O disco do rock nacional que "custa mais que o seu carro", segundo Sérgio Martins
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de julho de 2026
O mercado de discos de vinil reserva algumas histórias curiosas. Enquanto determinados álbuns são encontrados com facilidade por poucas dezenas de reais, outros alcançam valores capazes de superar o preço de um automóvel usado. Para o jornalista Sergio Martins, isso acontece especialmente com obras que foram censuradas, tiveram distribuição limitada ou simplesmente desapareceram das lojas.

Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, Martins relembrou alguns dos chamados "clássicos malditos" da música brasileira e destacou um representante do rock nacional que virou objeto de desejo entre colecionadores: o único álbum de estúdio do Ave Sangria, lançado em 1974.
A banda pernambucana misturava rock psicodélico, MPB e referências nordestinas, tendo entre seus integrantes o guitarrista Paulo Rafael, que anos depois se tornaria um dos principais parceiros de Alceu Valença. Apesar do enorme potencial artístico, o grupo teve sua trajetória interrompida por um episódio de censura durante a ditadura militar.
Segundo Sergio Martins, o problema foi a faixa "Seu Waldir", que contava a história de um homem apaixonado por outro homem. "A censura não achou graça nisso e simplesmente baniu e extirpou o Ave Sangria das prateleiras", afirmou o jornalista. O impacto foi tão grande que a banda acabou se separando pouco tempo depois.
O apresentador lembra que o grupo só voltaria à ativa cerca de quatro décadas mais tarde. Nesse período, o disco original tornou-se uma raridade disputada por colecionadores, justamente pela pequena quantidade de exemplares que escapou da retirada das lojas. Anos depois, os integrantes ainda venceram uma ação contra o governo relacionada à proibição da música, recebendo uma compensação financeira.
Embora cite outros álbuns raríssimos, como "Tim Maia Racional", "Paêbirú", de Lula Côrtes e Zé Ramalho, e "Arthur Verocai", Sergio Martins faz questão de destacar o impacto cultural do Ave Sangria. Para ele, o disco permanece como "uma paulada", além de representar um dos casos mais emblemáticos de como a censura ajudou a transformar um grande álbum brasileiro em peça de colecionador.
Confira o vídeo completo abaixo.
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