Nos anos 80, a sensação musical ficou por conta do Venon quando esteve no Ginásio de Esportes e do Exciter do inesquecível baterista Dan Beehler, doido de vódica, esmurrando e cantando e roubando a cena fazendo o melhor rock’n’roll que aquele ginásio tremeu ao ouvir. Eu era franzino e brother dos seguranças e pedi a eles para entrar e consegui. Era assim também na ditadura, os porteiros nos colocavam para ver a corrida de carros e perfilávamos ao lado dos generais.
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Pátio Brasil
15/09/04

Laços consangüíneos ainda abrem a tampa da privada. É primário e ridículo jornalista dar carteirada para o filho com Lp do Lobão na mão para pegar autógrafo. Sinceramente é ridículo ficar frente à frente com o ídolo segurando a carteira de jornalista, para interpelá-lo: - Dizem que você já recebeu o cachê! Lobão, - não tô sabendo de nada! Na outra ponta, o produtor pede para não polemizar.

O santo nome de Deus é invocado em vão pelos produtores quando Lobão está no palco, eu também subo e sinto a vibração dos meus primeiros dias de rock. Lobão literalmente é uma grande figura fala tudo sobre tudo basta perguntar. Hoje o som não conseguiu concilia a voz e o pedal, ele tentou quatro vezes... Irei no próximo show dele! E pagando!
Indiretamente eu recebi o Cd-demo do grupo João Ninguém, abri o invólucro e coloquei dentro o release para não perder a mensagem. No camarim a fumaça subia e eu via como os produtores são condescendentes. E um nervoso Lobão com medo de ser linchado chutou o pau da barraca. Lobão fez a autocrítica de milhares em cima dele mesmo e sozinho. Perdi a oportunidade de várias fotos históricas de transeuntes frente ao Pátio Brasil conversando numa boa com Lobão ao invés de estarem vendo "Senhora dos milagres". Ontem, Lobão foi o homem mais público de Brasília.
Outros Cds de estrelas do saudoso roquebrasília apareceram nas mãos de Lobão, - olha! O que eu estou fazendo. Ah! O celular não pára e outras estrelas do roquebrasília perguntam o quarto do hotel: - 718!
Fazia tempo que eu não andava de van com ar refrigerado. Me lembrei quando o Zan me chamou e no banco de trás tava o John Mayall e eu disse um cálido gomornin.
O meu Passat Vintage deu pane igual ao som do show. A banda teve que empurrar o carro, Robson o baterista ainda tentou consertar. O carro tá no setor hoteleiro até hoje.
Atravessei o Conic e mostrei a Berlin Discos e o Quiosque Cultural do Ivan a Byra Dorneles (emérito colaborador doprópriobolso que mora em Vidigal-RJ e produtor executivo do show) peguei o táxi de papel e fomos ao Beirute, velho de guerra, lá estavam Gerson de Veras, André Pedra e Iolovitch apresentados ao mesmo Byra Dorneles. O mesmo táxi que nos trouxe levou Byra Dorneles de volta ao Hotel e coincidentemente foi o mesmo que me deixou em casa. O maior patrimônio de Brasília somos nós mesmo. Byra, Lobão, Daniel, Robson vão voltar!
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Este corpo nasceu em Osasco/SP e desde dezembro de 1975, mora em Brasília. Em 1982, comecei fazendo fanzines, depois livros, cds e vídeos. Há um ano, assino e faço a edição de textos do site www.dopropiobolso.com.br.
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