WHIPLASH.NET - Rock e Heavy Metal!

Eric Clapton: o mestre além do bem e do mal

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

“Conheci” ERIC CLAPTON em 1991 assistindo às apresentações do então recém lançado “24 Nights”, a série de shows registradas naquele ano no Royal Albert Hall. Havia um certo frisson em torno do guitarrista - um ano antes ele havia se apresentado pela primeira vez no Brasil em vinte e poucos anos de carreira, e toda a mídia esteve voltada para o evento - que teve algumas músicas transmitidas pela Globo em uma época pré - You Tube.

Se eu tentasse descrever aqui o impacto desses eventos em minha vida eu não conseguiria nem começar. CLAPTON foi para mim a descoberta que realmente me fez entender que música é muito mais do que algo que se escuta trancado no quarto. A partir dali, entrei em um caminho sem volta – louco, em meio a toda uma nova perspectiva com relação ao blues e rock n´roll - voltando toda a minha atenção (e grana) para discos, livros e qualquer outra tralha que envolva esse universo.

Me lembro perfeitamente de uma foto que saiu de CLAPTON em um jornal de grande circulação: de paletó e camiseta, barbudo com o cigarro entre as cordas das guitarra. Recortei aquele foto e colei atrás da minha porta: era o meu guia ou qualquer coisa do gênero. Comecei a tocar guitarra e tentei - em vão - copiar seus licks até a exaustão. Passei a vasculhar o passado de CLAPTON em busca de suas influências e me deparei com um mundo bem mais alcoólico, louco e criativo do que o mundinho que eu até então reconhecia.

Primeiramente comprei “Slowhand” em uma loja de departamentos - provavelmente na seção ”Jazz-blues” (é mole?). O primeiro blues que ouvi conscientemente está lá- “Mean Old Frisco”- e a primeira resenha que escrevi na vida foi sobre esse disco. O fato de minha pura inocência não perceber que haviam várias guitarras gravadas no solo de “Cocaine” só serviu para aumentar minha angústia – como ele fazia aquilo?

As coisas começaram a fazer mais sentido quando me deparei com “Disraeli Gears” um tempo depois. Até então não conseguia enxergar além do blues como componente no som de CLAPTON: jazz, funk e rock n´roll estavam tão misturados, tão indistinguíveis que passei a compreender que WES MONTGOMERY e JAMES BROWN eram tão decisivos para aquele som quanto MUDDY WATERS ou ELMORE JAMES. As maravilhosas jams daqueles três caras me abriram a cabeça e criaram um interesse muito mais profundo para o som do LED e HENDRIX - aquela fusão toda agora começava a ter um significado muito mais amplo, e aguçou meus ouvidos para o modelo de construção sonora de caras como SLASH e JOE PERRY.

Ainda havias baladas: antes de “Bell Bottom Blues” ou “Wonderful Tonight” eu simplesmente ignorava qualquer coisa que fosse melódico ou falasse de amor – afinal eu sou da geração da pauleira grunge do começo dos anos 90. Não foi fácil entender que o meu tão amado blues falava das mesmas coisas em tons menos líricos – acordar de manhã, procurar pela mulher que foi embora, tomar uma garrafa de Bourbon e escrever uma letra dolorosa, sofrida.

Como todo egresso dos anos setenta, CLAPTON experimentou de tudo – e de todas, passou por períodos medíocres em termos de criatividade, se separou e perdeu um filho. Nunca foi do time dos mais simpáticos: é fato que o sucesso lhe subiu a cabeça em muitas fases de sua vida. Mas, em várias de suas declarações ele deixa claro que o que o salvou foi sua música, seu amor por tocar guitarra. De todas as lições que aprendi, essa foi a mais importante.

Todas as matérias da seção Opiniões
Todas as matérias sobre Eric Clapton

Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julguem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.

Pense antes de escrever. Ao comentar sobre alguém, lembre-se que este alguém é uma pessoa e merece respeito. Tenha cuidado especial ao comentar sobre colaboradores do Whiplash.Net; eles trabalham de graça para gerar o conteúdo que você está lendo. Mais chato do que uma matéria com erro, ou uma opinião com que você não concorda, são os chatos que apenas reclamam. Se acha que pode fazer melhor, clique no link ENVIAR MATERIAL no topo do site. Se achar um erro de digitação ou similar, envie pelo link de ENVIO DE CORREÇÕES; lembre-se que é falta de educação corrigir outras pessoas em público. E lembre-se de também elogiar quando encontrar bom conteúdo; isso é um bom incentivo aos colaboradores. :-)

Chatos, trolls e usuários que faltam com respeito a outras pessoas poderão ser banidos sem aviso prévio.

Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas.

Mais matérias de Paulo Severo da Costa no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.

Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.211.297 visitantes, 3.149.841 visitas e 10.113.719 pageviews. Ver stats.

Use o botão abaixo para seguir o webmaster e receber as principais novidades em sua timeline.


As piores capas da história do Rock e Heavy MetalGosto duvidoso
As piores capas da história do Rock e Heavy Metal
Anos 90: bandas de hard rock e metal que decepcionaram os fãsAnos 90
Bandas de hard e metal que decepcionaram
As 10 introduções mais matadoras do Heavy MetalHeavy Metal
As 10 introduções mais matadoras do estilo