Guns N' Roses: O Grande Assalto à MTV - Parte I

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Por Nacho Belgrande, Fonte: site do LoKaos Rock Show
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I Want My MTV: The Uncensored Story of the Music Video Revolution – livro de Craig Marks e Rob Tannenbaum coleta entrevistas com mais de 400 pessoas-chave da era de ouro da MTV. No trecho a seguir, Steven Adler, Sebastian Bach, Nigel Dick, Doug Goldstein, Dave Grohl, Courtney Love, Alan Niven, Tom Petty, Riki Rachtman e outros jogam toda a lama em cima do Guns N’ Roses e sua ascensão meteórica durante o fim dos anos 80…

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Ninguém era mais vira-lata do que o Guns N’ Roses, cinco molambos de Los Angeles cuja noção cáustica de hard rock tinha pouco a ver com o Poison e Bon Jovi. Assim como com o rap, a MTV tinha medo da banda. A rede só cedeu sob pressão de David Geffen, um dos titãs da indústria fonográfica, e ironicamente o Guns ficou tão proeminente na MTV – em sua autobiografia, Slash chamou a MTV de ‘Um canal que nos ajudou, mas pro qual não ligávamos’ – que a rede contratou um novo VJ em maior parte porque ele foi recomendado pela banda.

JOHN CANNELLI: Eu estava andando pelo Central Park em minha bicicleta de 10 marchas e coloquei a fita do Guns N’ Roses no meu walkman. Quando ouvi ‘Welcome to the Jungle’, eu quase cai da bicicleta.

SAM KAISER; Eu tinha dois braços direitos no departamento. Um era Rick Krim e o outro era John Canelli. John tinha talvez os melhores olhos e ouvidos ali. Ele era educado e seco, mas tinha um tino para achar valores. Quando ele falava, você ouvia. Ele nos trouxe um vídeo do Guns N’ Roses, “Welcome to the Jungle”, e eu caí da cadeira.

TABITHA SOREN: O novo departamento era a área menos importante no esquema do canal. A MTV estava acabando de descobrir o Guns N’ Roses e eles trocaram acesso exclusivo por uma entrevista com a banda no CBGB. Ninguém queria ir, então eles me mandaram, com um uma equipe, e Axl disse, “Você tem idade pra estar aqui?” Era tão empolgante. Daí eu fui pro dormitório da faculdade e fui dormir.

NIGEL DICK: Eu era conhecido somente como um cara do pop. Mas eu era um grande fã de Led Zeppelin, Rory Gallagher, Bad Company e Free, então conseguir um vídeo direto do Great White quando Alan Niven, o empresário deles disse, “Eu tenho essa banda nova chamada Guns N’ Roses. Eles são muito difíceis, eles não querem trabalhar com ninguém, ninguém quer trabalhar com eles. Você faria o vídeo deles?” Eu passei. Uma semana depois, Alan disse, “Olha, eu não consigo achar ninguém pra fazer isso. Você tem que me fazer um favor”.Então eu pensei, que se foda, eu vou fazer um extra. Eu filmei o segundo vídeo do Great White, tipo, numa quinta e numa sexta, e gravei ‘Welcome to the Jungle’ num sábado e domingo. Eu honestamente preferia a música do Great White.

STEVEN ADLER: Guns N’ Roses, na época, ninguém queria ter nada a ver com a gente. Eles tinham medo que um de nós morresse, ou matasse alguém. Até gravar ‘Appetite For Destruction’, nós tivemos dez produtores diferentes que disseram, “De jeito nenhum, eu já ouvi falar desses caras”. E claro, todos eles se arrependeram.

ALAN NIVEN: O orçamento que a Geffen podia dar para “Jungle” era insuficiente para que reproduzíssemos o story board que queríamos, então nós nos esgueiramos nas gravações de um clipe do Great White e ganhamos quatro dias de aluguel de equipamento e pessoal.

NIGEL DICK: O vídeo de “Welcome to The Jungle” foi ideia de Alan Niven. Ele me disse, “Axl irá sair de um ônibus, e daí ele fica numa cadeira, assistindo TV, e tá rolando essas imagens horríveis na TV.” A parte mais difícil de um vídeo do Guns N’ Roses era esperar que Axl aparecesse. Ele sempre estava atrasado. Ele tinha que estar na vibe certa, e você não podia forçar a barra. Você sempre estava preocupado que ele desse um chilique e fosse embora. Depois que fizemos o close ele num palco, ele se escondeu no camarim por duas horas. Ele não agüentava as placas e luzes. Do nada, ao invés de um bando de gostosas aos pés dele enquanto ele cantava, estava uma renca de gente adulta com fotômetros. Ele se apavorou.

DOUG GOLDENSTEIN: Nigel era bem quieto e maneirado. Se Axl estivesse atrasado duas horas, Nigel dizia, “Bem, ele vai chegar quando ele chegar”.

ALAN NIVEN: Tudo que presta num clipe é roubado de algum lugar, então eu roubei tudo de alguns velhos filmes legais. O personagem de Axl é uma homenagem a Jon Voight em ‘Perdidos na Noite’, que vem à cidade que é um panelão de sonhos falsos. Isso se desenrola lindamente para a cena de ‘O Homem Que Caiu na Terra’ onde David Bowie está em um motel no deserto com uma pilha de TVs, tentando absorver informação sobre o planeta no qual ele aterrissou. E daí tem a cena de ‘Laranja Mecânica’, onde eles são forçados a assistir todas essas imagens loucas na TV.

STEVEN ADLER: Acredite ou não, nós não conseguíamos achar nenhuma mina pra aparecer no clipe. Era uma daquelas noites em um milhão onde não havia mulheres por perto. Então eu liguei pra moça com quem eu dividia um apartamento – o nome dela era Julie, eu não posso te contar o sobrenome dela – e ela é a garota deitada na cama comigo enquanto Axl assiste TV. Havia uma parte mais picante onde eu estava malhando a mina, alisando e lambendo o pescoço dela, os peitos dela estavam pra fora e tudo mais. Quando fomos pro Japão, eu vi o vídeo e eles não cortaram a cena. Foi tão legal!

TOM HUNTER: Quando eles nos mostraram o vídeo de “Welcome to the Jungle”, nós o aceitamos para o Headbangers Ball, que era tipicamente o que faríamos com um vídeo tão pesado. Axl estava fritando na cadeira elétrica!

DOUG GOLDSTEIN: A MTV não estava interessada. A resposta deles era “Bem, a gente vai tocar duas vezes na madrugada e ver o que rola”.

ALAN NIVEN: A MTV não se importava, tava pouco se fudendo.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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