Resenha - Hammerfall (Olympia, São Paulo, 17/05/2003)

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Por Leandro Testa
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Fotos: Ricardo Corsi P. C.

Se o leitor perguntar a opinião de dez pessoas que lá estiveram, no mínimo oito vão lhe dizer que adoraram o show, e que era justamente aquilo que esperavam ver, o tipo de reação mais ou menos óbvia pra uma banda que vem conseguindo moldar seu próprio estilo, se reergueu depois de um disco malhado e já tinha nas costas um respeitado histórico de passagens pelo Brasil.

Adentrando o Olympia já dava pra ter noção do que dois meros anos são capazes de causar, tempo este que separou aquela noite de sábado das últimas apresentações por aqui, em março de 2001, pois a quantidade de presentes visualmente parecia bem maior do que o número passado pela organização do evento, de 2.600 ‘metalheads’. Confirmava-se assim o maior público dos suecos por estas paragens, e antes que as cortinas se abrissem, tal multidão fazia valer sua coletividade, bradando em uníssono o nome daqueles por quem esperavam.

Não demorou muito para que o clamor fosse atendido, e próximo ao horário previsto, 22:30, soou a intro “Lore of the Arcane”, quando subiu à bateria Anders Johansson, e para cada ameaça de começarem com “Riders of the Storm”, os integrantes foram entrando um a um, saldando a todos. O início com ela já era mais que transparente, conforme eu já havia preceituado na resenha do último álbum, do qual está excursão mundial faz divulgação. O que não estava muito nos meus planos de vidente foi eles terem logo emendado com “Heeding the Call”, um de seus maiores cartões de visitas, e ‘bis’ obrigatório de outrora. Só aí houve uma pequena pausa para Joacim Cans comunicar-se conosco, anunciando uma das antigas, “Stone Cold”, que trouxe durante sua execução 1) a típica repetição dessas duas palavras, em que ele incitava a galera a gritá-las e 2) Magnus Rosèn sendo possuído pela “pomba-gira”, imitando uma bailarina.

Daí pra frente se ouviu um desfile de temas cadenciados, apenas quebrado pela rápida “Legacy of Kings”, que veio depois de “A Legend Reborn” e antecedeu uma curta performance do baixista (quem gostou deveria ter no mínimo ido a um de seus workshops) que abriu espaço para “At the End of the Rainbow”, escorada por “The Way of the Warrior” e “The Unforgiving Blade”.

Não tenho certeza se esse setlist é reflexo da evidente fase atual, em que novas fronteiras estão sendo exploradas e a velocidade aparece de um ângulo diferente... Mas se alguém ali estava sedento por levadas de bumbo duplo, já podia ir desistindo da idéia... porque foi hora de “Glory to the Brave”, um hino totalmente necessário. Nela, o vocalista se empolgou e deixou saltar sua veia humorística, pegando uma das pedaleiras enquanto a guitarra ia retomar um dedilhado, porém ele a desligou/ligou algumas vezes, brincando de rádio, como se estivesse procurando a estação certa, ou melhor, a canção correta.

De fato, um ato engraçado, mas num momento extremamente impróprio, por ser a obra mais emocional na carreira deles, uma homenagem a um amigo morto, e não motivo de piada. Eu estava lá, concentrado, mas se a ordem do dia era diversão, então tudo bem... só não conseguia ainda me conformar com o fato de um espectador ter sido privado daquele momento de descontração, não compartilhado devido ao ponto a que chega a idiotice e a covardia do ser humano (se é que o causador disso tudo poderia ser assim classificado). Por um desentendimento qualquer, um “ogro” abriu, com um soco-inglês, uma fenda na testa do vitimado, que assim, foi obrigado a se retirar.

Por maior o dano que alguém tenha causado numa simples situação como esta, nada lhe dá o direito de estragar o entusiasmo de quem pagou o mesmo para ver uns caras de lá do outro lado do planeta, que podem até demorar a voltar para cá... e o infeliz descerebrado ainda teve a insolência de ficar empunhando sua arma até o fim, tanto é que, por ter estado ao meu lado, a resvalou no meu queixo, e eu não sabia se avançava mais ao meu objetivo ou se optava por uma visita ao hospital... Assaz lamentável: um ignorante à procura de confusão.

Todavia, em cima do palco havia pontos de sobra para comemoração. Enquanto Stefan Elmgren puxava um solo, utilizando a melodia da sua “In Memoriam”, uma senhorita delicadamente decorou a cara/careca/orelha dele com um bolo. Era seu aniversário e já que o nosso “happy birthday” saiu deveras chocho, o jeito foi fazer festa em português mesmo.

Apesar da interrupção, ele (agora acompanhado) continuou com a instrumental “Raise the Hammer” e, “pra variar”, mais uma ‘mid-tempo’ tradicional, “Let the Hammer Fall”, com os indefectíveis coros que todos sabem acompanhar. Ao ronco nervoso de uma Harley Davidson a coisa mudava um pouco de figura, pois engataram uma quarta marcha com “Renegade”, e mantendo ainda o nível, “Stronger than All”.

Tendo já tocado todas as faixas-titulo, também não deixaram de fora a ‘revolução headbanger’, mais conhecida como “Crimson Thunder”. Os holofotes se apagaram, e logo as baquetas castigaram as peles da caixa. O sorridente Oscar Dronjak, já sem a sua armadura de latinhas recicladas, fazia a mesma pose do passado, punho contra palma da mão, para assim detonarem “Templars of Steel”.

Enfim, a mais pedida, de ausência imperdoável, a que levaria os fãs a buscar o quinteto no backstage caso tivessem escapulido sem ela, aquela a que até o pano de fundo fazia referência: “Hearts on Fire”. Acabou incendiando até os mais cansados, como eu, e, convenhamos, esses senhores sabem como encerrar um espetáculo!!! Se nas outras oportunidades, foi aquele ‘cover-bagunça’ chamado “Breaking the Law”, dessa vez foi nada menos que a que costumava antecedê-la, “Hammerfall”, na qual foram utilizadas jogos de luzes estroboscópicas, piscando freneticamente, sublimemente incríveis.

Num balanço parcial tenho em mente os seguintes detalhes: apesar de um singelo deslize, uma desafinada incontornável, o ‘frontman’ canta sem exageros, sem abusar daquilo que não sabe/consegue e essa naturalidade contribui em demasia para o resultado geral.

Cada passagem foi reproduzida à perfeição, contudo, a qualidade sonora não esteve a contento, parecia distante, desde que saí da direção dos PA’s na lateral direita até quando fiquei no centro, bem mais à frente do que antes, no degrau da grade.

Em ambas as posições tive visão ampla e plena, podendo assim perceber que eles se mostraram mais individualistas desta feita. Quer dizer, isso não significa que esteja ocorrendo algum de ruim entre eles, ou que um descontentamento em relação ao monopólio da “dupla manda-chuva” tenha tomado o restante do grupo, mas sim que se lhes dermos um palco menor, a postura inevitavelmente será diferente, nisso que senti muita falta, as constantes coreografias, que da vez anterior transmitiam grande união.

De uma indiferença prévia, aquela se tornara uma das melhores apresentações que presenciei na minha vida, então já tinha me preparado para o fato de que esta não chegaria nem perto. O panorama era semelhante ao de quando o Stratovarius veio “bater cartão” aqui em São Paulo, e parece que enquanto certas coisas crescem expressivamente, inclusive a legião de seguidores, outras regridem em igual proporção, como a empolgação de Tolkki & Cia., que acabou levando junto a minha.

E se já dizia o ditado “um é um bom... três é demais”, creio que agora ninguém teve a culpa senão eu, exclusivamente eu - se bem que nunca li um aviso do tipo “Não assista a mais do que duas turnês na seqüência”, então eu até que podia ser surpreendido.

Com isso, não fui mentalizando um repertório específico, a não ser em relação às mais recentes, só que lá dentro, ele acabou pendendo para um outro lado que eu sequer imaginava: foram cinco músicas rodeando o ‘power metal’ contra o dobro esmagador, imbatível, de andamentos compassados, ladeados ainda por outras quebras de ritmo.

Se eles tiraram “The Metal Age”, “Steel Meets Steel” e não puderam relembrar a clássica “The Dragon Lies Bleeding”, por que não incluíram a “Trailblazers” ou “Hero’s Return” e sim a “Stone Cold”? Por que não mesclá-las à altura? O ponto é que eles vêm se atrelando à gravação dum registro ‘ao vivo’, e é esse o apanhado que decidiram fazer...

Mesmo assim, se o leitor perguntar a opinião de dez pessoas que lá estiveram...

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