Jason Newsted: entrevista para o The Vinyl District

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Jason Newsted: entrevista para o The Vinyl District

Traduzido por Felipe Mascarenhas | Fonte: The Vinyl District

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Segue abaixo a entrevista com Jason Newsted, conduzida por Jon Pacella para o site The Vinyl District.

Em 1987, após a morte do baixista Cliff Burton, o gigante METALLICA trouxe um novo e jovem rosto para a banda, e JASON NEWSTED iria selar para sempre o seu legado no metal. Depois da separação do METALLICA, Jason se tornou o maior de todos os músicos de metal que poderia ser contratado, tocando com todo mundo, desde Ozzy Osbourne até o Voivod, entre vários outros projetos. Jason agora busca sair da sombra do seu passado, se libertar de projetos de curta duração e lançar a sua nova banda, apropriadamente chamada de NEWSTED, para o mundo.

Pessoalmente, ter a chance de conversar com Jason foi especial para mim. METALLICA foi o primeiro show que eu vi (11 de março de 1989, pra ser exato), e foi um dia que mudou a minha vida, e Jason foi parte disso. Com um novo álbum, chamado 'Heavy Metal Music', lançado essa semana, eu conversei com Jason sobre a vida, vinil, tocar baixo com palhetas, e sobre o passado, presente e o futuro de JASON NEWSTED.

The Vinyl District: Oi Jason! Como você está se sentindo após a luta contra a pneumonia?

Jason Newsted: Eu ainda não me curei completamente, ainda estou meio que lutando contra a doença. Estou melhor do que antes, mas ainda tem um pedaço dela aqui no meu pulmão. É assim que ela funciona, ela acha um lugar e fica lá durante algumas semanas. Eu estou meio que esperando passar. A pior parte já ficou pra trás. Levou um certo tempo pra que eles achassem os antibióticos certos, teve um desafio aí, mas eu estou bem.

The Vinyl District: Ainda se sentindo bem nos palcos?

Jason Newsted: Ah sim, cara, sem problemas. Assim que eu subo no palco, sabe, você poderia ter as duas pernas quebradas, quando o show começa, isso não importa. Não se sente dor! (risos)

The Vinyl District: Fale um pouco sobre a banda NEWSTED.

Jason Newsted: As coisas estão indo bem. Estamos juntos há 5 meses, e essa porra tá andando muito rápido. Nós lançamos o EP Metal em janeiro, e Mike Mushok (guitarrista do Staind) entrou na banda em fevereiro, e então começamos a fazer o disco. Nós já tocamos em 17 ou 18 países. O EP já está pronto, o LP será lançado na próxima semana e estamos em turnê com o Gigantour por mais uma semana e meia, e tudo está andando muito rápido e sendo bem sucedido. Muitas reações positivas das pessoas ao redor do mundo até agora. Muita coisa boa está acontecendo ao mesmo tempo, então eu acho que fiz alguma coisa certa nesse caminho.(n.t. o LP foi lançado no último dia 6 de agosto, e a turnê Gigantour foi encerrada no dia 11 de agosto, com um show em Toronto, Canadá).

The Vinyl District: Excelente. Como o NEWSTED foi criado? Onde a banda começou?

Jason Newsted: Jessie [Farnsworth], Jesus [Mendez Jr.] e eu já vínhamos tocando juntos havia vários anos, meio que tocando riffs improvisados de metal. Brincando, nos divertindo. Em 2011, eu levei a minha banda de punk, Papa Wheelie, para fazer alguns shows na região de São Francisco. Eu tava tocando guitarra e tinha começado a cantar, e o meu interesse em voltar a tocar e levar algo às pessoas começou a ficar cada vez mais forte.

A essa altura eu já estava escondido por uns 10 anos, gravando em estúdios e tal. Eu comecei a fazer alguns shows, e ficando cada vez mais animado com isso. Eu acho que o último show do Papa Wheelie foi no dia 19 de novembro de 2011. Estávamos abrindo para o Kyuss, e mais ou menos uma semana depois, Lars [Ulrich] me ligou, me convidando pros shows em comemoração dos 30 anos do Metallica em dezembro, no Fillmore em São Francisco.

Eu fui e participei desses shows e foi isso que desencadeou todas essas coisas. Já na terceira noite, a resposta e o amor do público comigo e para mim, foi maravilhoso. Eu fui completamente tomado, e relembrado do que eu deveria estar fazendo da minha vida - qual era o meu propósito - e o meu propósito é usar o meu baixo pra levar heavy metal para as pessoas, foi como tudo isso foi gerado. E aqui estamos, 15, 16 meses depois, e temos um novo disco.

Estamos voltando com uma banda que tem meu nome, que é uma coisa que eu nunca, jamais planejei fazer; isso meio que transpirou. É destino, cara.

The Vinyl District: O novo álbum se chama Heavy Metal Music. Teve alguma coisa específica que te levou a escolher um título tão simples, tão direto?

Jason Newsted: Uma perspectiva global. Desde o começo, eu entrei no METALLICA com 23 anos, e daquele momento em diante eu fui ensinado a olhar as coisas do ponto de vista mundial. Sabe, o METALLICA já era global antes da internet ou qualquer outra dessas porcarias.

Desde cedo, o METALLICA era maior ao redor do mundo do que jamais foram nos Estados Unidos, e foi assim que eu aprendi. Isso foi sendo introduzido em mim, essa forma de olhar as coisas. Eu já toquei em 50 ou 52 países até hoje e, na minha carreira, não importa a língua que você fala, heavy metal é heavy metal, e Newsted é Newsted, e eu quero ter certeza de que isso esteja claro pra todo mundo, o que eles vão receber quando gastarem seu dinheiro por essa música.

The Vinyl District: Esse é um ponto de vista interessante.

Jason Newsted: Eu já toquei vários estilos de música em minha carreira, sabe, no Echobrain, Gov't Mule, Sepultura, DJ Shadow, e várias coisas diferentes. Eu só quero ter certeza de que esteja claro pra todo mundo o que está acontecendo nesse momento.

The Vinyl District: Então, como você compararia o que você está fazendo agora com projetos como Papa Wheelie ou Echobrain? O que é semelhante e o que é diferente nessas experiências?

Jason Newsted: A semelhança é que esse é mais um trabalho feito com amor. Echobrain foi absolutamente um trabalho feito com amor, Voivod foi absolutamente um trabalho feito com amor, e eu coloquei milhões de dólares em ambos os projetos. Esse projeto é igual, sabe, é o meu bebê, mas dessa vez, tem meu nome nele. Eu compus todas as músicas, do começo ao fim, todos os instrumentos, basicamente, e todas as letras. É a minha voz e, pela primeira vez na minha carreira de 32 anos, eu formei uma banda desde o começo. Foi a primeira vez.

Eu já fiz vários projetos e coisas do tipo, com supergrupos, e membros de banda como, sabe, Kyuss, Sepultura, Exodus, e Machine Head, através dos tempos, mas nada além de um projeto apenas. Eu nunca selecionei músicos pra estarem comigo numa banda que leva o meu nome. Até o Flotsam and Jetsam já estava em formação quando eu entrei. Todas as bandas na qual entrei já existiam. Eu entrava como uma nova propulsão; como sangue novo em cada projeto. Dessa vez, é a minha banda, recém saída do forno, desde o começo, então tem algumas diferenças nesse ponto. O papel que eu estou assumindo agora, como o homem de frente, sendo o vocalista e tocando baixo ao mesmo tempo, tem um longo e novo caminho pra ser percorrido aqui.

The Vinyl District: Você mencionou supergrupos. Em 2010-2011 você participou do projeto WhoCares, com Ian Gillan e Jon Lord do Deep Purple, Tonny Iommi do Black Sabbath, Nicko McBrain do Iron Maiden... Todos são lendários. Como foi essa experiência?

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Jason Newsted: Bom, ser chamado pra esse projeto foi uma coisa de outro mundo, me senti humilde e lisonjeado. Digo, apenas saber que Tony Iommi sabia o meu nome, ainda mais me procurar pra dizer, "Cara, você quer tocar baixo numa das minhas músicas?" - foi como uma criança acordando e dizendo "Deixa eu escrever o sonho que eu tive", ou alguma coisa assim. Foi, sabe, o maior professor de todos nós.

The Vinyl District: Tony na verdade balançou a cabeça pra mim, durante o show do Black Sabbath, quando eu tava na primeira fila, reconhecendo a minha presença ali..

Jason Newsted: Exatamente! Você fica tipo, "MEU DEUS!" (risos). Agora multiplique isso por alguns milhões, e foi como eu me senti.

The Vinyl District: Infelizmente Jon Lord não está mais entre nós, mas já houve alguma conversa sobre fazer um outro projeto como esse, ou foi uma coisa única, apenas pra caridade?

Jason Newsted: Sabe, eu nunca digo nunca pra nenhuma oportunidade tão maravilhosa como essa, e Tony realmente mencionou algo sobre gravar alguma coisa no futuro, então eu estou como, "Cara, a que horas você quer que eu esteja lá?"

The Vinyl District: Você mencionou como você era sempre a nova propulsão, a injeção de sangue fresco nas bandas, mas as experiências que você teve em grupos como Voivod e Ozzy Osbourne te deram novas perspectivas em como você aborda a música, ou foram apenas grandes experiências por si sós?

Jason Newsted: Assim como as experiências de qualquer pessoa num dado momento, é aquilo que te forma, assim como estar nas bandas dos meus heróis. Os caras do Metallica eram heróis, e eu pude viver esse sonho. Os caras do Voivod eram heróis, vivi esse sonho. Ozzy - absolutamente um herói. Vivi esse sonho. Então, olhando por esse lado, sou como uma criancinha metaleira de olhos esbugalhados, não importa o que o calendário diga, ainda tenho 19 anos dentro do meu coração. Sabe, "Porra, Voivod! Meu Deus, Ozzy!" Sabe, esse tipo de coisa, então eu quero absorver tudo o que eu possivelmente possa, para melhor ou pior.

Eu absorvo tudo, e isso absolutamente mudou a minha perspectiva ao passar do tempo, aprendendo com os meus heróis e sendo mutualmente respeitado por eles. Recebendo uma aprovação de Ozzy, dizendo "Sabe, você toca como o Geezer Butler jovem," e eu fico tipo "DAHHHHHHH!" Ele achou que eu fosse muito mais novo do que eu era, que é legal pra caralho. Eu estava na banda de Ozzy quando eu tinha 40 ou 41 anos! Ele achou que eu tivesse uns 30, então isso foi muito bacana.

The Vinyl District: Nada mal quando acham que você é mais novo!

Jason Newsted: Definitivamente, nada mal! Sabe, quando alguém quem você respeita muito te mostra algum respeito, é um ótimo sentimento.

The Vinyl District: Com certeza. Você mencionou ter tocado com o METALLICA nos shows em comemoração dos 30 anos da banda, em São Francisco. Fale um pouco sobre isso, como foi essa experiência?

Jason Newsted: Voltando pra aquele grupo, a coisa mais importante pra mim foi rever os amigos, a equipe de turnê, e todas aquelas pessoas que me ensinaram a ser um músico profissional. As mesmas pessoas que trabalham com o Metallica hoje, trabalhavam pra eles 30 anos atrás. Essa é uma das razões pelas quais o METALLICA é o que é.

The Vinyl District: Uau, isso não acontece com muita frequência.

Jason Newsted: É, o que eu quero dizer é que o time foi sempre o mesmo, sempre. Foi o mesmo operador de som nos 3.000 shows ou sei lá quantos. Essas pessoas me criaram, e eu estava indo vê-las. Então eu subi no palco com os caras, e foi tipo "CARAAAAAAAAAAAALHO. OK."

O Hall da Fama do Rock and Roll foi uma coisa. Você tá lá tocando pra uns caras de paletó e gravata, e estão todos sentados. Eles apreciam e tudo, mas não é um show pro fã-clube do Metallica, quando tem três rodinhas ao mesmo tempo. É completamente diferente. Quando aquilo começou a acontecer, e o mesmo sentimento que eu sempre senti no Metallica todos os dias - invencibilidade. A prova de balas. É assim que você se sente quando está lá em cima, com o som naquela altura, naquela união, e é bom pra caralho. Invencível. E vitorioso. Minha palavra pra aquela semana foi vitória.

The Vinyl District: Eu queria tocar em mais um ponto sobre o Metallica, porque, na imprensa, já foi noticiado até cansar. "Você ainda fala com eles? Você ainda se dá bem com eles?", isso já foi dito. O que eu queria saber é uma coisa que você levou consigo do tempo em que estava no METALLICA? Não muitas pessoas, falando de músicos, não muitos chegam a tocar em bandas desse calibre.

Jason Newsted: Bom, com o METALLICA, existem apenas 7 pessoas nesse clube exclusivo. Então, é verdade, é bem raro. Bem... hmm. Nunca querer ser o elo fraco, jamais. Todos nós tínhamos as nossas rotinas, coisas que fazíamos pra nos manter fortes e poderosos. Você tem duas escolhas com tudo o que faz, todos os dias. Todas as ações. Pra fortalecer ou pra enfraquecer. E eu escolhi fortalecer. Todas as vezes. Agora, tem algumas vezes quando você engole um pouco mais de vinho, sabe, nos velhos tempos, ou usa muito seja lá o que for. Esses foram os momentos fracos, mas isso eu aprendi muito rápido.

No final da turnê do Black Album, que foi em 1993, a maioria de nós nos fortaleceu depois disso. Aquelas eram as escolhas que tínhamos, cada dia, com tudo o que você faz. A cada mordida que você dá, seja lá o que for que você coloque pra dentro do seu corpo, o que você bebe, o que você fuma, o que você engole.

Todas essas coisas, elas te fortalecem ou te enfraquecem. Isso foi o que eu aprendi com aquela banda - você sempre vai querer escolher aquilo que te fortalece.

The Vinyl District: Excelente. Vamos pular de volta ao presente. Conte-nos como o Chophouse nasceu. Primeiro, o estúdio, depois a mudança para a gravadora Chophouse. O estúdio veio primeiro, certo?

Jason Newsted: É, nós construímos o estúdio no final de 1991, quando eu comecei a receber alguns cheques por causa do Black Album eu decidi montar um estúdio. Nós o batizamos no dia do aniversário de Elvis, 8 de janeiro de 1992, que também é o aniversário de meu pai, diga-se de passagem, que nasceu com 1 ano de diferença pra Elvis.

The Vinyl District: Um bom dia, então!

Jason Newsted: É! Então, desde aquele dia, lá se vão 21 anos de Chophouse. É uma construção simples, e por fora você não consegue distinguir o que tem dentro. É uma construção velha, grosseira, mas por dentro é incrível.

The Vinyl District: Esses são normalmente onde estão os melhores lugares.

Jason Newsted: É! Eu gravei milhares e milhares de horas de música, de vários estilos de músicos. Alguns muito conhecidos, e outros nem tanto, não no meio do heavy metal pelo menos. Já tivemos rappers, cantores de soul, todos os tipos de jazzistas, violinistas... todo tipo de maluquice através dos anos, e fazemos a nossa sopa musical. Nós buscamos isso constantemente na Chophouse. Tudo fica sempre conectado; a gente simplesmente liga os microfones e manda ver. Nós sempre gravamos tudo o que acontece lá dentro, e temos tido sucesso há 21 anos e, como eu disse, Heavy Metal Music vai ser o primeiro lançamento mundial do Chophouse, uma grande conquista.

A gravadora começou, eu acho, mais ou menos enquanto estávamos fazendo o disco do Moss Brothers, logo antes do disco do Echobrain. Nós decidimos criar a gravadora pra tentar ser capaz de servir música onde as pessoas tenham um pouco de controle sobre a distribuição, e essas coisas todas, e isso já está acontecendo há algum tempo. Acho que há quase uns 15 anos, provavelmente.

The Vinyl District: Então com a gravadora Chophouse, você está feliz que pode tomar a decisão de manter as coisas em casa, ao invés de ter que ir procurar o suporte de uma outra gravadora?

Jason Newsted: Tudo começa com a impressão na Chophouse, depois vão pras distribuidoras. Nós temos, provavelmente, 11 licenças diferentes ao redor do mundo, tentando levar essa música pras pessoas, porque é assim que funciona hoje em dia. Nós temos ajuda da Universal, temos alguma ajuda da Sony, uma ajuda da Geffen, e tantas outras independentes ao redor do mundo, então está bem espalhado. Tudo é lançado pela Chophouse primeiro, sabe, "Chophouse Records, sob licença exclusiva para tal e tal."

The Vinyl District: Existem outras bandas com a Chophouse Records, você tem tentado trazer mais bandas pra gravadora?

Jason Newsted: Não, não é assim que funciona. Só existe uma outra banda que eu gravei mas que da qual não fazia parte, e essa banda foi a predecessora da Echobrain, a banda do principal músico da Echobrain, que já existia antes de eu gravar com eles, quando tinham 16 ou 17 anos, porque eles se mostraram muito promissores. Essa foi a única vez que eu fiz alguma coisa estritamente como produtor. Eu não acho que tenha feito nem os ensaios da Speedealer na Chophouse, acho que todos os ensaios foram num outro estúdio. Tudo o que eu produzi na Chophouse foram minhas próprias bandas, e eu não faço nada de outras bandas lá. É o meu próprio complexo, não é um lugar onde eu deixo muitas pessoas entrarem.

The Vinyl District: Você mencionou que o Heavy Metal Music vai ser lançado em vinil. O que você acha do vinil no estado em que a indústria musical está hoje?

Jason Newsted: Eu amo vinil. Por causa da época de que eu venho, da geração da qual eu faço parte, eu amo vinil. Foi isso que eu conheci, e claro é um produto que posso tocar com mãos. Impressões digitais por todos os cantos dos cartazes, discos, encartes e tudo o mais, isso é o que deve acontecer. Então isso é o certo pra mim e tenho orgulho que até nos dias de hoje nós podemos lançar um disco de vinil com todos os outros formatos que estão disponíveis, e todas essas coisas. Acho uma coisa muito bacana. Eu não sou moderno ou tenho educação suficiente pra saber se ainda faz sentido lançar vinis, financeiramente ou economicamente ou qualquer coisa desse tipo, ou se é apenas um saco. Eu apenas estou feliz que o vinil ainda exista.

The Vinyl District: Você tem alguma loja de discos favorita na sua cidade?

Jason Newsted: Bem, tem a Amoeba Records. E isso é... todo o resto fica bem ao sul de lá, até onde eu saiba. (risos) Tem a Rasputin também, que fica encostado em segundo lugar, mas a Amoeba domina esse universo. Tenho duas dessas lojas num raio de 30 kilometros da minha casa.

The Vinyl District: Todos tem um disco especial. Qual álbum era especial pra você quando você era mais jovem?

Jason Newsted: (respira fundo... pensando)

The Vinyl District: Volte a sua infância e se imagine pegando esse disco...

Jason Newsted: Eu vou dizer Sabbath Bloody Sabbath (do Black Sabbath) ou o 2112 do Rush. Esses eram os discos que estavam absolutamente impregnados em mim, eu ouvia os discos até que furassem. Com relação ao aprendizado do baixo, eu digo que o disco do qual eu mais conheço as nuances, mais do que qualquer outro, é o terceiro disco do The Jackson Five, que eu ganhei do meu irmão mais velho no meu aniversário de 8 anos. Todas as pequenas coisas, as batidas da bateria, as linhas de baixo, da guitarra, da respiração, dos "OHHH!... todos e cada um dos detalhes. Se você colocar uma agulha nesse disco, vai abrir um buraco. O disco já não tem mais nenhum sulco, só uma zoada tipo "vvvvvp!" É assim que está. Muito doido, cara. Então, é, Jackson Five foi o primeiro, mas se tratando de música pesada, é Sabbath Bloody Sabbath.

The Vinyl District: OK! Essa é uma dupla bem interessante.

Jason Newsted: Bem, pense comigo por um segundo, James Jamerson estava tocando baixo nesse disco. Eu não teria sabido disso, claro, mas essa é provavelmente uma das razões pelas quais eu toco baixo. Eu ouvi todas essas coisas da Motown quando eu era uma criança. Eu morava em Kalamazoo, e depois Niles, no estado de Michigan, sabe, no meio do caminho entre Chicago e Detroit. Então na Woolworth's, por 19 centavos você ia na seção de álbums de 45rpm e comprava um disco de 'garage funk', sabe, todas essas bandas diferentes que tinham lançado apenas um single. Todas essas bandas tocando músicas onde o baixo domina, e isso tocava por toda a casa quando eu era uma criança. Naquela época eu não sabia, mas olhando pra trás, existe uma razão pela qual eu fui atraído pelo baixo desde o começo, e o motivo dessa atração foi a música soul.

The Vinyl District: Bem, você estava no meio do caminho entre o blues e o Motown, morando onde você morava.

Jason Newsted: Absolutamente certo. Música negra maciça. Música dominada pelo baixo. Ponto.

The Vinyl District: Já que estamos falando sobre os primórdios de Jason Newsted, aparte do que você já falou, quem, ou o quê, fez você entrar no mundo da música?

Jason Newsted: Eu acho que no começo, quando peguei um violão, foi o Lynyrd Skynyrd. Eu meio que curtia o que estava acontecendo com eles, e naquela região, no meio-oeste dos Estados Unidos e tal, eles eram tocados no rádio até dizer chega. Esse era, talvez, o lugar onde eu queria chegar, como um estudante de violão, e no meu nono natal, eu ganhei um violão de presente. Acho que eu tinha 10 anos na época, eu tinha 3 tarrachas de cada lado e então eu arranquei uma de cada lado, e fiquei com 4. Eu tinha uma corda de cada lado do braço, duas cordas saindo do meio, porque eu não sabia nada sobre trocar a pestana, nem nada disso, sabe. Uma aqui, outra lá, duas ali... (risos). Eu queria transformar o violão num baixo na mesma hora, e eu acho que quando eu já tinha 12 anos, alguém levou um disco do Kiss pra escola, e foi isso.

The Vinyl District: Eles mudaram muitas vidas naquela época, musicalmente falando.

Jason Newsted: Uma vez que o Kiss apareceu, e esses personagens de quadrinhos que se tornaram reais, pra mim era aquilo, eu queria ser Gene Simmons, então meu pai me deu um baixo elétrico, e "olhe só pra você agora!" (risos)

The Vinyl District: Então, você mudou o seu caminho musical alguma vez antes de entrar no Flotsam and Jetsam, ou uma vez que você ouviu Kiss e Black Sabbath, você se manteve todo o tempo interessado em música pesada?

Jason Newsted: Nas primeiras bandas das quais fiz parte, em Michigan, eu era sempre o mais novo. Eu tinha 16 anos e todos os outros tinham 26, 27 anos. Eu tava na verdade tocando baixo e cantando, naquela época. Nós tocávamos Ted Nugent, AC/DC, Riot, Tom Petty, Bad Company, essas coisas, sempre voltados pro lado mais pesado. Nós tocávamos muito Rainbow também, como 'Stargazer' e esse tipo de música, e Riot. Ah, que música era aqueia... (canta a melodia) 'Road Racin'', esses tipos de música. Mais pro lado do New Wave of British Heavy Metal, coisas com sentimento, e The Clash, antes que eu soubesse o que eles realmente eram.

Depois o Motörhead entrou na jogada por volta de 1978 e tomou o lugar do Kiss, pra mim, e Lemmy tocando baixo com uma palheta, de repente, fez o mundo ficar melhor pra mim. A partir dali, ficou uma coisa bonita. Sabe, eu era motivo de piada no começo, acho que dos 19 aos 22 anos, porque não tocava baixo com os dedos, tocava com uma palheta, sabe, "baixistas de verdade não tocam de palheta, blá, blá, blá." Eu era jovem e impressionável, e competitivo, então eu simplesmente dizia "ah é? Então se foda, cara." Aí Lemmy fez isso se tornar normal, porque ele estava explodindo tudo. Ele é o líder do grupo, o principal compositor naquela banda, e ele tá tocando baixo, e soa muito bem! Ele fez ficar normal tocar baixo de palheta.

The Vinyl District: Gene Simmons sempre usou palheta, mas ninguém nunca reparou, na verdade. Mas parece que isso só se tornou uma coisa normal quando Lemmy validou.

Jason Newsted: Esse é um dos meus argumentos preferidos hoje. Só existe um único baixista bilionário no universo, só existiu um, seu nome é Paul McCartney, e ele toca com uma palheta. O segundo colocado tem uns 600 ou 700 milhões de dólares, e toca com uma palheta. Seu nome é Gene Simmons. Tem um outro cara, seu nome é Sting, Ele está mais abaixo, tem uns 200 milhões de dólares. Ele toca com uma palheta. Ou com o dedão, mas ainda assim, com uma palheta. Quando o The Police estava rolando, aquela coisa do "bong-don-ding-dong", ele fazia isso com uma palheta. Jason Newsted aqui? Ainda fora da casa das centenas de milhões de dólares, mas não fez tão mal, mas tá ganhando desse jeito! Eu toco com uma palheta. Então, qualquer um desses caras que queira argumentar sobre isso, eu estou aqui.

The Vinyl District: Parece que você já tem alguns bons argumentos na ponta da língua.

Jason Newsted: (risos) É, tenho alguns bons argumentos.

The Vinyl District: Depois da Gigantour, qual o próximo passo para a NEWSTED, para o restante de 2013 e nos próximos anos?

Jason Newsted: Nós temos o lançamento do disco na próxima semana (n.t. o disco foi lançado no último dia 6 de agosto). Não íamos fazer nada no último trimestre mas acho que vamos dar uma olhada nisso de novo, agora que as análises do álbum foram tão positivas. Eu acho que temos 56 das 66 principais estações de rádio tocando nosso single essa semana, e tem algumas coisas grandes acontecendo que nós não poderíamos ter previsto.

Nós podemos tentar fazer alguma coisinha mais pro final do ano, se conseguirmos algumas boas ofertas. Nós já confirmamos alguns shows no Círculo do Pacífico pro começo do ano que vem - Japão e Austrália. Depois embarcamos pra América do Norte, América do Sul e México. A atmosfera do METALLICA e da NEWSTED na América do Sul são gigantes, então vamos fazer muitos shows por lá, eu sinto isso. De volta à Europa, tivemos algumas boas ofertas pra tocar lá. Vamos voltar durante a maior parte de junho novamente para tocar nos festivais e tal, é um horizonte muito promissor, com muitas coisas boas acontecendo.

The Vinyl District: Parece que coisas ótimas estão acontecendo para a NEWSTED.

Jason Newsted: É. Trabalho duro, sabe - trabalho duro resulta nisso, e não vamos parar de perseguir. Eu ainda não parei, então...

O novo álbum da NEWSTED, Heavy Metal Music, foi lançado mundialmente no último dia 6 de agosto.

Show completo da Newsted no dia 27 de abril no Rock Hard Live:


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Sobre Felipe Mascarenhas

Nascido em Salvador, na Bahia, é amante da música, frequentador de shows e nas horas vagas, traduz matérias e entrevistas para o Whiplash.Net. Ouve tudo aquilo que lhe agrada, mas desde que ouviu Metallica pela primeira vez, em 2001, bandas de rock e heavy metal nunca mais saíram das suas playlists.

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