O melhor livro de todos os tempos, segundo Robert Smith do The Cure
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de julho de 2026
Livros e músicas frequentemente compartilham a capacidade de criar mundos que continuam existindo na imaginação muito depois da última página ou da última nota. Para Robert Smith, a literatura sempre foi uma importante fonte de inspiração, e uma de suas maiores obsessões acabou se transformando em música do The Cure.
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A canção em questão é "Charlotte Sometimes", single lançado pelo The Cure em 1981 e inspirado diretamente no livro infantil homônimo de Penelope Farmer, publicado em 1969. Em matéria publicada pela Far Out, a jornalista Aimee Ferrier destacou como a literatura se tornou "um dos pilares definidores das composições de Smith durante o início dos anos 1980".
Naquela época, o The Cure aprofundava a atmosfera sombria apresentada em discos como "Seventeen Seconds" e "Faith". As letras de Smith também se tornavam mais introspectivas, explorando sonhos, identidades, memórias e os limites incertos entre realidade e imaginação.
"Charlotte Sometimes" conta a história de uma garota que, após sua primeira noite em um internato, acorda 40 anos no passado e no corpo de outra pessoa. A narrativa explora temas como identidade dupla, deslocamento temporal e a sensação perturbadora de não reconhecer a própria existência.
Smith chegou a adaptar elementos do livro diretamente para a letra da música. Como observou Ferrier, as palavras iniciais da obra de Farmer, sobre rostos e vozes que se confundem até se tornarem apenas um rosto e uma voz, foram recriadas pelo vocalista em versos semelhantes de "Charlotte Sometimes".
O livro ocupava um lugar especial entre as leituras favoritas de Smith, ao lado de "O Estrangeiro", de Albert Camus - obra que influenciou "Killing an Arab" - e dos trabalhos de Franz Kafka. "Eu era obcecado por 'Charlotte Sometimes', por essa ideia de queda temporal, de dualidade, de problemas de personalidade e da tortura que vem depois", explicou o músico.
Smith também revelou sua fascinação pela ideia de possuir um irmão gêmeo. "Sempre sonhei em ter um gêmeo, alguém que você não pudesse enganar, que estaria sempre lá, como um espelho", afirmou.
Lançada poucos meses depois de "Faith", "Charlotte Sometimes" não entrou originalmente em nenhum álbum de estúdio do The Cure, mas tornou-se uma das músicas mais conhecidas daquele período. A obsessão de Robert Smith por um livro infantil publicado mais de uma década antes acabou encontrando uma nova vida entre guitarras, sonhos e identidades fragmentadas.
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