Kansas no Brasil - sonho ou realidade?

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Por Paulo Malária
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Banda norte-americana de rock progressivo de maior renome mundial, o Kansas foi criado em 1970 e demorou um pouco até encontrar a formação que viria a engrenar, e vender milhões de discos mundo afora. Eram eles: Kerry Livgren (guitarra e teclados), Steve Walsh (vocais, teclados), Robby Steinhardt (vocais, violino), Rich Williams (guitarra), Dave Hope (baixo) e Phil Ehart (bateria). Com uma longa carreira e as eventuais e indefectíveis mudanças na formação, que incluiu em diferentes momentos músicos como o guitarrista Steve Morse (hoje no Deep Purple) e o vocalista John Elefante, o Kansas finalmente teve um show anunciado para acontecer no Brasil em 2002.

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Edição/introdução: Rodrigo Werneck

Apenas um único show, que não iria ocorrer nem em São Paulo, nem no Rio de Janeiro, mas sim em... Jaguariúna! Isso mesmo, numa pequena cidade do interior paulista, próxima de Campinas, na verdade num festival de música country e rodeios, acreditem. Para piorar a situação, o show foi marcado para o dia de encerramento do festival, um domingo. E, ainda pior, o show acabou começando já na virada para a segunda-feira, passados 10 minutos da meia-noite. O reduzido público (em sua grande maioria vindo de SP e do Rio) de umas 300 pessoas ainda assim insistiu e foi brindado com um pequeno (70 minutos), porém brilhante set. No texto a seguir, Paulo Malária, tecladista do grupo Acidente, narra de maneira informal o episódio, entremeando de forma breve passagens da história da banda. Divirtam-se...

“O Kansas vai tocar em Jaguariúna”. A nota plantada em um site progressivo se alastrou em questão de horas, muita gente achando que era trote. Mas a empresa que trouxe Roger Waters para o mega-show da Apoteose tinha prometido 20 outros artistas e grupos, inclusive o Kansas. E avisaram que o Rio estava fora do roteiro por não ser mercado preferencial da cerveja que está bancando o evento. As cidades premiadas por gostarem de Kaiser seriam Sampa e Jaguariúna. O porquê da inclusão deste pequeno município a 30 km de Campinas logo se tornaria conhecido.

Em seu disco de estréia, em 1974, o Kansas apresentou ao público progressivo um novo estilo. Até então o rock progressivo americano era tido como inexistente ou associado ao excêntrico e irrotulável Frank Zappa. Já “Kansas” era uma mistureba que juntava elementos convencionais do prog europeu com outros mais próprios da música norte-americana. Das 8 faixas, as melhores são as ímpares, destacando os carroções “Journey from Mariabronn” e “Apercu”. Mas o grupo abriu o show de Jaguá com a 4ª faixa do álbum: “Belexes”.

O Kansas clássico: Steve Walsh, Rich Williams, Robby Steinhardt (atrás); Phil Ehart, Dave Hope e Kerry Livgren (frente)
O Kansas clássico: Steve Walsh, Rich Williams, Robby Steinhardt (atrás); Phil Ehart, Dave Hope e Kerry Livgren (frente)

Depois do êxito de divulgação que levou à Apoteose 40 mil pessoas (a maioria jovens que aprenderam com a mídia que rock progressivo deve ter sido um antecessor do Lexotan) para ver o show do ex-baixista do Pink Floyd, parecia recomendável garantir o ingresso com uma certa antecedência. Até porque, após a orgia de som e imagem que o “Kaiser Rock” instalou para que Waters fizesse o memorável showzaço do último verão, qualquer novo evento da série se afigurava imperdível, quanto mais o Kansas. Pelo menos para este humilde escriba. Todos os progheads reconhecem unanimidades como Floyd, Yes, Genesis, EL&P, mas a partir daí as preferências se dividem. Alguns são mais fãs de grupos cerebrais como Gentle Giant e King Crimson, há quem viaje no dark-prog cascudo de Van der Graaf Generator e Soft Machine, outros preferem as bandas italianas – e ainda tem o Focus, o Eloy, o Triumvirat, sem contar o Led e o Rush “enquanto” progressivos. Para mim, que na época áurea do movimento gostava mesmo era de heavy, pop e rock’n’roll, e cheguei na festa prog depois dos parabéns, nada se compara ao trio que descobri nos estertores da Eldo-Pop e nas míticas “madrugadas 98” que marcaram o final dos anos 70: Camel, Nektar e Kansas. Estava escrito que eu veria pelo menos um show de cada uma das minhas cult bands. Tive de esperar até o século 21 para assistir ao Camel, e ainda que agora seja mais certo chamá-lo Andy Latimer Band, os 2 shows no Garden Hall foi o seguinte, morou! Então eu não iria perder o Kansas por nada.

O 2º e o 3º LPs foram lançados em 1975 e não há como saber a ordem: até os números de série são quase seguidos. Provavelmente foram duas tentativas de seguir rumos meio diferentes. “Song for America” divide-se entre 3 carroções e outros tantos rocks “básicos” (em se tratando de Kansas). Já “Masque”, que deve ser sido a tendência vencedora pois se parece mais com os seguintes, tem mais faixas, elas são mais “curtas” (i.e., nada além de 10 minutos) e foi a base do pocket show.

As mocinhas que atendiam o 0800 do “Jaguariúna Rodeo Festival” – posto que de rodeio se tratava – bem que tentavam ajudar, na medida do possível quando dois mundos colidem. Diziam que a arena tinha 35 mil lugares, o que atribuí à proximidade de Itu, terra de fama inconteste. Ingressos antecipados? Só em Sampa e outras cidades sertanejas que têm lojas “Hangler” (a pronúncia era essa). Lugar pra ficar, Campinas. Lotação esgotada? “Não tem perigo, conforme for chegando gente a bilheteria vai vendendo”. Cheguei a pensar que teria uma gráfica ao lado das roletas. A verdade viria a demonstrar ser cousa bem diferente. Mas ao chegar na noite da véspera ao aeroporto de Viracopos, em alentada comitiva que incluía o Baiano, a “Baiana” (que é mineira e se chama Elsen), o Gustavo (filho deles) e o Fagundes do Metamúsica, eu ainda não tinha a menor certeza de que iria conseguir um ingresso. Só sabia que o Fagundes fica frustrado quando a viagem de avião não inclui uma vasta turbulência. Ele a teria de bom tamanho no vôo de volta, para desespero do meu estômago.

A formação lendária, ao vivo nos EUA nos anos 70
A formação lendária, ao vivo nos EUA nos anos 70

Se antes do 4º álbum o Kansas padecia da falta de um hit, em “Leftoverture” eles lavaram a égua. “Carry On Wayward Son” foi um prato cheio para as FMs americanas que tocavam o estilo na época chamado AOR, um meio-termo entre hard, progressivo e pop; e na verdade é mesmo a melhor música da banda. Ainda tem a prog-baba “The Wall”, que abriu caminho para várias outras, e momentos seleciados como “Miracles Out of Nowhere”, “Cheyenne Anthem” e a (quase) instrumental “Magnum Opus”, que faz jus ao nome. Como todo disco do Kansas também tem uma ou duas faixas bem chatinhas. Mas se fez representar no rodeio.

Chegando a Campinas tornou-se evidente que a divulgação era pra lá de precária. Um artigo no jornal local contendo abobradas do tipo “o Kansas nunca renegou suas raízes country”, mais um anúncio de pé de página com a foto da banda em 1982 (line-up mais diferente possível do atual). Como também não divulgaram entre o povo prog das capitais, supõe-se que pretendiam lotar a arena apenas pelo bordão “Ícone do rock mundial” afixado na vitrine da “Hangler”. Ou então não estavam preocupados com isso, hipótese mais condizente com o fato de cobrarem 30 pilas pelo ingresso, o dobro do preço de outras noites com atrações nacionais, inclusive Bruno & Marrone que abarrotaram o rodeio na véspera. Agora diga: se você fosse campineiro, freqüentador de rodeio e já tivesse se esbaldado no sabadão vendo Bruno & Marrone cantar “Dormi na Praça” e outros épicos sertanejos, ia voltar na noite seguinte pra quê? Mais 30 pau, fora o transporte - o tal lugar consegue ficar longe de tudo, inclusive do centro de Jaguariúna - e chegar 2ª feira no trampo com cara de sono só pra ver uns caras que fizeram uma música que Christian & Ralf gravaram a versão (“Dust in the Wind”)? Começou a se configurar um prognóstico de casa vazia. Pra animar, o Fagundes “ouviu dizer” que o Kansas estava no nosso hotel – e o trouxa aqui embarcou. Saí catando capa de CD deles (em Campinas??) pra pedir autógrafo. A caravana prog-gang carioca encerrou a noite em grande estilo na churrascaria rodízio de Chitãozinho & Xororó. Vou dizer: foi bão, hein! Reclamaram a Baiana e o Gustavo que eu amarelei e larguei o garfo antes de todo mundo. Mas eu quero ver provar!

Ao lançar “Point of Know Return” em 1977, o Kansas já estava com o nome feito na praça. E não deixou a dever, pois “Point...” fecha um belo quinteto de LPs que ainda rendeu um notável ao vivo, “Two for the Show” (olha que poucos ao vivo eu recomendo; o do Led, por exemplo, é um breve atentado contra a magnífica carreira da banda em estúdio; e o Deep Purple, do magistral “Machine Head”, perpetrou um “Made in Europe” que é um dos 3 piores discos de grandes bandas em todos os tempos). Voltando ao “Point”, ele é todo bom, mas ficaria marcado por ser o disco que tem “Dust in the Wind”, o maior sucesso da carreira do Kansas. Na época, nem tanto; mas, com o passar dos anos, a melô acabou fazendo a cabeça tanto dos proggers mais renitentes quanto da peãozada de Jaguariúna, naturalmente numa linda versão que eu por sorte nunca tive a honra de precisar escutar.

A formação com Hope, Livgren, Williams, Ehart, Steinhardt e o vocalista John Elefante
A formação com Hope, Livgren, Williams, Ehart, Steinhardt e o vocalista John Elefante

Domingo, dia do show. O aquecimento foi num shopping, depois no aeroporto, depois noutro shopping. Campinas é boa nisso, meu! Anticlímax foi pôr as mãos no tão ambiciado ingresso e constatar que ele tinha o nº 687. Tentando afastar os temores de barata-voa, o Baiano informou ter sido informado de que Sandy & Junior iriam fazer uma aparição especial em “Dust in the Wind” – mas logo depois reconheceu que a informação era oriunda da F-Press. Chegando ao local do evento, depois de 30 km de estrada e o indefectível pedágio, deparamo-nos com uma cena apocalíptica. Um gigantesco estacionamento de barro, talvez com 10 mil vagas, oferecia-as quase todas para nós. Ultrapassadas as roletas desertas, adentramos verdadeira aldeia do faroeste, com ruas, saloons e tudo o mais, porém naquela noite com um certo jeito de cidade fantasma. À medida em que o tempo passava o público, em vez de aumentar, diminuía. Se na hora em que chegamos havia uns 3 mil peões no rodeódromo, parecia que todos deram uma passada na arena, viram a procissão de abertura com a imagem de Nossa Senhora Aparecida em carro de bois, depois curtiram algumas maltratagens ferozes em touros, cavalos e bezerros praticados por aquela raça superior – o Peão de Rodeio! – e tchau. Não sei quantos ainda se achavam presentes quando no auge do troço o locutor anunciou, ufanista: “Hoje, o rodeio – o único esporte que tem sua origem em hábitos de trabalho – é o esporte mais popular do mundo!!!” O certo é que a partir daí, alma lavada, o campineiro e adjaceiro se retirou para ver se ainda dava tempo de pegar o boa noite do Fantástico. Arquibancadas semidesertas, faltavam poucos minutos para o Kansas entrar em campo quando abriram as portas do areão para o povo entrar. Quem correu pegou fila do gargarejo. Azar de quem tropeçou nas várias bostas largadas na areia pelos bichos torturados na preliminar. O cheiro dos dejetos, aliás, ornou com olfato peculiar um show que por seus méritos mereceria aroma mais condizente. Entretanto, não se pode invejar a sorte dos que preferiram ficar na arquibancada, pois viram o palco de longe e ouviram exatos 5 minutos de som... Tempo que o PA do Jaguariúna Rodeo Festival levou para pifar.

“Monolith”, 6º álbum de estúdio. O Kansas já tinha batido no teto e começou a descer. Cada faixa lembra alguma anterior e melhor, quando mais não seja por ter vindo antes. O destaque fica por conta de uma insólita “disco” em homenagem à extinta tribo dos índios Kansas, ‘People of the South Wind’. A bola baixou mesmo no LP seguinte, “Audio Visions” (1980). Ali é evidente a discórdia dentro da banda que levou o vocalista Steve Walsh a pedir o boné. Chama atenção a contracapa futurista que previa uma geringonça então inexistente e que logo viria a dar as caras. Alguém viu, gostou da idéia e fez.

O Kansas perde momentaneamente uma de suas principais características, o violino, e passa a ter 2 guitarras. Na formação: Steve Morse, Ehart, Williams, o baixista Billy Greer, e Walsh
O Kansas perde momentaneamente uma de suas principais características, o violino, e passa a ter 2 guitarras. Na formação: Steve Morse, Ehart, Williams, o baixista Billy Greer, e Walsh

Quando o Kansas subiu ao palco foi realmente um momento wow yeah. Sabe lá como foram se reunir numa banda dos cafundós dos Estados Unidos alguns dos melhores músicos da história do rock progressivo, mas eles estavam lá: Robbie Steinhardt (violino), Phil Ehart (bateria) e o já citado Walsh, que além de cantar manda um teclado primordial. Completam o grupo o guitarrista Rich Williams e o baixista Billy Greer, que só não são a estrela da banda porque é o Kansas. Os caras tocam como se estivessem num ensaio, à vontade, tirando a maior onda, e sem dúvida é isso que os faz continuar por 3 décadas e encarar desafios com toda pinta de robada como vir se apresentar num rodeo en Brazil. Para quem conhece a discografia do grupo, fez falta o guitarrista, tecladista, compositor e mentor Kerry Livgren, mas paciência: ele agora é fundamentalista cristão, se radicou numa fazenda em seu torrão natal e de lá nada o tirará. Steinhardt assumiu o posto de frontman e, além de destroçar no violino, voltou a dividir os vocais com Steve Walsh. Para deixar claro quem está dando as cartas o show abre com “Belexes”, onde Steinhardt descabela a rabeca e o gogó. Mas Walsh mostra os trunfos na 2ª música, “Icarus II” (do disco mais recente), onde o show é dele. E por aí segue a festa – ou seguiria, pois como já foi dito aos 5 minutos do 1º tempo o PA deu pau. Ficou o som restrito às caixas de palco. O público da arquibancada, parte migrou para o areão bostado a fim de conseguir ouvir alguma coisa, o resto tomou o sacrossanto rumo do lar.

Com novo vocalista, o disco seguinte (“Vinyl Confessions”, 1982) foi uma egotrip de Livgren em fase politicamente correta e portanto tende para o chato. Fecha com um filé, “Crossfire”; mas a letra, como quase todas no “Vinyl...”, é gospel além da conta. Steinhardt também saiu e o quinteto restante procurou outra praia: “Drastic Measures” (1983) é meio Van Halen, meio Toto. A fase confusa suscitou um “Best of” equivocado e quando o Kansas ressurgiu (“Power”, 1986) tudo tinha mudado: Livgren estava fora, Walsh voltou e o guitarrista Steve “Dixie Dregs” Morse deu as caras, mas tão à vontade como um sapo fora do poço. A melança veio em 1988: “In the Spirit of Things”, um dos 3 piores do mundo. Sim!! É ele, “Made in Europe” do Purple e um outro que eu só não vou dizer o nome (“Angel’s Egg”) para não comprar barulho com os fãs do Gong.

O Kansas que veio ao Brasil: Steinhardt, Walsh, Greer, Williams e Ehart
O Kansas que veio ao Brasil: Steinhardt, Walsh, Greer, Williams e Ehart

Com som de comício e público de torneio do Caixa d’Água, acho que os músicos do Kansas tiveram até uma atitude digna ao tentar agradar os fãs que estavam ali naquela furada, mas resumiram o set list a um pocket show. Sem fazer concessões ao popular, eles mandaram ver na parte progressiva do repertório da banda tocando clássicos como “Icarus – Borne on the Wings of Steel”, “Portrait” e o grand finale de “The Pinnacle”. Ensaiaram aquela saída frau de todo show, depois voltaram e fizeram as tais concessões em grande estilo: “Play the Game Tonight”, “Fight Fire with Fire”, fechando com “Carry On...” (“Dust in the Wind” e o babão “Hold On” já tinham rolado antes, então não foi bem como eu disse). Mandaram duas da fase “proscrita” da banda (“Play...’ e ‘Fight...’) com Walsh e Steinhardt tocando e cantando numa boa, sem bronca; isto sugere que havia repertório para horas, não fosse uma divulgação que tentou vender caviar para refugiados e uma produção que entregou em saco de pipoca. Ou será que no show de Bruno & Marrone o PA também deu problema?

Sim, eles vieram ao Brasil, e há alguns registros... Acima, o Kansas em Jaguariúna em 2002, com Greer, Ehart, Steinhardt, Williams e Walsh.
Sim, eles vieram ao Brasil, e há alguns registros... Acima, o Kansas em Jaguariúna em 2002, com Greer, Ehart, Steinhardt, Williams e Walsh.

Mais dois discos ao vivo bem insossos e saiu “Freaks of Nature”, 1995. Apenas razoável, mas com uma cacetada de Livgren (“Cold Grey Morning”), já sem nada a ver com o tom louvoral que queimou o filme na década anterior. Em 1998 Ehart produziu “Always Never the Same” com a sinfônica de Londres e o resultado soa empastelado. A prática remonta às origens do gênero (The Moody Blues, “Nights of Future Passed”, 1967), mas ao somar o som de uma banda progressiva com o de uma orquestra sinfônica sempre se está a um passo do risco da redundância. Em 2000, os 6 membros originais (Dave Hope no baixo) mais Greer gravaram “Somewhere to Elsewhere” com 13 composições inéditas de Livgren, sendo que uma – “Distant Vision” – poderia estar em qualquer dos primeiros e melhores álbuns. Agora é ver se alguém consegue trazer o Kansas de volta ao Brasil para um evento realmente progressivo. Vai ser difícil enquanto eles lembrarem do rodeio de Jaguariúna.

O Kansas de hoje: Ehart, Walsh, Williams, Greer e o violinista/guitarrista David Ragsdale
O Kansas de hoje: Ehart, Walsh, Williams, Greer e o violinista/guitarrista David Ragsdale

Website: http://www.kansasband.com/

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