Kamala: neste imenso cenário, difícil é soar original

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Kamala: neste imenso cenário, difícil é soar original

Postado por Écio Souza Diniz | Fonte: Pólvora Zine

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Oriunda de Campinas, a banda KAMALA, vem se destacando na cena Thrash metal nacional, com músicas intrincadas, furiosas e shows enérgicos. Neste imenso cenário do estilo, coisa difícil é soar original, visto o enorme número de cópias que surgem por aí. Assim, como uma proposta de um som agressivo, porém bem elaborado, eles dividem palcos com grandes nomes do Metal brazuca e têm arrastado para si número crescente de fãs. Para nos falar sobre sua trajetória, o guitarrista/vocalista Raphael Olmos e o baterista Nicolas Andrade, vieram repletos de entusiasmo em falar do trabalho que fazem.

Pólvora Zine: A banda foi formada em 2003 e lançou seu primeiro registro, a demo “Corrosive” em 2005. Como foi o início das atividades, o caminho percorrido até este lançamento? E como foi a recepção dos amantes do Thrash metal e headbangers no geral?

Raphael: Queria formar uma banda para fazer musicas pesadas e com muita energia, mas assim como a maioria das bandas, muitos testes foram feitos até fixar a primeira formação. A formação da demo “Corrosive” era um trio, comigo no vocal/guitarra, Nicolas na bateria e Adriano no baixo. Para a gravação do debut, auto intitulado “Kamala”, produzido e gravado pelo Ricardo Piccoli, foi adicionado uma segunda guitarra na banda, pois com os shows da demo, percebemos que na hora dos solos, a música perdia um pouco o peso. Algumas portas se abriram, o álbum de estréia foi bem recebido pelo público e crítica. Pouco antes de finalizar as músicas do segundo álbum “Fractal” o outro guitarrista resolveu sair por motivos pessoais, e é aí que o Andreas entrou na banda e se encaixou perfeitamente, colaborando logo de cara para muitos arranjos do “Fractal”. Novamente gravado e produzido no Piccoli Studio, este álbum realmente está abrindo portas importantes e mostrando que o Kamala veio para ficar!

P.Z: Como foi o trabalho com Ricardo Piccoli na gravação do álbum de estreia, auto-intitulado “Kamala”? O quanto e como você acha que a participação dele no processo, colaborou para que a banda, obtivesse o bom resultado mostrado no disco?

Raphael: Falamos que o Ricardo Piccoli é o quinto membro da banda, ele desde o início entendeu a proposta da banda e desenvolveu um trabalho fantástico! Sem dúvida nenhuma com outro produtor o resultado, tanto da qualidade do áudio, quanto das idéias das músicas, o álbum de estréia não seria o mesmo. Principalmente para os vocais, ele me mostrou que poderia experimentar e alcançar estilos que nem mesmo eu sabia antes de entrar em estúdio, crescemos muito com a gravação do primeiro álbum e nos orgulhamos de ter feito a estréia com este álbum.

P.Z: “Kamala”, tem composições que esbanjam vitalidade. Como foi o processo criativo para o álbum, já havia retenção das ideias por parte de algum membro da banda? Aliás como vocês dividem o trabalho na hora de compor?

Raphael: Na banda todo mundo tem carta branca para compor e fazer os arranjos. Geralmente alguém compõe algo em casa e mostra uma prévia por email ou mostrando nos ensaios, se a idéia não for aprovada logo de cara, dificilmente continuaremos o trabalho em cima, tem que ser algo que todos sintam potencial. As letras a maioria são minhas e o Nicolas também contribui nesse processo, letras não podem ser “forçadas”, as vezes surgem varias, as vezes demora muito tempo para se surgir algo interessante, então deixamos isso fluir e na maioria das vezes na banda, a letra é a ultima parte a ser trabalhada.

P.Z: Houve algum motivo em especial para inclusão das cinco músicas de “Corrosive” no álbum?

Raphael: Simplesmente incluímos as cinco musicas da demo, pois sentíamos uma força nelas e que elas poderiam ter uma nova cara, com novos arranjos, uma gravação de qualidade muito superior e ter uma execussão melhor também.

P.Z: Atualmente vocês estão divulgando o segundo álbum, “Fractal” (2009), e contam com a participação do guitarrista Andreas Dehn. O que ele mais acrescentou à banda e sua sonoridade? Como vem sendo a resposta do público a este disco em detrimento do anterior?

Raphael: O Andreas foi o guitarrista perfeito para se juntar ao Kamala. O primeiro álbum, quase todas as músicas foram feitas para uma guitarra, então todo o trabalho da segunda guitarra é acrescentar peso unicamente, para o segundo, já estava trabalhando “dobras”, arranjos, camadas e tudo mais, e a visão e técnica que o Andreas tem para arranjos, melodias e harmonias é espetacular!

Raphael: Trabalhamos muito nas estruturas das músicas e sentimos que as músicas do “Fractal” são um próximo nível, comparado com as músicas do álbum de estréia. A resposta do público vem sendo muito positiva, e o pessoal que já acompanhava a banda também comenta da evolução da banda. E ao mesmo tempo, esse segundo trabalho nos trouxe muitos fãs.

Raphael: Com o “Fractal”, simultaneamente, lançamos nosso primeiro vídeo clipe, da faixa “Consequences”, feito por uma produtora nova, mas que vem se destacando e crescendo cada vez mais no mercado, devido a qualidade de equipamento e edição diferenciada, feita por profissionais com ótimas idéias, a Studio Kaiowas. E para continuar a divulgação do “Fractal” lançamos recentemente pela Studio Kaiowas o segundo clipe, agora da faixa “Stand On My Manger”, que contem cenas da banda ao vivo. E para o final do ano, já estamos conversando sobre a filmagem do terceiro clipe deste álbum.

P.Z: O “Fractal” tem momentos densos e arrasadores como em 'Consequences', 'Push' e 'Purify' e 'Determination'. Nota-se um grande evolução da banda desde o primeiro disco e o clima do álbum no geral é excelente. O que você diria de ambos, comparativamente falando?

Raphael: O primeiro álbum foi feito para uma guitarra, apenas no final do processo que decidimos colocar outra guitarra para não perder o peso nos shows e tinha aquela vontade de dar as caras, um primeiro lançamento full é uma grande dificulade e ao mesmo tempo uma grande conquista, por isso o debut é mais direto. Para o “Fractal” estávamos muito mais maduros e a entrada do Andreas trouxe um novo gás para a banda, pois ele é um excelente guitarrista e principalmente tem visões para melodias incríveis! O álbum inteiro caminha junto e ao mesmo tempo cada música tem a sua individualidade/força. E para finalizar, a produção, que ficou a cargo novamente do Ricardo Piccoli, ficou fantástica! Juntamente com toda a arte gráfica feita pelo Newasko Design e o vídeo clipe da faixa “Consequences” produzido pela produtura Studio Kaiowas e lançado como faixa multimídia em HD no CD. Sem duvida está sendo um trabalho que está abrindo muitas portas.

P.Z: A crítica recebeu muito bem “Fractal”, o que possibilitou grande exposição da banda, maior número de shows. Mas algo interessante no quisito divulgação, foi a idéia de transmitirem o ensaio pela internet. De onde surgiu a idéia e qual foi o resultado?

Nicolas: A ideia de transmitir o ensaio ao vivo na verdade fez parte de todo um trabalho de divulgação para o show do Roça ‘N’ Roll, e também havia o intuito de mostrar aos fãs como funciona a banda fora do palco, e isso com certeza foi muito bem recebido por todo o pessoal que acompanha a banda através das mídias sociais. O pessoal elogiou a iniciativa e esteve presente durante toda transmissão. Com certeza estaremos preparando algo do tipo para daqui algum tempo! Fiquem ligados!

P.Z: Outra coisa que chama a atenção na banda, é a capa, que trata de temas hindus. Qual o motivo específico para esse tipo de abordagem? E as letras fazem muitos questionamentos ao ser humano, isto é meio que um padrão que a banda deseja seguir liricamente?

Nicolas: Bom, muita coisa é trabalhada com essa temática justamente por conta do nome da banda e para dar um clima ao material, no caso do “Fractal” a idéia era retratar os dois lados da moeda de cada um de nós. Nós carregamos energias positivas e negativas dentro de um mesmo corpo e isso chega a tona de diversas maneiras, então muito do que acontece no mundo está no desequilíbrio dessas forças, por isso tentamos trabalhar essa idéia de transtorno ao qual somos expostos a todo momento.

Nicolas: Sobre as letras, eu acredito que sim, este seja uma tipo de padrão, pois não existe uma solução sem um problema, então nós questionamos para que cada um busque as respostas dentro de si mesmo, para que se enxerguem e tentem entender o porque do mundo estar como está, o porque dos rumos que a vida toma. Não adianta apenas ficar culpando uns aos outros, buscando soluções milagrosas ou guerreando por causas sem sentido, temos que nos auto-interpretar antes de sair agindo de forma impensada.

P.Z: O que você acha da cena do Thrash metal atualmente, sobretudo do retorno e persistência de muitas bandas clássicas do gênero?

Raphael: Atualmente o Thrash metal voltou a se fortalecer. Quando digo fortalecer, falo perante a valorização, novas bandas surgindo com essa influencia, mídia fazendo matérias das bandas do estilo e etc... pois é um estilo que tem um público muito apaixonado e fiel, nunca vai morrer. O retorno de algumas bandas, traz o sentimento de nostalgia, acho totalmente valido bandas retornando, celebrando uma era extremamente importante para a música pesada em geral, o que apenas não sou a favor, são o surgimento de novas bandas, onde estas, acham que vivem em plenos anos 80, cada época é uma época. O que as pessoas na década de 80 viviam, políticamente, socialmente, tecnologicamente e tudo mais, eram muito diferente dos tempos de hoje, então não sou a favor de bandas que acham que estão na Bay Area em qualquer canto do planeta, aquilo foi algo único e acho que o pessoal tem que respeitar, admirar, se inspirar...mas não fazer um cópia, o que você vai escutar, o que é real ou o que é copiado? Nossa escola é o Thrash metal, mas olhamos para frente.

P.Z: Como foi comentado, vocês tocaram aqui em Minas, na 12° expedição do Roça and Roll, em Varginha, ao lado de bandas como CORPSE GRINDER e TORTURE SQUAD. Como foi este show para vocês?

Raphael: O Roça ´n´Roll vem se tornando maior a cada ano que passa. O público presente é simplesmente insano e agitaram do começo ao fim! Registramos esse show e muitas imagens estão no nosso próximo vídeo clipe a ser lançado, novamente pela produtora Studio Kaiowas (que trabalhou no clipe da “Consequences”). Esperamos voltar nas próximas edições e tocar para esse público fantástico e nesse evento que vem sendo muito importante para a valorização do Metal nacional.

P.Z: Há planos para o 3° álbum em andamento? O que pode-se esperar de um novo trabalho da KAMALA?

Raphael: Em paralelo ao trabalho de divulgação do “Fractal”, estamos trabalhando o terceiro álbum, com previsão de lançamento no final de 2011/início de 2012. Já temos mais de 30 idéias e até iniciar a gravação, continuarão surgindo novas idéias. Todas essas idéias estão na fase do “esqueleto”, sabemos que as músicas vão tomar formas, vão crescer, mas o que podem esperar é que nós sempre vamos procurar elevar o nível com relação ao trabalho anterior e fazer músicas que somos apaixonados. E sinto que teremos um álbum forte por vir, tudo está muito no início, mas já sinto músicas com potencial de ficarem poderosas no estúdio e ao vivo para o nossos fãs.

P.Z: E os shows atualmente, há possibilidade de uma tour no exterior? Tem havido propostas interessantes?

Raphael: Sinceramente não surgiu nenhuma proposta interessante para uma tour no exterior. Tudo vai acontecer na hora certa, para quando sair, fazermos um bom trabalho de divulgação lá fora, com uma estrutura legal e uma boa agenda de shows por lá. Vai acontecer sem dúvida, pois desejamos isso desde o início da banda, mas apenas ainda não surgiu uma proposta realmente interessante por enquanto.

P.Z: Obrigado pela entrevista, sucesso e garra para vocês. O espaço está aberto para falar os Thrashbangers.

Nicolas: Primeiramente nós que agradecemos a oportunidade, e gostaria de agradecer a todos que vêm nos acompanhando nessa jornada. O apoio de cada um é muito importante! Fiquem ligados nas novidades da banda, pois estamos preparando muitas coisas boas, então acompanhem nosso site (www.kamala1.net), lá tem uma grande quantidade de material bacana que separamos pra vocês e em todos os demais meios veículos de divulgação da banda!

Para saber mais sobre a banda acesse:
http://www.myspace.com/kmlthrash
http://www.kamala1.net

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Sobre Écio Souza Diniz

Graduado em Ciências Biológicas e pesquisador na área de Ecologia e Evolução vegetal, sempre foi aficionado por leituras sobre o mundo do Rock/Metal. Além do metal, tem como paixões filmes de terror e épicos. Já participou como vocalista de várias bandas de Death/Grind, mas como nenhuma vingou se encontrou melhor em redigir matérias, fundando há alguns anos atrás o Pólvora Zine. Colabora também com vários sites especializados e com a revista Roadie Crew. Suas bandas preferidas são Iron Maiden, Black Sabbath, Dio, Dorsal Atlântica, Candlemass e Sarcófago.

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