi jogar uma camareira no chão.” E eu tô pensando, OK, isso não é bom. Eu digo, “Eu vi que você tem um pouco de sangue na sua camisa. O que é isso, uma camisa feita por encomenda, de 2 mil dólares?” E ele diz, “Não, não.” Eu disse, “Confiem em mim, eu entendo de roupas. Essa é uma camisa de 2 mil dólares. “Eu trago 2 mil e dou pra ele. “Você acha que tá tudo bem com você?” E ele dizia, “Sim”.

Os policiais estão putos porque eles podem ver que estou subornando as pessoas. Eu peguei o gerente do hotel e disse, “Dê mil dólares e um pedido de desculpas para a camareira, por favor. E quanto aos danos do hotel?” Ele diz, “eu acho que estão em torno de 700 paus.” Eu disse, “Então pega aqui mais 2 mil pra arrumar isso. Você tá com vontade de dar queixa?” Ele, “Não.”

Durante todo esse tempo, Steven está na sua sacada, gritando pra Slash: “Seu nóia burro!” Nós pulamos no carro tão depressa quanto possível e sumimos. Custou uns 10 mil, mas nós os mantivemos fora da cadeia.

TOM PETTY: Eu toquei no VMA com Axl e Izzy Stradlin do Guns N’ Roses – nós tocamos ‘Free Fallin’ e ‘Heartbreak Hotel’; Eu achei que foi uma apresentação meia-boca. Nós não pudemos ensaiar muito, porque a Cher estava tinha uma produção enorme e não havia muito tempo pra nós.

Quando terminamos “Heartbreak Hotel” e saímos do palco, Vince Neil do Mötley Crüe veio correndo e mandou uma bomba em Izzy, deu em cheio na cara dele. Nosso técnico de som, Jim Lenahan, estava saindo palco conosco, e Lenahan ficou naquelas, “Eu nem conheço esse tal de Izzy, mas ele está com a gente,” então ele mandou a mão na cara de Vince Neil. Izzy vivia com o olho roxo naquela época. Eu acho que ele já estava com o olho roxo antes de Vince bater nele.

SEBASTIAN BACH: Eu estava do lado do palco quando Vince esmurrou Izzy. A pulseira de ouro de Vince voou quando ele bateu em Izzy. Era um baita dum bitelo de ouro. Vince estava grunhindo e bufando, e eu dizendo, “Cara, eu to com a sua pulseira.” E ele dizia, “Fica pra você, cara.” Naquele tempo, se alguém falasse merda da sua banda, você tinha obrigação de socar ele. Era considerado totalmente aceitável.

ALAN NIVEN: Izzy e eu estávamos saindo do palco quando Vince saiu do meio das sombras e mandou na cara de Izzy, no que eu empurrei Vince pro chão e coloquei a minha mão esquerda na garganta dele. Eu armei meu braço direito para enterrar no nariz dele, e tive um momento de lucidez quando olhei pra rinoplastia dele e disse, “Isso fica caro demais,” e deixei ele se levantar. Daí Axl ficou correndo pelo prédio inteiro tentando achar alguém do Mötley e continuar o diálogo. Foi bem na hora certa que Nikki pulou numa limusine e sumiu no mundo.

RIKI RACHTMAN: Vamos colocar dessa maneira, se você dissesse “Riki Rachtman”, você pensava no Guns N’ Roses. Se você dissesse “Adam Curry”, você pensava em Bon Jovi. Você não imaginaria Adam acordando na sarjeta, mas você sabia que eu fazia algo assim. Você não concebia Adam sendo preso, mas a mim sim. Eu estava vivendo o estilo de vida rock n’ roll sem jamais ter aprendido um instrumento. Eu abri uma casa chamada de Cathouse em setembro de 1986, a uma ou duas milhas da Sunset Strip em Los Angeles. Eu odeio dizer isso, porque é como me gabar, mas foi a casa de rock mais importante daquela era. Todo mundo tocou lá: Guns N’ Roses Faster Pussycat, Black Crowes, Pearl Jam, Alice In Chains. Eu não assistia ao Headbangers Ball, porque as chances de eu estar em casa numa noite de sábado era nulas. Aos sábados, a gente enchia a cara.

Eu estava com o Guns N’ Roses quando eles assinaram o contrato deles, até eles gravarem ‘Appetite For Destruction’, quando do nada eles viraram a maior banda de rock do mundo. Nós víamos Adam Curry e não fazia sentido ele estar apresentando o Headbangers Ball. Então Axl disse, “Você quer ser VJ na MTV? Eu vou fazer uma ligação.” Eu entrei no meu teste com Axl. Eu teria conseguido o emprego sem ele? Duvido. Eu não tinha experiência com TV – eu tinha experiência com tomar cachaça, só isso que eu tinha. Eu comecei a apresentar o programa em Janeiro de 1990 – eu estava usando uma camiseta do Motorhead e uma jaqueta de couro com rebites em círculo ao redor do logo dos The Germs, porque eu queria manter minhas raízes punk. Eu não me sinto à vontade ao dizer isso, mas aquele programa me deixou meio famoso.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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