Ideologia Rock: o top 5 do Rock Nacional

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Ideologia Rock: o top 5 do Rock Nacional

Postado por David Oaski | Fonte: Ideologia Rock

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O rock no Brasil começou a engatinhar com artistas que faziam versões de Elvis, Chuck Berry e afins. Anos depois, durante a Jovem Guarda, artistas como Renato e Seus Blue Caps, Jerry Adriani e Ronnie Von chegaram a flertar com o estilo, porém foram os Mutantes, banda formada por Rita Lee e os irmãos Batista que surgia o primeiro grande representante do rock nacional. Já nos anos 70, Raul Seixas também deu outro ânimo ao estilo, além de algumas bandas com características mais progressivas, como O Terço, A Bolha, etc, mas sem grande repercussão comercial nacionalmente falando. Foi somente nos anos 80 que o rock no Brasil realmente ganhou espaço, com diversas bandas talentosas teve seu momento de ouro, iniciando com o lançamento do primeiro disco da Blitz em 1982 até meados da década de 90, o rock viu suas melhores bandas produzindo discos que não devem nada a grandes nomes da música internacional.

Como já fiz a lista das minhas dez bandas preferidas dos Estados Unidos, resolvi dessa vez, listar minhas cinco bandas preferidas no rock nacional. Como foi dito daquela vez, listas são divertidas e interessantes, desde que não sejam levadas a ferro e fogo, além disso, são muito divertidas de serem elaboradas.

Segue meu top five:

Barão Vermelho

Como disse um amigo meu, eles são algo como os Rolling Stones brasileiros. A banda carioca formada em 1981 sempre se destacou pela essência rock n’ roll do seu som, com influências fortes de bandas da década de 60 e 70, como os citados Stones, The Who, Deep Purple, Led Zeppelin, entre outros. Ao contrário das outras bandas de sua geração que seguiram o caminho do pop dos anos oitenta, com sintetizadores e afins, o Barão sempre se manteve executando seu hard rock potente, flertando vezes com o blues, noutras com baladas românticas, mas sempre com grandes canções.

No início a banda contava com os vocais do carismático Cazuza, reconhecidamente um dos maiores compositores da música nacional, participou dos três primeiros discos da banda, que possuem clássicos do rock nacional, como “Bete Balanço”, “Pro Dia Nascer Feliz”, “Maior Abandonado” e “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”.

Cazuza deixou a banda em meados de 1985, meses após a apresentação da banda no festival clássico Rock In Rio I, durante as gravações do quarto disco da banda. A saída não foi amigável, tendo o cantor rompido laços com a maioria dos integrantes durante um bom tempo, porém com o tempo inegavelmente a saída do vocalista se mostrou melhor para ambas as partes.

A banda sentiu muito a saída de seu frontman e principal compositor, justamente na fase de preparação do novo disco, “Declare Guerra”, lançado em 1986. Com colaboração de compositores como Renato Russo e Arnaldo Antunes, o disco é ótimo, porém foi pouco trabalhado pela gravadora e obteve poucas vendas, porém nele estão músicas excelentes como “Bagatelas”, “Torre de Babel” e “Declare Guerra”.

Em 1987, a banda lança “Rock N’ Geral”, com maior participação dos membros no processo de composição, no entanto, apesar de ser um bom álbum e das boas críticas, vende apenas 25.000 cópias.

O voo só voltaria a aprumar no ano de 1988, com o lançamento de “Carnaval”, um dos grandes discos da década, com destaque para a faixa “Pense e Dance” que foi trilha da novela Vale Tudo. Em 1990, finalmente o Barão voltaria a ter destaque no cenário nacional, com o lançamento de “Na Calada da Noite”, com faixas como “O Poeta Está Vivo”, “Invejo os Bichos” e “Beijos de Arame Farpado”. Esse período marca a saída do baixista Dé (substituído por Dadi, ex Novos Baianos e A Cor do Som) e do tecladista e fundador da banda Maurício Barros.

Durante os anos noventa, a banda seguiria com destaque na mídia e sucesso comercial, flertando inclusive com a música eletrônica, como no álbum “Puro Êxtase”, de 1998. Já na década passada, a banda lançou entre diversas pausas nas atividades, somente um álbum homônimo, que gerou os singles “Cuidado” e “A Chave da Porta da Frente”, além do lançamento do cd e dvd “Mtv Ao Vivo”, relembrando sucessos de diversas fases da carreira. Além disso, os integrantes investiram em projetos paralelos, incluindo álbuns de sucesso de Frejat, esse que após toda incerteza deixada pela saída de Cazuza se consolidou como um dos melhores cantores e guitarristas do rock nacional.

O Barão Vermelho possui uma carreira de trinta anos e uma regularidade invejável, nenhum disco da carreira da banda é ruim, pois apesar das fases conturbadas a banda sempre criou boas canções, apelou a grandes letristas e mesmo os discos renegados à sua época hoje são tidos como clássicos. Eles conseguiram achar a linha tênue que separa o hard rock de qualidade do ridículo e mantiveram a qualidade sonora em todos os lançamentos da carreira.

Pra mim, a melhor banda da história do rock nacional.

Raimundos

“A vida me presenteou com dois primos já marmanjo, o muito justo era o Augusto e o safado era o Berssange, numa tarde ensolarada toda aquela criançada tomando um refrigerante”. Assim começa o primeiro disco dos Raimundos, com “Puteiro em João Pessoa”, o vocalista Rodolfo Abrantes conta uma história alucinada de como perdeu sua virgindade. A banda conquistaria uma geração com suas letras irreverentes e pornográficas.

A banda foi formada em Brasília no ano de 1987, pelo vocalista Rodolfo Abrantes, o guitarrista Digão e o baixista Canisso. Porém a banda não vai pra frente, devido aos integrantes estarem envolvidos em outras bandas e iniciando estudos. A volta da banda como atividade principal dos músicos só se daria em 1992, já com o baterista Fred na formação da banda, estava pronta a formação clássica da banda.

Desde o início, a banda se caracterizava pelas letras engraçadas, com muitas palavras chulas, comumente contando histórias bizarras escritas pelo vocalista Rodolfo. Outro elemento importante no som da banda era a influência nordestina, com algumas músicas dos dois primeiros discos flertando claramente com o forró, tendo inclusive participação do cantor do estilo Zenilton. Vale lembrar também, que a banda foi a primeira a falar abertamente do uso de maconha em suas letras.

O primeiro disco, homônimo, sairia em 1994, pelo selo Banguela, gerenciado pelos Titãs que participam inclusive da gravação e produção do disco. Já de cara, a banda mostrou a que veio, com um dos melhores discos de estreia de uma banda de rock nacional, pois continham hits do calibre de “Nega Jurema”, “Bê A Bá”, além da citada “Puteiro em João Pessoa” e “Selim”, uma balada que fala sobre vaginas e afins, essa última alavancou as vendas da banda, que chegaram a marca de 120.000 discos vendidos na época.

No segundo disco, Lavô Tá Novo, lançado em 1995, a banda assumiria de vez o lugar de destaque do rock nacional na década de 90. O álbum continha a clássica “Eu Quero Ver O Oco”, “Esporrei Na Manivela” e “I Saw You Saying (That You Say That You Saw)”, além disso, a banda começou a deixar menos em evidência a influência nordestina em comparação com o disco anterior, tendo somente “Tá Querendo Desquitar (Ela Tá Dando)” com essas características.

No álbum seguinte, “Lapadas do Povo”, de 1997, a banda já mais madura, tenta incluir letras mais sérias em seu repertório, com conteúdo social e letras mais sérias, tais como “Andar Na Pedra” e “Baile Funky”, no entanto o disco não repetiu o sucesso dos anteriores, fazendo com que a banda voltasse a irreverência com o lançamento seguinte.

Em 1999, a banda lançaria seu best seller, “Só No Forevis”, que continha a popularíssima “Mulher de Fases”, além dos sucessos “A Mais Pedida” e “Me Lambe”. Esse é o disco mais pop do Raimundos, não a toa o mais vendido e que pôs eles definitivamente em todas as rádios e programas do país.

Em 2001, quando a banda era a maior do Brasil, em meio a turnê do bem sucedido Mtv Ao Vivo, a banda anuncia seu fim, retornando meses depois sem o vocalista Rodolfo, que alegou que como compositor estava preso ao formato irreverente das músicas da banda e não se sentia mais a vontade em cantar as músicas da banda.

Desde então, em meio a imensas trocas na formação, o único que se manteve o tempo todo na banda foi o guitarrista Digão, que assumiu os vocais principais com a saída de Rodolfo da banda, houve lançamentos como o inconstante “Kavookavala” e o ep virtual “Ponto Qualquer Coisa”, mas sem a mesma repercussão dos tempos gloriosos.

A banda segue na ativa com Digão, Canisso, Marquim e Caio e recentemente lançou um dvd e cd ao vivo, relembrando os sucessos da banda com algumas músicas inéditas num projeto do canal Multi Show; lançou também um Split com o Ultraje A Rigor, onde uma banda faz versões de músicas da outra. Há previsão de um disco de inéditas a ser lançado entre esse ano e o próximo.

O Raimundos é um raro caso de banda que esteve no auge máximo da música pop e decaiu se tornando novamente independente, os integrantes seguem buscando reconquistar seu espaço e mostrar que podem sobreviver longe da sombra dos fãs carentes do Rodolfo.

Titãs

Banda paulistana formada em 1982, por nove músicos, que se conheceram entre bandas e escolas de São Paulo no final da década de 70.

Durante os trinta anos de carreira, a banda flertou entre diversos estilos musicais, entre eles, o funk (“O Que”), o punk (“Polícia”), o reggae (“Marvin”), new wave (“Insensível”), MPB (no disco acústico Mtv), entre outros, sempre com composições criativas e letras excelentes, fruto da colaboração das oito cabeças que unidas foram a formação clássica dos Titãs: Arnaldo Antunes (vocalista e grande compositor), Paulo Miklos (vocalista, compositor e multi instrumentista), Nando Reis (baixista e compositor), Marcelo Fromer (guitarrista e compositor), Sérgio Britto (tecladista e compositor), Branco Melo (vocalista e compositor), Tony Belotto (guitarrista e compositor) e Charles Gavin (baterista).

Devido a cada membro da banda ter um estilo de composição, os discos dos Titãs possuíam diversidade impar, com canções entrelaçadas, porém cada uma com uma característica principal, como a poesia torta de Arnaldo, as baladas pop de Nando ou os hits radiofônicos de Sérgio Britto. Eram oito caras mega inteligentes e criativos, produzindo música honesta, ou seja, dificilmente não daria certo, pois é, mas quase não deu.

A banda só foi obter sucesso e reconhecimento da crítica no seu terceiro disco, “Cabeça Dinossauro”, de 1986. Apesar de os dois primeiros discos terem gerados singles de relativo sucesso, como “Sonífera Ilha” e “Televisão” e outras canções que só fariam sucesso anos depois, como “Insensível” e “Marvin”, a banda não conseguiu emplacar e pintava como uma eterna promessa, porém após a prisão de Arnaldo Antunes e Tony Belotto em 1985, a banda se une e renova seu som, com letras politizadas e protestos sociais que abrangiam desde a polícia até a igreja, transformando a revolta em boa música, lança um dos melhores discos da história da música nacional, com composições e um disco que hoje em dia mais parece um Greatest Hits, a banda finalmente encontrava sua identidade e se afirmava como uma das grandes bandas do rock nacional.

Mantendo o ótimo nível, a banda lança em 1987, o disco “Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas”, que mantem o sucesso de seu antecessor, com hits como “Comida”, “Corações E Mentes”, “Diversão” e “Lugar Nenhum”, não deixou a peteca cair e novamente soa como uma coletânea, devido a imensidão de músicas conhecidas do álbum.

Dois anos depois, em 1989, os Titãs mudam consideravelmente seu estilo para o lançamento de “Õ Blésq Blom”, onde a banda se aproxima mais da MPB e tropicalismo em faixas como “Flores”, “O Pulso” e “Miséria”. Este disco, assim como o “Cabeça Dinossauro”, aparece em dez de dez listas dos melhores discos gravados no Brasil em todos os tempos.

Nos anos noventa, a banda se aproxima da sonoridade grunge, voltando a crueza de outros momentos e trabalhando com o produtor Jack Endino (Nirvana), tendo uma queda na popularidade no início da década, numa fase que marca também a saída de Arnaldo Antunes que visava se dedicar inteiramente a projetos solos. No entanto, a banda voltaria ao estrelato vendendo duas milhões de cópias de seu “Acústico Mtv”, de 1997, com versões mais acessíveis ao gosto popular de diversos clássicos da banda.

Na década passada, eles gravaram bons discos, como “A Melhor Banda de Todos Os Tempos Da Última Semana” e “Como Estão Vocês” e perderam Marcelo Fromer, falecido em 2001, vítima de um atropelamento e Nando Reis, em 2002, devido a problemas de relacionamento com os outros integrantes e a vontade de investir na carreira solo do músico.

Os Titãs seguem na ativa com quatro integrantes da formação original da banda e estão realizando uma turnê comemorativa ao 30 anos de banda, esbanjando vitalidade e rock n’ roll, é a banda mais versátil e criativa do rock nacional.

Legião Urbana

Banda de Brasília, formada em 1982, por Renato Russo (vocalista e compositor), Marcelo Bonfá (baterista) e posteriormente Dado Villa-Lobos (guitarrista) e Renato Rocha (baixista).

Após o final do Aborto Elétrico, Renato Russo sai pela cidade com seu violão num projeto chamado O Trovador Solitário, que dura pouco. Logo após, Renato chama Bonfá e dá início aos planos de formar uma banda que mudaria o mundo, a Legião Urbana.

Muito influenciado pelo rock britânico da época, com bandas como Joy Division, The Smiths, The Cure, Jesus & Mary Chain, Echo and The Bunnymen, entre outros, a Legião calcou seu som e se consolidou como uma das maiores bandas da história do rock nacional, tendo Renato se transformado num dos principais representantes de sua geração, sendo relatado comumente como um dos poetas do rock nacional.

Já no primeiro disco, de 1985, a banda mostrava a que veio, com letras de altíssimo nível para uma banda que estava começando e composições grudentas (no bom sentido), a Legião já se destacava do restante das bandas contemporâneas, tanto na sonoridade, quanto na característica vocal de Renato, além das letras serem politizadas, terem conteúdo social, questionamentos jovens, enfim, tratarem de tudo que a juventude passava naquele momento de transição que o país vivia. Ali já estavam singles do quilate de “Será”, “Ainda É Cedo” e “Geração Coca Cola”, pra se ter uma ideia.

A banda afastou o trauma do segundo disco, em 1986, lançando seu clássico mor, “Dois”, onde a banda se afirma no cenário nacional e passa a vender rios de discos, com as canções pop “Quase Sem Querer” e “Eduardo e Mônica”, as ‘britânicas’ “Daniel Na Cova dos Leões” e “Tempo Perdido”, a densa “Acrilic On Canvas” e a poesia brilhante de “Índios”, a banda conseguiria o que todos artistas desejam quando iniciam sua carreira, fizeram uma obra atemporal, que permanecerá pra sempre no imaginário pop nacional.

Em 1987, a banda lança mais como obrigação com a gravadora do que criação conceitual, o álbum “Que País É Esse 1978/1987”, que trazia composições de Renato nos tempos de Aborto Elétrico e músicas que haviam sobrado das gravações de “Dois”, que originalmente seria um álbum duplo. Apesar desse motivo, o disco também é um clássico, contendo as clássicas “Que País É Este” e “Faroeste Caboclo”, além das manjadas “Eu Sei” e “Angra dos Reis”. Novamente a banda mescla um resquício de sonoridade punk ao pós punk britânico, com canções pop acústicas, sempre com linhas de guitarra marcantes, característica imposta por Dado Villa-Lobos, que nunca foi brilhante tecnicamente, mas criou melodias que ao primeiro acorde já sabemos do que se trata.

Em 1989, após a saída conturbada do baixista Renato Rocha, a banda segue com sua formação como trio, como ficou eternizada, e lança “As Quatro Estações”, novamente fazendo um sucesso monstruoso, com direito a shows lotados em qualquer lugar que a banda passava. Puxavam o disco, dois dos maiores sucessos da banda: “Há Tempos” e “Pais e Filhos”, obrigatórias em qualquer roda de violão e luais a partir de então. Nesse álbum, a banda soa mais pop, com diversas canções com potencial radiofônico, com violões e levadas acústicas.

Dois anos após, em 1991, a banda lança “V”, um disco mais soturno e melancólico, que revelava o momento difícil que Renato passava, com seu vício em drogas e álcool e a descoberta da aids refletem o clima deprimente do disco. O disco vendeu “apenas” 700.000 cópias, um fracasso para os padrões da banda (bons tempos da indústria fonográfica hein). No álbum, não há nenhum clássico incontestável da banda, mas possui canções marcantes como “Vento no Litoral”, que foi regravada pela Cassia Eller, “O Mundo Anda Tão Complicado”, “Metal Contra As Nuvens” e “Teatro dos Vampiros” que anos mais tarde entrariam no repertório do “Acústico Mtv” da banda.

“O Descobrimento do Brasil”, lançado em 1993, teve como carro chefe “Perfeição”, que ganhou videoclipe e teve boa veiculação na Mtv. Nesse disco, a banda faz um som que mescla o pop com rock alternativo. Contém também a faixa preferida de Renato, “Giz”.

Em 1996, a banda lança “A Tempestade ou O Livro Dos Dias”, que traz em sua maioria, letras bastante depressivas e introspectivas, refletindo o momento que Renato vivia, já bastante debilitado pelo vírus HIV. Foi registrada apenas a voz guia nas gravações, sem as vozes definitivas e Renato não quis posar para fotos no encarte do álbum. A principal música do disco foi “A Via Láctea”, em que Renato aparentemente revela um dos seus dias durante essa fase, a letra é muito triste. Possui também “Dezesseis” que fala sobre rachas e está presente na coletânea “Mais do Mesmo”.

A banda ainda lançaria de maneira póstuma, o disco “Uma Outra Estação”. Originalmente o lançamento seria duplo, juntamente com seu antecessor, porém o projeto não foi aprovado pela gravadora. Ao contrário do anterior, as letras não são tão deprimentes, apesar da voz fragilizada de Renato.

A Legião Urbana é um daqueles casos típicos de ame ou odeie. Muita gente torce o nariz, outros são simplesmente fanáticos. Eu me encontro na ala dos que amam a banda, longe de ser fanático, mas considero fascinante a obra dessa banda, as melodias, as letras de Renato Russo, enfim, é uma das poucas bandas brasileiras que cada obra possui pormenores que você só descobre através de pesquisa e tudo mais, e não digo aqui de peripécias durante gravações, nem loucuras de músicos megalomaníacos, me refiro a música em si, ao play, as letras de Renato transmitiam emoções, sem qualquer tipo de forçamento de barra ou pieguice, bom “Ouça no Volume no Máximo”.

Chico Science e Nação Zumbi

Banda originalíssima formada em 1991, em Recife, trazendo consigo um som que mais tarde marcaria época intitulado de manguebeat, que foi um movimento criado por Chico Science, vocalista e líder da banda e Fred Zero Quatro, líder do Mundo Livre S/A, outra banda representante do movimento.

O som da banda era único até então na música nacional, com influências de Robertinho do Recife, a banda soube mesclar com perfeição rock, hip hop, maracatu e MPB, resultando numa sonoridade totalmente original e de boa qualidade, o que é mais importante. Além disso, a Nação Zumbi contava com uma formação fora do comum para uma banda na época, com alfais, tambores e todo um aparato de percussão, que trazia muito peso ao som. Outro destaque da banda sempre foi o guitarrista Lúcio Maia, um dos melhores do Brasil, sempre teve a técnica muito apurada, além de ser muito criativo. Isso sem falar nas letras, presença de palco e carisma do vocalista Chico Science, não fosse ele, talvez a banda nunca tivesse surgido aos holofotes do Brasil.

Com Chico na banda, só foram lançados dois álbuns, ambos clássicos absolutos da música nacional, o primeiro de 1994: “Da Lama Ao Caos”; e o segundo de 1996: “Afrociberdelia”. A carreira do promissor compositor foi interrompida em 1997, num acidente automobilístico.

Já no primeiro álbum, haviam clássicos como “A Cidade”, “A Praieira” e a faixa título, além de viagens – no melhor sentido da palavra – de Chico, como “Antene-se” e “Banditismo Por Uma Questão de Classe”. O álbum tinha o peso da percussão, os timbres sensacionais de Lúcio e as viagens sensacionais de Chico, difícil não gostar. É um daqueles álbuns indiscutíveis da música brasileira.

Em 1996, sairia o segundo álbum, “Afrociberdelia”, que seria o último registro em álbum de Chico Science. Neste a banda mantem a pegada do anterior, porém com canções ao meu ver, ainda melhores. São vinte canções excelentes, além de três versões de “Maracatu Atômico”, regravação do Jorge Mautner que fez muito sucesso, entre outras o disco tem “Macô” e “Manguetown”, num verdadeiro caldeirão sonoro, onde há de tudo, de funk a mpb, de ritmos africanos a ritmos tipicamente pernambucanos, além de rock e rap. Com a qualidade artística inata de Chico abençoando tudo.

Com a morte de Chico Science, Jorge Du Peixe, um dos percussionistas da banda, assumiu os vocais, tendo a banda mantido a sonoridade num primeiro momento, mas após alguns lançamentos se permitiu utilizar muitos recursos eletrônicos em seu som, através de samplers e sintetizadores. Já são cinco álbuns lançados desde o falecimento do antigo frontman da banda, sendo que Jorge Du Peixe segurou bem a bronca, apesar de não ter o mesmo carisma de seu antecessor .

Os destaques da discografia da banda nesse período são “Nação Zumbi”, de 2002, “Futura”, de 2005 e “Fome de Tudo”, de 2007. Em todos eles, a banda se mostra afiada e entrosada, com composições pesadas e letras fortes, a banda segue muito original, bebendo em diversas fontes, sem nunca soar acomodada ou buscando lugares comuns na enormidade de seu som.

Num primeiro momento, a banda me soou cafona, no entanto, vi como estava completamente enganado, a Nação Zumbi, com ou sem Chico Science possui um som totalmente único no rock nacional, além de ter aquelas composições meio viajandonas, que você não entende muito bem, mas se amarra, falta essa ousadia nos artistas de hoje, afinal arte não é pra ser explicada e sim apreciada e aprecio muito o som dessa banda, que influenciou toda uma geração de bandas que viriam a seguir.

E essa é minha lista, critiquem, sugiram, elogiem, mas acima de tudo busquem conhecer os pormenores da discografia dessas bandas, pois elas valem muito a pena, já que cada uma ao seu estilo fez parte da vida de muitas pessoas e marcaram gerações.

David Oaski.

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Sobre David Oaski

David Oaski é editor do blog Ideologia Rock, colunista do site Stereo Pop Club e colabora frequentemente com os sites Galeria Musical e Whiplash, além de já ter escrito para outras plataformas online. Amante de música (principalmente rock) independente de rótulos, escreve por hobby e para exercitar o senso crítico.

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