Portishead
Por Srta. Machiavelli
Postado em 06 de abril de 2006
Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
Bristol, Inglaterra, é a terra natal do Trip-Hop, estilo musical marcado por sons distantes, sob uma batida hipnotizante e vocais melancólicos. Portishead é o nome de uma cidade da Costa Ocidental de Bristol, onde Geoff Barrow, o fundador da banda que leva o mesmo nome da cidade, cresceu. Geoff nunca gostou muito da vida exageradamente calma que levava em Portishead, e ainda muito jovem deixou a cidade para ir trabalhar num estúdio de gravação no coração de Bristol. Ele tinha apenas 17 anos, e nos intervalos dentro do estúdio gostava de ficar experimentando misturas de samples nos gravadores, enquanto sonhava em um dia ter a sua própria banda, com a qual faria uma música diferente de tudo o que passava por ali. Ele era muito esforçado, e levava seus momentos de DJ dentro do estúdio muito a sério.
Quando achou que estava bom naquilo que pretendia fazer, Geoff começou a procurar uma vocalista para sua "banda". Foi numa agência de empregos em Bristol que ele conheceu Beth Gibbons, a voz do Portishead. Ela já tinha trabalhado numa banda cover e fazia apresentações em pubs. Geoff e Beth se deram muito bem, pois compartilhavam os mesmos gostos e ideais musicais. Não demoraram a compor sua primeira música juntos, e pouco depois se uniram ao guitarrista de jazz Adrian Utley.
O talento do trio era inegável, o que ajudou bastante na abertura de portas para apresentações e um pouco mais tarde para um contrato com a gravadora inglesa "Go! Discs", em 1993.
A partir da colaboração do engenheiro de som e percursionista Dave McDonald, em 1994 saía o primeiro disco do Portishead, o elogiadíssimo "Dummy". Puxado pelo single "Sour Times (Nobody Loves Me)", "Dummy" ganhou em 1995 o concorrido "Mercury Music Prize", o mais importante da música inglesa, desbancando gente como Oasis, PJ Harvey e Tricky (o principal expoente do Trip-Hop até então), além de ter sido um grande sucesso radiofônico e comercial ao redor do mundo inteiro.
O Portishead tinha tudo para ser uma das melhores e mais produtivas bandas da década passada. Sem dúvidas foram uma das melhores, mas não das mais produtivas. Seu segundo trabalho, o auto-intitulado "Portishead", saiu em 1997, depois de a banda ter trabalhado em cima dele por dois anos. "Portishead", curiosamente, era visto como o único disco de 1997 com potencial para tomar o posto de melhor disco do ano (ou da década) de "OK Computer", do Radiohead. Embora seja um disco cheio de qualidades, ele não alcançou essa proeza. Mas conseguiu superar "Dummy". "Portishead" é um álbum de crescimento musical para a banda, que deu mais espaço aos vocais de Beth Gibbons e ousou experimentar nos processos de mixagem, alcançando ótimos resultados nas duas empreitadas. As composições também aparecem mais elaboradas e a banda mais auto-confiante.
O próximo disco lançado pelo Portishead foi o registro de um show no legendário "Roseland", em Nova York. O disco, "PNYC - Portishead New York Concert", traz onze faixas básicas, os maiores sucessos da banda, em interpretações impecáveis. Embora perca muito do clima proposto pelo "trip-hop", aquela coisa etérea e distante, o CD tem compensações. A voz de Beth Gibbons,por exemplo, ao vivo é um prodígio, como se verifica nas faixas "Humming", "Mysterons", "Glory Box", entre outras. Entre todas.
Uma das características mais marcantes da música do Portishead é o chamado "Elemento surpresa". Você nunca sabe a que a música deles vai evoluir. Quando menos espera, eles mudam completamente o caminho natural que a composição estava seguindo, para algo melhor, realmente surpreendente. E você fica ali, viajando, quase não-acreditando no que está ouvindo. E não é só Trip Hop, é algo mais... É o que diferencia uma grande banda de uma banda de tendências. O Portishead surgiu do Trip-Hop, mas ficou maior do que ele.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
O melhor baterista da história da música pesada, segundo o Loudwire
Ghost se despede do Cardinal Copia/Papa Emeritus IV/Frater Imperator
Angus Young disse que uma banda gigante era "um Led Zeppelin de pobre"; "isso é ridículo"
Mikkey Dee homenageia Phil Campbell; "O melhor guitarrista de rock com quem já toquei"
A melhor faixa de "Powerslave", clássico do Iron Maiden, segundo o Loudwire
A opinião de vocal do Depeche Mode sobre versão do Lacuna Coil para "Enjoy the Silence"
Regis Tadeu e os cinco discos mais ridículos de heavy metal
A diferença entre Bruce Dickinson e Paul Di'Anno, segundo Adrian Smith
5 álbuns clássicos de rock que Gastão Moreira tentou gostar - e não conseguiu
Organização do Monsters of Rock divulga horários dos shows
"Se Michael Kiske entrasse no Iron Maiden, Bruce Dickinson não teria voltado", diz Regis
O melhor disco de heavy metal de cada ano da década de 80, segundo o Loudwire
O álbum do Metallica que James Hetfield diz ainda não ter sido apreciado: "Vai ter sua hora"
Quinze bandas brasileiras de Rock e Metal com mulheres na formação que merecem sua atenção

O grunge não inventou o rock pesado - apenas chegou primeiro à MTV
E se cada estado do Brasil fosse representado por uma banda de metal?
Alcest - Discografia comentada
Cinco razões que explicam por que a década de 1980 é o período de ouro do heavy metal
Poeira: Rockstars e as bandas que eles sonhavam fazer parte


