Necrobiotic: entrevista com a banda de death metal

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Necrobiotic: entrevista com a banda de death metal

Postado por Christiano K.O.D.A. | Fonte: Som Extremo

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O resgate do death metal clássico é sempre muito bem-vindo. As bandas que o fazem realmente são engajadas na causa, não importa de que forma se expressem. Dentro dessa fidelidade existe a Necrobiotic, que lançou recentemente seu primeiro full-length “Alive and Rotting” (ver link de resenha ao final da matéria), uma verdadeira homenagem ao estilo. Quem respondeu por e-mail as perguntas do blog Som Extremo foi Flávio Oliveira, mais conhecido como F.A.C.O., vocalista e guitarrista do conjunto, que é completado pelo baixista e backing vocal Alexandre, pelo outro guitarrista J. Hell e pelo baterista Broka. Vivam e apodreçam nesta entrevista.

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Som Extremo: Vocês fazem um som bastante direto, sem firulas. Essa sempre foi a proposta da Necrobiotic?

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F.A.C.O: Sim, o Necrobiotic desde os seus primórdios primou por fazer um som pesado, brutal e rápido. Nós investimos em melodias também, mas sempre tentamos transportar isso para o âmbito do Death Metal, onde ficamos mais confortáveis, e isso faz com que as próprias melodias soem bastante sujas.

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Som Extremo: As mais nítidas influências em “Alive and Rotting” parecem ser Cannibal Corpse e Carcass (em especial devido ao timbre de guitarra). Concorda com isso? Quais as outras influências da banda?

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F.A.C.O: Concordo. Nós crescemos na década de 80 e 90, ouvindo metal extremo. Eu diria que o Death Metal da década de 90 é nossa principal influência. Carcass, Entombed, Sarcófago... alguns álbums do Cannibal certamente são uma influência também. Outra cena que nos influencia muito é a nova safra Splatter (nem tão nova assim). Ouvimos e gostamos muito de bandas como Impaled e Aborted.

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Som Extremo: Levou 14 anos para vocês lançarem o primeiro full-length. Como analisam a trajetória da música extrema de lá para cá? Isso mudou o jeito de comporem, ou sempre foi um só, independentemente do contexto?

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F.A.C.O: A primeira música da qual participei da composição no Necrobiotic foi a “Never Will”, isso em 1997. Outras músicas são até mais antigas que ela, como a “Calamitous Epidemic” e a “Viruses of Your Sickness”. Não acredito que tenhamos mudado nosso jeito de compor, é muito parecido com o que fazíamos naquela época. Hoje talvez nos preocupemos mais com harmonia e complexidade, afinal tocamos melhor do que tocávamos em 1994.

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A cena da música extrema mudou da década de 90 para os dias atuais. A cena brasileira era maior, mais pessoas envolvidas e interessadas em metal nacional. Me parece que houve uma ausência de renovação, sendo que poucas pessoas novas se envolvem com a cena, e como alguns tombam pelo caminho, estamos diminuindo.

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Também há uma falta de interesse generalizada no metal produzido no Brasil e um endeusamento exagerado de bandas estrangeiras...

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Som Extremo: Falando nesses 14 anos, vocês mantiveram a sonoridade típica de bandas death dos anos 90. Foi proposital ou tudo muito natural?

F.A.C.O: Cara, nós crescemos nessa sonoridade, nesse estilo de vida. Isso é totalmente natural para a gente, é como se fosse parte daquilo que nós somos.

Som Extremo: Qual a análise que fazem da própria gravação do CD?

F.A.C.O: Nós gravamos o “Alive and Rotting” no estúdio no qual ensaiamos. Este estúdio não é um estúdio profissional, de maneira que houve muitas limitações técnicas. Nós mesmos produzimos, mixamos e masterizamos o álbum. Foi uma luta fazer essas guitarras soarem assim, o dono do estúdio queria se meter de todo jeito, fazendo soar mais convencional. Enfim, acho que falta grave na gravação, o que daria mais punch ao álbum, mas nós gostamos do resultado final, principalmente levando em conta as limitações do estúdio e de conhecimentos que nós tínhamos para realizar a produção.
No nosso próximo trabalho gravaremos em um estúdio profissional com a ajuda de um produtor de verdade, que possa nos ajudar a conseguir um resultado melhor.

Som Extremo: E quanto à parte gráfica, o que podem dizer? Qual foi a inspiração?

F.A.C.O: Queríamos algo que remetesse à volta da banda, daí surgiu o nome “Alive and Rotting”. Nem existia a música na época, depois que a escrevemos. E a ideia da capa surgiu justamente por causa dessa letra. Um grande amigo da banda conseguiu me levar para um “tour” em um laboratório aqui da cidade (naturalmente eu não posso revelar o nome da pessoa, nem do laboratório) que realiza biópsias e “coincidentemente” eu tinha levado minha máquina fotográfica. O laboratório tem todo tipo de recorte humano que você possa imaginar... fiz a farra lá, e dentre as fotos que eu tirei estava esta dos fetos, que foram delicadamente colocados naquela posição.

Da foto até a capa nós contamos com a ajuda do Pablo Rodrigues, um grande amigo nosso, headbanger, e especialista em design gráfico. O camarada transformou a foto que tiramos em uma puta capa. Quando vi, nem acreditava que era a mesma foto que estava ali. Se você tiver uma banda e precisa de um trabalho gráfico fodido, coisa boa, entre em contato com ele, o e-mail é o seguinte: [email protected], o Necrobiotic recomenda.

Som Extremo: Além da divulgação do recém-lançado “Alive and Rotting”, já existem outros planos futuros para a Necrobiotic? Um clipe, talvez?

F.A.C.O: Temos realizado vários shows para divulgar nosso primeiro full-length e gostaríamos inclusive de tocar em outros estados para conhecer melhor a cena destes locais, e também divulgar nosso trabalho. Caso você, produtor/organizador de shows ache interessante que o Necrobiotic toque no seu Fest, entre em contato conosco através do e-mail [email protected] Já estamos preparando o nosso novo trabalho. Eu diria que caminhamos satisfatoriamente para gravá-lo já em 2012. Estamos à procura de selos e distribuidoras para serem nossas parceiras neste lançamento.

Temos dois clipes que nós mesmos produzimos para ajudar na divulgação do “Alive and Rotting”, um para a música “Foie Gras”, que ficou bem bacana (clique aqui para conferir), cheio das imagens de fetos e autópsias, e um vídeo para a música “Shame”, esse inteiramente retirado de um show (veja aqui).

Som Extremo: Hoje em dia, como está o cenário mineiro extremo? Mais ou menos feroz do que nos anos 80 e 90?

F.A.C.O: O cenário mineiro é muito legal, com bandas muito boas que não devem nada para as gringas - são até melhores do que elas. Eu gosto muito da cena da década de 80 também, e certamente nós não reviveremos alguns dos acontecimentos daquela década. Aquele foi um momento especial, que ocorreu em poucos lugares no mundo, e dificilmente irá ocorrer novamente (nota do redator: F.A.C.O. refere-se ao grande boom de bandas extremas de Minas, como Sepultura e sarcófago, por exemplo). Eu diria que o cenário atual é mais feroz, mais extremo do que nessas outras décadas, e é muito prazeroso saber que o Necrobiotic esta participando ativamente dele, construindo o presente do underground.

Som Extremo: O som Extremo agradece as palavras! Gostaria de acrescentar algo?

F.A.C.O: O nosso álbum está disponível em algumas lojas, sites e distribuidoras. Quem tiver interesse é só entrar em contato com algum dos locais na lista abaixo, ou diretamente com a banda através do e-mail [email protected], ou do myspace, www.myspace.com/necrobioticdeathmetal.
Lojas: Cogumelo (BH), Mutilation (SP), e Zeppelin (POA), Fator Rock (DIVI);
Distribuidoras: Rotten Foetus, Sevared (EUA);
Loja virtual: Reign in Metal.

Eu gostaria de agradecer o espaço cedido ao Necrobiotic, e desejar longa vida ao Blog Som Extremo, um excelente espaço dedicado à música extrema, que divulga e apóia as bandas brasileiras.

Resenha do “Alive and Rotting”:

http://somextremo.blogspot.com/2011/08/necrobiotic-alive-and...

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Sobre Christiano K.O.D.A.

Um cara diretamente ligado ao Som Extremo, fã de livros e filmes, formado em Imagem e Som, Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Faz parte da banda de grindcore Prey of Chaos e tem um blog dedicado à música barulhenta. Enfim, alguém que faz da música sua vida.

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