Alex Skolnick e o estilo musical que nunca superou o rock: "Faltou apelo ao jovem"
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de julho de 2026
Conhecido mundialmente pelo trabalho com o Testament, Alex Skolnick também construiu uma respeitada carreira no jazz e acredita que os dois universos têm muito mais em comum do que parece. Ainda assim, há uma diferença fundamental entre os gêneros: enquanto o rock conquistou multidões, o jazz jamais alcançou o mesmo espaço na cultura popular.
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Em entrevista exclusiva ao Ultimate Guitar, Skolnick refletiu sobre os motivos pelos quais o jazz permaneceu restrito a um público menor, apesar de sua enorme importância musical. Para ele, o principal fator está na falta de um apelo voltado aos jovens, algo que impulsionou o crescimento do rock e da música pop ao longo do século XX.
"O jazz é um pouco como a música clássica. É visto como uma forma de alta arte. Nunca teve a popularidade do rock, do soul ou da música pop. Acho que isso acontece porque carrega uma aura de sofisticação. É como comparar um vinho fino com outras bebidas", afirmou o guitarrista.
Skolnick citou os Beatles como exemplo de como o mercado musical ajudou a transformar o rock em um fenômeno de massa. Segundo ele, antes de serem reconhecidos como grandes artistas, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr precisaram passar pela engrenagem da indústria.
"Os Beatles acabaram se tornando artistas extraordinários, mas, para chegar lá, tiveram que entrar nessa máquina e virar praticamente uma banda de ídolos adolescentes. Eles precisaram ser simpáticos, usar ternos e criar toda aquela imagem que atraía os jovens", observou.
Na visão do guitarrista, o jazz nunca viveu um processo semelhante. "O jazz nunca teve esse fator jovem. Existem músicos de jazz incríveis e muito jovens, e esse número cresce a cada ano, mas ainda é um grupo muito pequeno em comparação com a música pop. Antes eu dizia isso sobre o rock também, mas o rock parece estar diminuindo demograficamente."
Mesmo reconhecendo essa mudança de cenário, Skolnick acredita que o rock ainda desfrutou de uma vantagem histórica que o jazz jamais teve. "Acho que isso acontece porque o jazz nunca teve esse apelo jovem ou esse componente comercial no mesmo nível que o pop e o rock", concluiu.
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