Last Sigh: Metalcore direto do Paraná

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Last Sigh: Metalcore direto do Paraná


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A banda do Paraná aposta num Metalcore pesado, e tem tudo para consolidar seu nome no cenário nacional. Formada por Deko (Vocal), André Luis (Guitarra), Marcus Zerma (Baixo), Douglas Rossi (Bateria) e Renato Rossi (Guitarra), com quem fiz esta entrevista, numa conversa franca e bem humorada. Conheçam um pouco mais do Last Sigh…

Vicente: A Last Sigh já está em seu sétimo ano de existência. Como vocês avaliam a trajetória da banda até este momento?

Renato Rossi: Lenta (risos), mas sólida... Eu lembro que, no inicio da banda, demoramos bastante para começarmos a fazer shows, para compormos, etc... Não vejo como uma coisa ruim, pelo contrário, nunca tivemos muita pressa em sair fazendo shows a qualquer custo, isso foi crucial para amadurecermos nossas ideias e aprendermos certas coisas que só o tempo proporciona, nos ajudou a criarmos certa maturidade para explorar melhor as oportunidades que temos agora.

Vicente: Seu primeiro disco “Beneath of the Flesh, Rotten”, foi lançado recentemente. Como está sendo a reação do público?

Renato Rossi: Bem positiva. Estamos recebendo convites para tocar em lugares que até então pareciam difíceis de visitarmos, isso é um sinal que nossas músicas tem chegado a ouvidos bem distantes (risos). Volta e meia recebemos comentários de pessoas de estados do Brasil no qual nunca tivemos muito contato, alguns de fora do país também. Acredito que não poderíamos esperar uma reação melhor para um primeiro CD lançado de forma independente.

Vicente: Vocês lançaram no Youtube um “Making of” da gravação, onde algumas vezes citam a diferença entre simplesmente tocar e realizar uma gravação profissional. Foi muito difícil gravar este disco?

Renato Rossi: Com certeza, justamente por ser o primeiro. A inexperiência nos limitou um pouco de forma técnica ao executarmos as músicas, alguns detalhes são imperceptíveis, por não estarem muito claros na gravação, algumas partes estão soando ligeiramente diferentes do que realmente tocamos, mas acredito que isso deu uma certa característica para o disco, faz com que nosso show seja uma experiência nova, que traz uma nova sensação pra quem já conhece as músicas...

Trabalhar com um produtor de fora do Brasil também não é fácil. As horas de conversas em uma língua que não é a nossa nativa e nem a do produtor (risos), tentando explicar o que esperávamos e mais uma série de outros problemas causados pela distância, tornou certa parte do trabalho um pouco complicada, mas, quando ouvimos o resultado, para nós justificou todo esforço.

Vicente: Ficaram plenamente satisfeitos com o resultado?

Renato Rossi: Plenamente acredito que não, mas descobrimos que não tem como estar 100% satisfeito com um disco (risos). Você sempre quer mudar alguma coisa ou outra, ainda mais com o passar do tempo. Hoje quando ouço o CD, tenho a sensação que deveria ter regravado algumas coisas, ter gravado outras de forma diferente, mas acredito que todos da banda estão felizes com o resultado, é uma boa representação nossa e de uma época importante de nossa carreira.

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Vicente: O som do Last Sigh é um Death Metal com algumas influências mais modernas, correto? (ou talvez não tão correto, e sim mais uma “viagem” do entrevistador, risos) Quem são suas principais influências nesse estilo atualmente?

Renato Rossi: Na verdade acho que é a primeira vez que nos chamam de Death Metal (risos), mas vou considerar como uma coisa boa (risos)! Bom, cada integrante tem suas influências variadas, ultimamente até onde eu sei, cada um tem escutado coisas bem diferentes do que tocamos, mas atualmente acho que nosso som está bem próximo de bandas como Parkway Drive e As I Lay Dying, depende muito do ponto de vista. Quando estávamos compondo o disco, ouvíamos muito essas bandas.

Vicente: Vocês fizeram shows com bandas de grande destaque, como As I Lay Dying, Caliban, Asesino, Krisium, Killswitch Engage, entre outras. Como rolou estes shows?

Renato Rossi: Cada um deles rolou de forma diferente, acho que depois que se consegue o primeiro, os outros ficam mais fáceis...

O Asesino a gente acabou arranjando com um produtor local, foi à primeira abertura de banda internacional que fizemos, conseguimos levar uma galera legal para o show e isso impressionou o organizador abrindo novas portas para nós aqui em Curitiba.

Todas as outras bandas foram pela Liberation como “booking”, na época que o As I Lay Dying tinha confirmado shows no Brasil, ensaiávamos no estúdio do Gabriel, um dos responsáveis pela organização dos shows da Liberation aqui em Curitiba. Entramos em contato com o Marcos, dono, mas acho que ele só retornou porque o Gabriel tinha comentado com ele sobre nós, acredito que só conseguimos o show porque na época já tínhamos tocado com o Asesino, isso passou uma certa credibilidade. Como eu disse, uma coisa leva a outra...

Vicente: Como avalia o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

Renato Rossi: Depende do ponto de vista... Atualmente as pessoas estão mais ligadas nas bandas nacionais, acho que, como um todo, estamos conseguindo chamar mais atenção, saiu muitas coisas boas ao mesmo tempo, o que deu aquela sensação de estouro da cena... E realmente, acho que como um todo, a cena está bem mais evoluída, as bandas estão tocando melhor, as músicas são melhores e as gravações profissionais. Nunca ouvi tanto a frase “não deve nada para as bandas gringas” como agora...

Porém, em termos de estrutura, ainda temos que evoluir muito, produtores não querem investir em equipamentos e as casas não cedem espaço para o rock em geral, pois preferem trabalhar com outros estilos mais interessantes financeiramente. É meio complicado fazer shows com qualidade, a carga fica toda em cima da banda. Em Curitiba especialmente, acredito que de uns 3, 4 anos pra cá, a estrutura da cidade para shows diminuiu muito, e consequentemente a qualidade dos shows também

Vicente: Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

In Flames: Eu pessoalmente curto pra caramba, ouvi e ouço bastante, com certeza uma grande influência.

Lamb of God: Sou suspeito para falar (risos), é minha banda favorita desde provavelmente 2005, ao mesmo tempo em que a música deles me empolga como nenhuma outra banda faz, me causa certa depressão, pois suas composições parecem anos luz à frente das minhas (risos)!

As I Lay Dying: Já foi uma das bandas que escutei “pra caramba”, mas não tenho gostado muito das ultimas músicas que eles tem lançado por achar meio “fórmula” demais, mas o “Shadows are Security”, na minha opinião, é um dos melhores discos no estilo, gravação e produção impecável e músicas excelentes, com certeza foi um dos responsáveis pelo “Boom” do Metalcore lá fora...

Krisiun: Não é muito o som que eu ouço, mas é uma banda que eu respeito muito, o Max Kolesne é um cavalo! Gosto de ter esse tipo de representação brasileira no metal, é um nome que tenho ouvido com mais frequência na boca dos gringos do que Sepultura...

Pantera: O “Cowboys From Hell” saiu no ano que eu nasci (risos), quando tinha idade pra virar fã da banda o Dimebag já estava no Damageplan, e isso meio que me corta o coração (risos). É uma banda que é referência até hoje pra qualquer “metaleiro”, consigo ver um toque de Pantera na maioria das bandas modernas, Lamb of God, entre outras...

Vicente: Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Last Sigh e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Renato Rossi: Primeiramente obrigado pelo espaço cedido!

Valeu você também que leu até aqui (risos)

Se não conhece a banda estamos com o CD inteiro em streaming www.facebook.com/lastsigh - caso tenha interesse em adquirir a versão física ou camisetas entre outros itens da Last Sigh, temos uma loja online em http://lastsigh.tanlup.com/, valeu pelo apoio, “vamo que vamo”!

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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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