Barao Vermelho
Postado em 06 de abril de 2006
Por Carlos, o Chacal
Em 1981 Maurício Carvalho de Barros nos teclados, Flávio Augusto Goffi Marquesini, o Guto Goffi, na bateria, Roberto Frejat na guitarra e André Palmeira Cunha, o Dé, no baixo formavam o Barão Vermelho. Ensaiavam na casa dos pais de Maurício, no bairro carioca do Rio Comprido, mas ainda faltava o vocalista. Chegaram até a ensaiar com Leo Jaime, mas o escolhido mesmo foi Agenor Miranda Araújo Neto, o Cazuza, filho do diretor da gravadora Som Livre, João Araújo. Com Frejat e Cazuza formou uma das parcerias mais famosas e prolíficas do rock nacional, assim como Lennon e McCartney e Jagger e Richards o foram para o rock britânico.
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Após shows ao ar livre, a banda grava sua primeira fita demo, que seria o embrião do primeiro disco, auto-intitulado, com a produção de Ezequiel Neves. Com o álbum, lançado pela Som Livre, a banda surgia como o primeiro grupo que fazia um rock efetivamente brasileiro. A estréia do primeiro disco foi em 27 de Setembro de 1982, e contava como destaque as faixas "Billy Negão", "Ponto Fraco" e "Todo Amor Que Houver Nessa Vida".
Em 1983 era lançado o segundo disco intitulado de "Barão Vermelho 2". As rádios rejeitaram o som da banda por acharem que não eram comerciais. O sucesso só veio quando Ney Matogrosso gravou uma versão da faixa "Pro Dia Nascer Feliz".
No ano seguinte, participam (atuando e compondo a trilha sonora) de "Bete Balanço", filme de Lael Rodrigues, com Débora Bloch, e a música-tema revelam o Barão Vermelho para o Brasil. Foi um ótimo pretexto para lançarem "Maior Abandonado", terceiro disco de carreira, que traz como destaque a música-título, e as faixas "Bete Balanço" e "Por Que A Gente É Assim?".
Vieram as últimas e convincentes provas: na lotada Praça da Apoteose, no Rio, dia 15 de Setembro de 1984, junto com a Orquestra Sinfônica Brasileira e com o coro do Teatro Municipal, fazem um rock-concerto fenomenal. Em janeiro de 1985, apresentam-se no festival Rock In Rio e consolidam o sucesso.
O mesmo sucesso dividiria o caminho de Cazuza, que queria seguir mais intérprete e mais autoral, do resto do grupo. No mesmo ano Cazuza deixa a banda e segue em carreira solo fazendo com que Frejat assumisse os vocais do grupo.
"Declare Guerra", o quarto disco do grupo, lançado (ainda pela Som Livre) no final de 1986, não perdeu o peso com a ausência de Cazuza, mas não teve publicidade. Desconfiados do abandono, o grupo, junto com Ezequiel Neves, seguiu em direção à gravadora WEA. Sob esse selo lançam em 1987 o disco "Rock'n'geral".
Um disco mais sutil, flertando bastante com o blues, mas nem por isso perdeu a marca e a qualidade do Barão Vermelho. "Rock'n'geral" é um dos melhores discos da carreira do grupo. No entanto, precedeu a saída de Maurício Barros, também procurando seu lugar ao sol(o). Daí incorporaram-se o guitarrista Fernando Magalhães e o percussionista Peninha, que já tocavam com a banda.
Com a nova formação, sai "Carnaval", em 1988. Com o hit "Pense e Dance", é considerado por Frejat o melhor trabalho do grupo. Aumenta o público dos shows, é hora de um disco ao vivo. "Barão Ao Vivo", gravado no DamaXoc, em São Paulo, nos três primeiros dias de junho de 1989, vinha com releituras de "Bete Balanço", "Pro Dia Nascer Feliz" e "Satisfaction", dos Stones.
Em 1990 sai mais um integrante, dessa vez o baixista Dé. É convocado Dadi para assumir o lugar vago. O (novo) Barão grava "Na Calada da Noite", onde daria preferência ao acústico, mas o que passou despercebido graças à canção "O Poeta Está Vivo", que se tornou um réquiem por Cazuza, morto em 7 de julho.
O grupo só voltaria à cena com o "Supermercados da Vida", de 1992, onde manteriam a opção acústica e gravariam "Pedra, Flor e Espinho" e a bela "Flores do Mal". Neste disco Dadi foi substituído por Rodrigo Santos, baixista que havia trabalhado com Lobão.
Mais dois anos e o Barão grava "Carne Crua", mais elétrico, mais pesado, com direito a parceria de Frejat e Raul Seixas na faixa "Pergunte ao Tio José" e os hits "Meus Bons Amigos" e "Guarde Esta Canção".
Outro intervalo de dois anos e a banda lançaria o seu melhor disco da década de 90, "@lbum", onde regravou músicas que seus integrantes ouviam quando eram crianças. Embora o clima pareça nostálgico, o grupo deu vitalidade e modernizou canções que pareciam datadas de certas épocas, como "Vem Quente Que Estou Fervendo" (Jovem Guarda) e "Perdidos na Selva" (New Wave). Além disso, inovou ao oferecer, no CD, uma faixa multimídia, onde falam das músicas do álbum e outros assuntos.
Em 1998 a banda lança o álbum "Puro Êxtase", onde flertam com a música eletrônica deixando o rock um pouco de lado. Fato que enfureceu fãs e agradaram a outros. Mas a volta do verdadeiro Barão Vermelho ainda é aguardada por muitos.
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