Nuno Mindelis - Ao Vivo

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Por Paulo Haroldo
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Choperia do SESC Pompéia/SP. Depois de realizar um excelente show no dia anterior, Nuno Mindelis novamente encheu a choperia do SESC, na Pompéia, lugar com capacidade para 800 pessoas. Apesar da lotação, logo vem à mente a situação do blues no Brasil, onde um dos maiores expoentes mundiais deveria estar se apresentando nas grandes casas, normalmente ocupadas pelas estrelas do rock.

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Por incrível que pareça, é Chris "Whipper" Layton, ex-baterista da banda de Stevie Ray Vaughan, que vem insistindo para Nuno ir ao Texas gravar novo cd, e não o contrário. Porque o desconforto financeiro para quem pratica o blues puro no país chega a desanimar, a ponto de vários guitarristas, incluindo Nuno, já pensarem em enveredar por outros estilos. Não é por outro motivo que nomes conhecidos passaram a mesclar o fraseado do blues com ritmos e melodias tipicamente brasileiros, como fizeram André Christovam e Big Gilson (Big Allambik), e esse pode ser o próximo passo de Mindelis.

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Nada disso, entretanto, tira da estrela da noite o ímpeto de debulhar nas cordas de sua Fender Strat o gênero musical que corre em seu sangue e purifica sua alma. Nuno foi influenciado desde cedo pelos pioneiros do blues americano, mas seu estilo remete à velocidade moderna de Johnny Winter. Abre o show com uma "intro" animada e ataca em seguida com "Shake It", do gaitista texano Paul Orta, companheiro de Nuno pelas excursões européias. Em seguida emenda um dos hits da noite, "Spinning Wheel", de David Clayton-Thomas (vocalista do Blood, Sweat & Tears), brindado por um belo solo de gaita de Thiago Cerveira. "Dirty Little Toy", blues de dinâmica lenta e progressiva, mais uma faixa tirada do cd "Blues On The Outside", novamente recebe solo extenso e inspirado da gaita de Cerveira. Na sequência vem "I Know What You Want" e "In Trouble" (ambas de "Blues On The Outside", disco mais recente de Nuno) e "Play The Paris Blues", de Merl Saunders, mostrando boa coesão da banda, que também contou com Maurício Perdoza nos teclados, Andrei Ivanovic no baixo e Richard Vega na bateria. Ao tocar a música seguinte, uma belíssima cover de "Castles Made Of Sand", de Hendrix, surge o inesperado e a 1ª corda da guitarra se rompe, o que não impede Nuno de continuar a execução até seu final. Como recompensa ao público que espera pacientemente a troca da corda (o bluesman diz que não gostaria de usar a guitarra-reserva, uma Schecter), Nuno manda mais uma cover de Jimi, "Hey Joe". Na sequência, em nova roupagem, a única música em português da noite – "Eu Sou Menino" – de seu primeiro disco, "Blues & Derivados". Antes do bis, mais um clássico, "Pride And Joy", de Stevie Ray Vaughan. Fica provado que de melancólico o blues não tem nada, apenas a lenda.

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Para arrematar a noite, Nuno e banda voltam ao palco para o medley de "You Don’t Have To Go" (Jimmy Reed) e "Before You Accuse Me" (Bo Diddley). Grand finale para uma grande noite, apesar da insatisfação parcial do guitarrista ("os solos ficaram muito longos, por isso acho que o público não reagiu tão bem como na 6ªf"). Bobagem... ninguém reclamou.

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Completando uma trilogia sobre Nuno Mindelis, será publicada nesta coluna, em breve, uma grande entrevista com o guitarrista. Aguardem!


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Sobre Paulo Haroldo

Ex-comerciante, divorciado (liberdade ainda que tardia). Preferências musicais: Hard Rock (principalmente anos 70), Blues, Heavy Metal sem podreira, Progressivo (não confundir com ProgMetal), e todo bom rock/pop feito sem samplers, computadores e outros artifícios eletrônicos que só servem para mascarar falsos músicos. Exterminador de hip-hoppers...

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