Guns N' Roses: O Grande Assalto à MTV - Parte II
Por Nacho Belgrande
Fonte: Site do LoKaos Rock Show
Postado em 14 de fevereiro de 2012
Confira a primeira parte desta matéria no link abaixo:
Guns N' Roses - Mais Novidades
NIGEL DICK: No começo, eles queriam tocar o vídeo só uma ou duas vezes depois da meia-noite. Daí tivemos que reeditá-lo, porque havia um rápido momento no qual uma máquina vermelha de refrigerantes aparecia, e a MTV disse que isso poderia ser interpretado como propaganda da Coca-Cola.
JOHN CANNELLI: Houve certa controvérsia sobre quanto tocar "Welcome To The Jungle". Nosso gerente-geral, Lee Masters, achava que estávamos tocando muito hard rock. Lee e Tom Hunter, os caras com experiência no rádio, tinham medo do clipe. Tom foi pressionado pela Geffen, então colocamos na madrugada, e do nada começamos a receber pedidos. Daí tocamos à tarde, e daí a coisa explodiu. E eu me tornei o cara do GN’R no canal. Nós fizemos uma das primeiras entrevistas de Axl para a MTV no meu apartamento em Chelsea.
EDDIE ROSENBLATT: Nós tínhamos vendido umas duzentas mil cópias do álbum e eles ainda não tocavam o clipe. Eu mandei meu relatório semanal de vendas para Lee Masters, e eu peguei o telefone e fiz ler o relatório comigo.
DOUG GOLDSTEIN: O que ninguém sabe é que estávamos em turnê fazia um ano e três meses e tínhamos vendido 150 mil discos. Eddie Rosenblatt levou Alan Niven para almoçar e disse, "Excelente disco de estreia, está na hora de gravar outro". Mas Alan implorou por dinheiro para o clipe de "Sweet Child O’ Mine".
ALAN NIVEN: Eu olhei pra Eddie completamente incrédulo e disse, "O que você acha que aconteceria se tivéssemos apoio da MTV?"
DOUG GOLDSTEIN: Axl estava frustrado por "Jungle" não ser tocada. Ele e Cannelli eram grandes amigos, então ele não conseguia entender porque eles não tocavam o clipe. Ele sabia que, de modo a ser uma das maiores bandas do mundo, eles tinham que ser tocados na MTV. Axl amava Cannelli. Ele não ligava pro fato de John ser gay, isso não o incomodava nem um pouco.
GARY GERSH: David Geffen e Eddie Rosenblatt não passavam muito tempo ouvindo a pessoas reclamarem de não serem mostradas na TV. Todos nós cortejávamos a MTV, de David pra baixo. Era diferente na Geffen – nós não tínhamos uma pessoal centralizando a promoção de vídeos. Era tipo, "Vai lá se você quiser que toquem seu clipe".
TOM FRESTON: O departamento de programação decidiu colocar "Welcome to the Jungle" no Headbangers Ball pra começar. Não na programação normal. Estava tocando algumas vezes por semana. David Geffen me telefonou e disse, "Toda vez que vocês tocam isso às 3 da manhã, nossas vendas sobem. Por favor, continuem." Normalmente, eu nunca diria ao departamento de programação o que deveria ser colocado na programação normal. Mas ele era o David Geffen. E a música era muito boa. O Guns N’ Roses explodiu.
TOM HUNTER: Freston me ligou e disse que tínhamos que tocar "Welcome to the Jungle" na programação normal. Eu disse, "Você viu o clipe?" Ele disse, "Um dos conselhos que eu recebi de Pittman foi: Quando David Geffen telefona, preste atenção. E Geffen me telefonou."
ALAN NIVEN: Eu amo o eufemismo dessa declaração. Em outras palavras, David é uma pessoa incrivelmente poderosa, não o zangue.
TOM HUNTER: Se nós o colocássemos na programação normal, iríamos ser cobrados pelos outros empresários e gravadoras cujos vídeos de hard rock não eram tocados por nós. Então eu escrevi de próprio punho o nome do clipe no log de programação – desse jeito, ele não apareceria nos informativos ou revistas da indústria. Eu mandei duas execuções na programação normal diariamente. Isso resultou em um montante incrível de telefonemas.
NIGEL DICK: No segundo clipe do Guns N’ Roses, "Sweet Child O’ Mine", todas as mulheres do escritório da Geffen queriam aparecer no vídeo. Há uma cena com um cara num ligeirinho arrumando o foco ou algo do tipo. Ele trabalhava na MTV. Alan disse que precisávamos colocá-lo no vídeo porque ele era parte da equipe que poderia fazer com que ele fosse tocado. Houve duas tentativas anteriores de gravar o vídeo de "Sweet Child O’ Mine". Nós tínhamos marcado o local e com a equipe, mas a banda não teve como ir porque estava "doente". Eu ficava muito feliz porque eu era pago por cada uma dessas vezes.
DOUG GOLDSTEIN: Axl deixou os melhores esperando. Ele deixou os Rolling Stones esperando para uma passagem de som. No fim de 89, Niven levou Axl para fazer um show pay-per-view em Atlantic City e ficou batendo na porta do quarto de Axl. Axl disse, "Quando mais você bater na porta, mais eu vou demorar." Duas horas depois, Axl entra no palco e Mick Jagger está olhando pra ele. E Keith Richards diz, "Eu dormi dentro de um lustre noite passada. E a sua desculpa, qual é?"
JOHN CANNELLI: Eu apareço no clipe de "Sweet Child O’Mine". Eu estava lá quando eles o gravaram e eles pediram que eu aparecesse. E eu fiquei tipo, "Eu não posso aparecer no seu vídeo. As pessoas vão me acusar de estar sendo pago por vocês." Então eles me colocam num ligeirinho e me filmam de modo que você não consegue ver meu rosto. Eu me lembro muito bem disso: era o mesmo dia que gravamos Cher pra campanha "I Want My MTV", e ela ganhou o Oscar de melhor atriz por ‘Feitiço da Lua’.
DOUG GOLDSTEIN: "Sweet Child O’ Mine" é sobre Erin Everly, então era importante que Axl a colocasse no vídeo. Ele não queria causar problemas com o resto da banda por limar as namoradas deles: Angie, que era a namorada de Izzy, Cindy, que era casada com Duff, e Cheryl Swiderski, esposa de Steven, também aparecem no vídeo.
STEVEN ADLER: As namoradas e esposas, elas não exigiram estar no vídeo, mas foi algo que não foi dito, mas tinha que ser feito. Todo mundo tem uma esposa ou uma namorada no clipe – exceto por Izzy, que aparece com um cachorro. Ou talvez fosse a namorada dele.
NIGEL DICK: A ideia de "Sweet Child O’ Mine" foi simples. Depois das primeiras tomadas, eu pensei, meu deus, isso é uma merda. É tão chato. Alguns executivos da Geffen estavam lá atrás de mim, dizendo, "Isso tá muito bom." E eu pensando, eu estou filmando um bando de caras tocando guitarra. O que há de especial nisso: Mas por alguma razão, as pessoas achavam que era a coisa mais legal do mundo. Não há nada de impressionante no vídeo, exceto por, claro, a banda. O que é a maneira que deveria ser.
STEVE BACKER: O Guns N’ Roses deu um novo fôlego à MTV. Dana Marshall produziu um show com o Guns N’ Roses gravado no Ritz. Eu fui até a MTV e devia haver umas vinte pessoas se acotovelando no escritório dela, apenas para assistir às imagens brutas sem edição do Guns N’ Roses.
ALAN NIVEN: A MTV tinha uma relação conflitante com o povão dos EUA. Eles eram aficionados por morar em Manhattan que viviam em boates e que se sentiam melhor com música oriunda de Londres do que o que tocava em Peoria ou Birmingham. Eles tocavam hard rock só porque eles queriam pagar as contas. E aquele disco estava vendendo feito pão quente na época.
NIGEL DICK: "Paradise City" foi o maior vídeo que eu já tinha feito até então. Custou US$ 200,000, dos quais 45 mil foram para os sindicatos dos trabalhadores do Giants Stadium. Eles receberam 45 mil dólares para carregar cem estojos de câmeras por 30 metros do estacionamento para dentro do estádio.
ALAN NIVEN: Nós fomos de um orçamento de $35 mil para um de $250 mil, filmando com seis câmeras no Giants Stadium em frente de 77 mil pessoas. Eu queria mostrar o tamanho do fenômeno da banda. Eu precisava da plateia. E Axl está resplandecente em sua jaqueta de couro branco novinha em folha.
PETER BARON: Há um vídeo de "It’s So Easy" que nós nunca lançamos. Mostrava Erin Everly, a esposa de Axl, em cenas sadomasô. Ela tinha uma Ball – gag na boca. Pegaria mal pra eles.
STEVEN ADLER: Eu nunca vi isso, mas gostaria. Erin era uma gata.
RIKI RACHTMAN: De vez em quando você consegue achar no YouTube. Era um belo clipe, filmado no Cathouse em preto e branco, com Erin rebolando o rabo. Eu não tenho ideia de porque ele não foi lançado. Talvez por causa da Ball – gag.
Confira a terceira parte desta matéria no link abaixo:
Guns N' Roses - O grande assalto à MTV
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As 5 maiores bandas da história do heavy metal, em lista da Forbes
Eloy Casagrande anuncia ter finalizado suas partes para o próximo álbum do Slipknot
Neil Peart, David Gilmour e Sid Wilson não concordam sobre o maior baterista do mundo
U2 anuncia quarto e último show no Brasil da Tour The Greatest Show On Earth 2027
Regis Tadeu aponta problema no show do Iron Maiden e explica atitude do atual baterista
Falta de dedicação teria afastado o baterista Nick Menza do Slayer, segundo Kerry King
Isa Nielsen anuncia nova banda de death metal e toca Sarcófago com Aquiles Priester
Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
Humberto Gessinger e Andreas Kisser apontam o que faltou ao rock nacional dos anos 80
Benediction inicia no sábado turnê brasileira de cinco shows com Kam Lee no vocal
Dave Murray solta um "Vai, Corinthians" após ganhar camisa do Timão
Por que James Hetfield do Metallica foi expulso de sua própria casa, segundo o próprio
A cantora que usou música do Slayer para combater o patriarcado
Kiss anuncia documentário oficial sobre a turnê "End of the Road"
A verdadeira razão pela qual o Bon Jovi chamou Desmond Child, segundo o próprio
Guns N' Roses: O Grande Assalto à MTV - Parte I
A banda glam americana que Slash comparou aos Sex Pistols e considerava diferente das demais
Nicko McBrain critica voz atual de Axl Rose e revela tentativa frustrada de reconciliação
O gênero musical que Slash considera mais vibrante que o rock atualmente
A música que fez o Guns N' Roses conseguir contrato mas ficou guardada por seis anos
Zakk Wylde lembra breve período como guitarrista do Guns N' Roses
A banda que vendeu 100 milhões de discos e Keith Richards chamou de poser
"Stairway to Heaven" nem "Comfortably Numb"? O solo que Slash coloca acima de todos
O guitarrista que Jimmy Page, Brian May, Kirk Hammett e Slash põem no topo
Os 10 maiores guitarristas de todos os tempos, segundo a Guitar World


