Desde 1910 músicos têm associado as artes visuais com sua produção fonográfica na forma da toda-poderosa capa de disco. E desde 1987, a [gravadora] ROADRUNNER RECORDS tem sido uma fonte de imagens visualmente deslumbrantes e perturbadoras no vasto mundo da arte em discos, ainda assim honrando a tradição. Seja usando uma imagem para dar o tom para o que há de seguir-se em seus falantes, ou como meio de marcar eternamente uma gravura com um título, não há dúvida da força da capa do disco – que é porque o selo revisou todo e cada disco lançado pela Roadrunner Records nos EUA para achar as maiores capas em sua comemorada história.
Votados pelo staff da Roadrunner ao redor do mundo, mostrando o icônico contra o blasfemo, o pintado contra o fotografado, assim como a arte encontrada contra a arte licenciada, nós lhe damos as “Dez Maiores Capas de Disco na História da Roadrunner” - uma de cada vez.

Em terceiro lugar está o último disco do grupo brasileiro de Death Metal SEPULTURA com o frontman Max Cavalera no microfone, “Roots”, que saiu em 1996, enquanto a paisagem do Metal realmente começou a mudar em uma nova direção. Alinhado com as músicas de afinação baixa daqueles tempos e honrando as tradições experimentais do SEPULTURA, “Roots” basicamente impulsionou o retorno da banda a suas raízes brasileiras. Temperado pelos tons tribais ricos fortemente construídos na forma de percussões espessas, de várias camadas -até mesmo com a participação do músico brasileiro Carlinhos Brown tocando instrumentos em faixas como “Ratamahatta”, o título foi bem apropriado para a oferenda sônica.
Com ênfase nas batidas e em músicos convidados (como Mike Patton, Jonathan Davis e DJ Lethal) à parte, esse disco eclético e caótico também deu ao SEPULTURA um clássico instantâneo na devastadoramente pesada faixa “Roots Bloody Roots”.
Quanto ao visual, a insana 'arte achada' de Michael Whelan é explicada de maneira melhor pelo próprio Max Cavalera:
"Roots" é na verdade não muito mudado de uma extinta cédula de moeda Brasileira. È daí que eu a peguei – e de domínio público então qualquer um poderia usá-la e nós não tivemos que pagar nada. A cédula brasileira que tinha o rosto da índia nela. É na verdade originária de uma antiga cédula dos anos 80 que não está mais em circulação.”
Quanto à colaboração de Whelan, Max explica:
“Tudo que Michael Whelan teve que fazer foi acrescentar o 'S' do Sepultura, o S tribal nela, e ele fez uma coisa ou outra no pano de fundo, como acrescentar umas raízes de árvore com um pouco de cor de fogo.”
Sobre o impacto que ela teve, Max acrescenta e compartilha um fato pouco conhecido:
“Foi algo que, naquele disco, a coisa toda de voltar ao Brasil e gravar com os índios, ela se encaixa em toda a proposta do disco. Alguns anos depois teve um estilista que usou a capa inteira daquele disco [em sua coleção] – John (sic) Paul Gaultier.”
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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