Death Metal: o filho bastardo do Metal
Por Rafael Nunes Campos
Postado em 09 de fevereiro de 2007
O Punk realmente foi sensacional, não? Foi um tapa na cara da cultura Pop. Porém ele foi rapidamente assimilado. Na música pode-se dizer que o reflexo foi quase que imediato. No início dos anos oitenta variados estilos haviam sido influenciados por ele. Do esporro do Hardcore ao Pop deslavado da New Wave. Mais precisamente no Heavy Metal, o filho nasceu com o nome de death metal.
O interesse do Rock pelo ocultismo é antigo. Em 1968 os Rolling Stones mostraram simpatia pelo diabo. Na década de 70 os peso-pesados Led Zeppelin e Black Sabbath usufruíram dos louros de mostrar na sua música um interesse maior pelo ocultismo. Jimmy Page era fã do mago Aleister Crowley, um maluco que se denominava pastor da igreja de satã. Já o velho Sabbath fazia um som macabro de impressionar qualquer um. Quem nunca se borrou ouvindo a introdução de "Black Sabbath" (a música)? Tony Iommi nunca negou que se inspirou nos velhos filmes de terror pra dar direção à postura do Sabbath. E nunca levou a sério as declarações de satanista.
Em 81, sai um disco que misturava Metal Pesado, o desleixo do Punk e a adoração pelo cramulhão. Seu nome é "Welcome to Hell". A banda em questão é o Venom. Tinham a pompa charmosa de um Kiss e o refinamento de um Sex Pistols. Tocavam Metal como o Judas Priest e adoravam o diabo. Eram de Newcastle (Inglaterra) e influenciaram o mundo do Metal. Imediatamente surgiram inúmeros seguidores. Na Suíça o Hellhammer era apenas uma das bandas que se diziam claramente influenciadas por Venom. Depois seu líder Tom Warrior reformulou o grupo mudando o nome para Celtic Frost. A banda fazia um som cru e ríspido que botou um monte de gente de cabelo em pé. Se o Death Metal é um moleque mal-criado, os pais atendem por Venom e Celtic Frost.
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É lógico que um monte de gente boa surgiu logo após essas duas. E quase tão originais e legais quanto elas. Seria injustiça não citar Slayer, Possessed, Bathory, Sodom, Kreator, Destruction. Ainda que algumas dessas bandas tenham se enveredado pelos caminhos do Thrash Metal, elas de alguma forma influenciaram o estilo.
Na segunda metade da década de 80 surgiram grupos que iriam consolidar de vez esse estilo infame. Death, Napalm Death, Morbid Angel, Carcass, Cathedral, Paradise Lost, Obituary e Cannibal Corpse iriam surgir praticamente do mesmo caldeirão, sendo as responsáveis pelas facetas mais variadas do estilo. Grindcore, Death Tradicional, Splatter, Doom, Black. O barulho tinha muitos nomes. É até engraçado pensar que algumas dessas bandas hoje tão diferentes tenham saído do mesmo buraco sujo e fedorento.
No inicio dos anos 90 o estilo crescia em popularidade no vácuo do Thrash. Pra chamar atenção não adiantava mais se dizer, tinha que se mostrar filho do tinhoso. Um marcava na testa o sinal da cruz invertida. Outros começaram a queimar Igrejas na Noruega nas folgas do dever de casa. O tempo se encarregou de enterrar esses chatos.
Mas a genética se mostra mais cedo ou mais tarde. O Death Metal, filho bastardo do Heavy Metal que por sua vez é neto do bom e velho Rock’n’Roll, mudou muito e continua seu processo de evolução. Bandas como a dos nossos compatriotas do Krisiun pisaram no acelerador e mostraram que para fazer Death Metal tem que conhecer e muito de música.
Ainda que você não considere isso música.
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