Muito se fala sobre o caixão do Kiss cedido por Gene Simmons para o enterro do extraordinário Dimebag Darrell, assassinado no palco em 2004. Um dado pitoresco que tira um pouco do peso da tragédia. Faz lembrar que o eterno guitarrista do Pantera e do Damage Plan foi, acima de tudo, um cara que viveu pelo rock 'n' roll.
Fato é que os caixões “personalizados” do Kiss foram produzidos aos milhares. Ser enterrado num deles era desejo de Dimebag, fanático pela banda. Gene Simmons não compareceu ao funeral. Foi à televisão falar sobre o caixão e defender a pena de morte.
No velório, Dimebag jazia entre garrafas de bebida depositadas por gente como Zakk Wylde (Black Label Society, Ozzy Osbourne), Scott Ian (Anthrax) e Jerry Cantrell (Alice in Chains). Mas outra pessoa havia colocado ali um artefato insubstituível, que não se podia encomendar nem comprar no supermercado. Um brinquedinho de madeira e aço que inspirou Dimebag e ajudou a escrever a História do Rock. Era ninguém menos que Eddie Van Halen e o exemplar original da guitarra que Dimebag mais admirava em sua coleção particular.
Setembro de 2004. Menos de três meses antes de morrer, Dimebag encontra Eddie Van Halen pessoalmente pela primeira vez, num show do Van Halen no Texas (EUA). É o que conta Rita Haney, namorada de Dimebag desde a adolescência:

Poucas semanas depois, no dia 8 de dezembro, Dimebag partia para o outro lado. Rita e seu cunhado Vinnie Paul, baterista do Pantera e do Damage Plan, queriam enterrar com seu corpo o instrumento que o acompanhou em vida.
“Vinnie e eu estávamos pensando em qual guitarra seria, e foi nessa hora que Eddie telefonou... ele perguntou se havia alguma coisa que poderia fazer. ‘Na verdade, há sim’, eu disse. ‘Você pode preparar uma guitarra preta com listras amarelas?’”.
“Tem certeza que você não quer a vermelha, preta e branca?”, perguntou Eddie, ao que Rita respondeu que o modelo preto e amarelo, menos conhecido, era o favorito de Dimebag: “ele sempre achou aquele visual o mais invocado!”.

Dois dias depois, Eddie apareceu para o velório. “Ele trouxe a guitarra, mas não era aquilo que esperávamos... abriu o case e ali estava ela: seu modelo original de 1979, ainda com as cordas enferrujadas. Foi fantástico!”, lembra Rita. “Levei-a a até Dime e disse ‘veja, querido, você não ganhou uma réplica. Ganhou a própria!’. Beijei sua testa e a coloquei lá dentro com ele. Eddie foi espetacular e ainda hoje lhe agradeço. Ele disse a Vinnie e eu que ‘Dime era original, e somente um original merece a original’”.
O caixão do Kiss foi lançado em 2001 e apresentado pelo vocalista e baixista Gene Simmons numa feira de negócios. O produto tinha estampadas fotos autografadas de Gene, Paul Stanley, Ace Frehley e Peter Criss – formação original do grupo. Havia também a inscrição Kiss Forever e a foto da platéia de um show qualquer, com as mãos erguidas, como se saudassem o morto.

A propaganda estimulava os possíveis compradores a planejarem seu próprio funeral enquanto vivos, evitando uma correria desagradável para suas famílias quando seu tempo na Terra acabasse. Como empurrãozinho extra, o caixão tinha revestimento à prova d’água e podia ser preenchido com gelo para armazenar bebidas.

“Pensamos: por que não usá-lo enquanto você está vivo?”, disse Gene à imprensa. “Um cara que está em casa assistindo ao jogo na sala de estar pode apenas esticar o braço e alcançar uma gelada”.
A tiragem inicial foi de 2.500 unidades. Quando lançado, o item chegou a custar 5 mil dólares – cerca de 12 mil reais. O produto saiu de linha em 2006, quando saía por 4 mil dólares. Nos EUA, um caixão comum custa menos da metade disso.
Com milhares de produtos relacionados à banda, a marca 'Kiss' tem seu valor estimado em 500 milhões de dólares – mais de 1 bilhão de reais.
Eddie Van Halen e Dimebag Darrell figuram entre os maiores propagadores de fumaça do mundo da música. Eddie sempre foi um outdoor ambulante propagandeando o tabaco. Já Dimebag carregava maconha no próprio nome.


Não se sabe por que o guitarrista tinha este apelido. Maconha é ilegal.
No fim dos anos 1990, Eddie foi diagnosticado com câncer na língua. Sem entrar em detalhes, ele revelou que curou a doença usando um método ilegal nos EUA. “Eu contaria, mas não quero ir para a cadeia”, disse num programa de rádio em 2006. “Perdi um terço da minha língua. Foi como num açougue. Não parei de fumar depois que tive o câncer, porque o fumo não causou a doença”.
Isso mesmo. Eddie sustenta que teve o câncer porque passava de 12 a 14 horas por dia em seu estúdio, com uma palheta de metal na boca. A radiação eletromagnética dos equipamentos teria agido sobre a palheta e alterado as células de sua língua.
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