Ocultan: invocando as almas de seus ancestrais

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Ocultan: invocando as almas de seus ancestrais


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Considerado por muitos como um dos mais atuantes nomes do Black Metal brasileiro, o Ocultan está liberando "Atombe Unkuluntu", agora via Free Mind Records. Este álbum é conceitual e aborda vários aspectos que fazem parte das raízes históricas da Kimbanda, culto tribal africano que encontrou muitos adeptos aqui pelo Brasil.

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Sua atual formação traz Count Imperium (voz e bateria), Lady Of Blood (guitarra) e Magnus Hellcaller (baixo), e foi o próprio C. Imperium quem conversou com o Whiplash! para falar mais sobre o novo disco, convicções religiosas e o cenário underground.

Whiplash!: Saudações... O Ocultan está liberando seu sétimo álbum de estúdio, "Atombe Unkuluntu". Qual o significado de seu título e a relação com a ilustração da capa?

C. Imperium: "Atombe Unkuluntu" traduzido para o português significa "Obscura Soberania". Tanto o nome do álbum quanto algumas frases são pronunciadas em kimbundo, língua que foi criada para facilitar a comunicação entre as tribos pertencentes ao Reino de Angola/Congo e Moçambique.

C. Imperium: A ilustração da capa é uma representação dos antigos cultos de feitiçaria banta, praticados através de rituais que tinham como foco principal a invocação das almas de seus ancestrais, chamados de Tátas, que com o passar dos anos passaram a ser chamados de Exus.

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Whiplash!: O vocalista Legacy deixou o Ocultan bem quando estavam gravando "Atombe Unkuluntu", e você, que já exerce a função de baterista, também acabou assumindo o microfone. Apesar de já haver cantado anteriormente, essa posição é definitiva ou há planos para outra pessoa exercer a função de cantor?

C. Imperium: Gostaria de acrescentar que possuo um projeto solo chamado Warhead 666, onde fui o responsável pela execução de todos os instrumentos e vocais. Creio que este fator acabou de certa forma colaborando muito para uma rápida readaptação aos vocais do Ocultan.

C. Imperium: Após várias conversas resolvemos manter a formação em um trio. Já estamos totalmente adaptados com essa formação, sabemos que a banda pode até perder um pouco ao vivo em relação à presença de palco, por ter que tocar a bateria e cantar ao mesmo tempo.

Whiplash!: A guitarrista Lady Of Blood foi a responsável pelas canções do novo disco, que seguem mais detalhadas e cada vez mais técnicas... Considerando que vocês são casados, como é seu dia-a-dia no sentido de fazer parte de uma mesma banda? Ela permite que o marido dê sugestões no momento de compor?

C. Imperium: Esse fator acaba contribuindo muito para que nós dois possamos conversar muito sobre vários assuntos relacionados ao Ocultan. Quanto à parte instrumental da banda, preferimos deixar que cada um faça a sua parte, ela fica responsável pela criação das linhas de guitarras, Magnus pelas linhas de baixo e sou responsável pelos arranjos de vocal, bateria e letras.

Whiplash!: Imperium, você fez um trabalho interessantíssimo ao abordar as raízes históricas do Kimbanda nas letras de "Atombe Unkuluntu". Seu conteúdo traduzido para o português no encarte foi uma iniciativa louvável e há muita história bacana aí! Até onde esses fatos poderiam ter sido distorcidos ou adaptados pela passagem dos séculos?

C. Imperium: Resolvemos traduzir todas as letras do encarte do CD porque queremos que as pessoas possam compreender bem todo seu conteúdo lírico, já que esse álbum é totalmente conceitual e abrange vários aspectos que fazem parte das raízes históricas da kimbanda. A kimbanda é uma forma de culto tribal que sempre teve como base a crença em seus ancestrais, que foram pessoas que um dia viveram neste mesmo mundo que nós e quando partiram tornaram-se entidades mitológicas.

C. Imperium: Quanto aos fatos serem distorcidos e adaptados com a passagem dos séculos, isso é verdadeiro. Infelizmente muitas pessoas criam coisas em suas cabeças, e hoje em dia é muito comum ver pessoas envolvidas com o espiritismo e ocultismo se utilizarem disso, de mentir para manipular as mentes das pessoas.

Whiplash!: As dúvidas acerca de um assunto como o Kimbanda certamente geram muitos preconceitos por aí. O quanto do Satanismo tradicional existe na Kimbanda, afinal?

C. Imperium: Atualmente muitas pessoas afirmam erroneamente que a Kimbanda é um culto satanista. Essa confusão atribui-se à associação da figura de exu com o diabo. A kimbanda e seus exus nada teem haver com esse conceito ridículo criado pelo catolicismo e judaísmo, onde há um deus que luta eternamente contra seu inimigo.

Whiplash!: O Ocultan nunca escondeu o fato de ser adepto deste culto, o que aumenta ainda mais a polêmica. De que forma o envolvimento com o mal - ou energias consideradas negativas - pode ajudar a construir algo que uma comunidade julgue melhor para si?

C. Imperium: Gostaria de deixar claro que o conceito de polaridades, positiva e negativa, não se equivale ao bem e mal. Acho que cada um tem o direito de acreditar ou seguir o que bem entender. A meu ver, qualquer pessoa que se apega a um culto ou religião, acredita que esta sendo ou será beneficiada.

C. Imperium: O maior problema é que as pessoas acham que tudo aquilo que foge do conceito cristão torna-se prejudicial. Todos nós já estamos cansados de saber sobre os podres que rodeiam o Cristianismo. Isso tudo começou na época da inquisição, onde as pessoas eram mortas por não aceitar o Cristianismo. Hoje em dia as coisas mudaram e eles não teem mais o poder de matar as pessoas, mas por outro lado o preconceito, a lavagem cerebral e manipulação das pessoas continuam. Infelizmente a maioria das pessoas prefere fechar seus olhos e acabam caindo nesse jogo de alienação proporcionado pela religião.

C. Imperium: A meu ver o Cristianismo foi e sempre será o único mal já existente.

Whiplash!: Parte do público já teceu muitos comentários depreciativos pelo fato de Lady Of Blood ser uma entusiasta da moda e proprietária da Extreme Art. Até onde iriam os limites entre a música Black Metal e sua preocupação com visual?

C. Imperium: A Extreme Art trata-se de um trabalho profissional voltado a várias vertentes do rock, metal entre outros. É apenas uma forma de trabalho como qualquer outra. Acho que toda banda deve se preocupar com seu visual. Não concordo com o que algumas bandas estão fazendo ultimamente, tocam de bermudas, bonés, camisetas de times de futebol, entre outras coisas que nada tem haver com todo aquele contexto em que o Heavy Metal está envolvido. Acho que as coisas devem ser levadas a sério, e não da forma que estão fazendo hoje em dia.

Whiplash!: Desde “Profanation” o Ocultan passou a alcançar o mercado externo. Existe algum tipo de retorno por parte do público desses países? Afinal, não deixa de ser exótico uma banda de Black Metal ser pró-cultos africanos, não? Como estão as negociações para o lançamento do novo álbum entre os gringos?

C. Imperium: Temos um bom retorno por parte do público externo. Há muitas pessoas de outros países adicionadas em nosso MySpace. No começo da década de 1990, quando começamos a abordar essa temática, era algo extremamente oculto e exótico, as pessoas não tinham a mínima idéia do que era ou representava a Kimbanda. Mas com o passar do tempo as coisas começaram a ficar mais esclarecidas, principalmente quando começou a surgir bandas de outros continentes abordando o assunto. Posso citar o Disciplin, que lançou um CD com uma música chamada "Kimbanda"; o Ancient fez o mesmo, só que a música chamava-se "Exu", e por último tivemos o Jon, líder do Dissection, assumindo mundialmente ser um seguidor da Kimbanda. Só para complementar, as três bandas citadas são nórdicas.

C. Imperium: Quanto ao lançamento para o mercado externo, até o momento não temos nada concreto, estamos apenas em negociação.

Whiplash!: Vocês veem atingindo um patamar cada vez mais elevado a cada lançamento. Atualmente, quais as maiores dificuldades que o Ocultam encontra para mostrar sua música a um público maior?

C. Imperium: Estamos super satisfeitos com tudo que conquistamos até o momento. Sabemos bem quais são os limites de nossa música. O Black Metal nunca foi e nem será um estilo musical de grande popularidade entre os fãs do Heavy Metal. Infelizmente muitas pessoas relacionadas ao mundo do Metal são cristãs e esse fator é crucial para manter essas pessoas cada vez mais distantes de bandas que abordam temas relacionados ao anti-cristianismo.

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Whiplash!: Infelizmente, mesmo com a inegável fase criativa na qual nosso underground se encontra, são sempre as mesmas duas ou três bandas que aparentemente são lembradas. Não há reciclagem... Neste sentido, o que poderia ser mudado para melhor?

C. Imperium: Infelizmente, aqui no Brasil existem essas coisas da mídia em geral só valorizar as bandas mais conhecidas ou que seguem a moda, e também podemos citar aquelas bandas que possuem rabo preso com donos de revistas, zines e produtores de shows. Acho que as bandas mais desconhecidas deveriam ter um maior apoio por parte de todos os veículos de divulgação, para que futuramente possam vir a ser mais conhecidas e valorizadas pelo público. Outra coisa que acho super errado é o fato de alguns produtores de shows estarem cobrando dinheiro de bandas menos conhecidas para poder tocar com bandas maiores. Isso é lamentável!

Whiplash!: Uma curiosidade final: como está o projeto paralelo de Lady Of Blood, o Doctors Of Death?

C. Imperium: Momentaneamente está parado. Ela tem pretensões de lançar uma nova promo até o final desse ano.

Whiplash!: Ok pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista e deseja boa sorte ao Ocultan na divulgação de sua Arte. O espaço está aberto para alguma consideração final...

C. Imperium: Gostaria de agradecer a toda equipe do Whiplash! pelo apoio ao nosso trabalho, e a todos aqueles guerreiros que vem nos acompanhando ao longo dessa longa jornada.

Contato:
http://www.ocultan.com
http://www.myspace.com/darkf666

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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