Nightwish: peso e vocal poderoso incendiaram a segunda carioca
Resenha - Nightwish (Circo Voador, Rio de Janeiro, 10/12/2012)
Por Juliana Guimarães
Postado em 12 de dezembro de 2012
A saída da vocalista de uma banda às vésperas de uma turnê pode ser considerada um fracasso quase garantido. No entanto, para a banda finlandesa NIGHTWISH, a saída de ANETTE OLZON causou efeito contrário. A substituição – às pressas – pela cantora holandesa e ex-AFTER FOREVER FLOOR JANSEN na turnê Imaginaerium culminou em um aumento na venda dos ingressos. Motivos não faltam: JANSEN tem uma voz belíssima e domina muito bem a técnica vocal – a cantora é soprano, como TARJA TURUNEN, ex-vocalista da banda –, além de demonstrar uma presença de palco cativante. Já ANETTE OLZON não convenceu muito como substituta de TURUNEN; faltava-lhe justamente o que FLOOR JANSEN tem de sobra.
Fotos: Antonio Cesar
Cerca de duas mil pessoas lotaram e incendiaram o Circo Voador, dando sinais de que os bons tempos do NIGHTWISH estavam de volta. A empolgação da plateia era tamanha que os integrantes da banda ficaram surpresos com tantos fãs enlouquecidos. Em determinado momento da apresentação, a vocalista declara: "Eu ia pedir para vocês gritarem mais alto, mas vocês já estão berrando o tempo todo", diverte-se, para então iniciar "Nemo", do álbum Once, uma das músicas mais conhecidas no repertório da banda.

A performance de FLOOR JANSEN casa-se perfeitamente com já conhecida desenvoltura do genial – e genioso – tecladista TUOMAS HOLOPAINEN, que a todo momento fazia "caras e bocas", de forma quase teatral; com o peso de MARCO HIETALA no baixo e no vocal pra lá de poderoso; com a guitarra virtuosa de EMPPU VUORINEN – um pouco apagado na apresentação para um guitarrista, diga-se de passagem; e com a bateria enérgica de JUKKA NEVALAINEN. O show contou ainda com a participação de TROY DONOCKLEY, músico inglês que trouxe um toque celta/folk à apresentação com sua gaita de foles em "I Want My Tears Back", do CD que dá nome à turnê, e na maravilhosa instrumental "Last Of The Wilds". DONOCKLEY conferiu ainda um toque todo especial com uma intro bem folk à "Over The Hills And Far Away", em um dos momentos mais empolgantes da apresentação.

Para os fãs de longa data, o show foi uma grata surpresa. O setlist percorreu toda a carreira da banda, de forma equilibrada, sem deixar de lado sucessos de álbuns passados, e dando o devido espaço às canções de "Imaginaerium". O público foi à loucura com clássicos como "Whishmaster" - bem mais pesada ao vivo, o que visivelmente agradou muito -, "Dark Chest Of Wonders", "Wish I Had An Angel" e a belíssima "Ever Dream". Nesta última, por sinal, ficou bem clara a aproximação do estilo de JANSEN e TURUNEN.

Não houve um momento da apresentação em que não tenha ficado clara a ótima receptividade dos fãs para com a vocalista. Mesmo em músicas que exigem grande domínio de técnica vocal, como "Ghost Love Score", que tem grandes variações em seu andamento, Jansen deu conta do recado com louvor. Resta aguardar – e torcer – para saber se a vocalista integrará a banda permanentemente. Certamente será – e está sendo – um ótimo recomeço para o Nightwish.
Set list
1- Intro – Crimson Tide
2 - Storytime
3 - Dark Chest of Wonders
4 - Wish I Had an Angel
5 - Amaranth
6 - Scaretale
7 - I Want My Tears Back
8 - The Crow, the Owl and the Dove
9 - Nemo
10 - Last of the Wilds
11 - Wishmaster
12 - Ever Dream
13 - Over the Hills and Far Away
14 - Ghost Love Score
15 - Song of Myself
16 - Last Ride of the Day
17 – Imaginaerium (orquestral)

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