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Blind Guardian: Tales from the Twilight World, o melhor da banda

Resenha - Tales from the Twilight World - Blind Guardian

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Por Ricardo Mazzo
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Leitor, essa talvez seja uma das resenhas mais polêmicas que você vai ler nesse site. Primeiro porque a banda escolhida é um ícone do Power Metal mundial. Segundo porque essa banda já lançou alguns dos maiores clássicos da história recente do estilo. E terceiro porque parece que só uma pessoa no mundo tem a opinião apresentada nos próximos parágrafos: eu.
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BLIND GUARDIAN é um monstro do Heavy Metal. Ponto. Isso não tem discussão. Muitos tentam argumentar dizendo que eles não enchem estádio no Brasil, mas minha resposta é simples: ainda. Para mim, a banda é uma fortíssima candidata a herdar o legado que um dia deixarão as grandes bandas boas de público, como IRON MAIDEN, METALLICA, AC/DC, OZZY OSBOURNE e KISS. Estilos diferentes? Sim, mas há uma intersecção gigantesca nesse grupo e é aí que o BLIND GUARDIAN se juntará aos Deuses.

A qualidade técnica da banda é outro fator que tenho que ressaltar. O que falar de Hansi Kursch? Se um cara vendeu a alma para o Diabo para ter a voz que chocaria o mundo, esse cara é o Brian Johnson do AC/DC. Hansi Kursch, por outro lado, foi escolhido pelos Deuses do Heavy Metal para ser a voz deles na Terra. E ela deveria sim ser tombada pelo PHHM (Patrimônio Histórico do Heavy Metal). O resto da banda também é espetacular e faz o som fluir fácil entre melodias e arranjos absurdamente complexos.

E qual o motivo de eu ter escolhido o “Tales From The Twilight World”? Simples. Entre os colaboradores do site existem outros fãs da banda que se digladiaram para escolher entre o “Imaginations From The Other Side” e o “Nightfall In Middle Earth”. Como eu queria resenhar o melhor da banda, já deixei esse último de lado. Opa! Calma! Sem palavrões! Eu explico.

O “Nightfall In Middle Earth” é um álbum muito bom, assim como os outros dois. Dessa forma, eu precisava decidir nos detalhes qual o melhor. E, como estou resenhando o melhor álbum, o queridinho do público em geral fica na terceira colocação. Como álbum, ele deixa a desejar naquele monte de faixas com barulho de chuva, de guerra, de gente falando. Concordo que sejam essenciais para a construção do todo, mas não posso dar crédito para algo que escutei uma vez na vida e nunca mais.

Com um eliminado, como escolher entre os outros dois? Mais fácil ainda. Em “Tales From The Twilight World” temos um convidado especial. O gênio, mestre e criador do Power Metal: Kai Hansen. Que me desculpe o perfeito “Imaginations From The Other Side”, mas minha escolha estava feita. E que o show comece...

1. “Traveller In Time”: algumas pessoas não gostam muito dessa faixa, mas a acho uma baita música e cria o clima ideal para o início do álbum. São exatos 6 minutos de pancada. Nota 9.

2. “Welcome To Dying”: eis uma das composições mais espetaculares de todos os tempos! Tudo perfeito, desde a introdução, passando pelos vocais, solos, bateria, até chegarmos ao mais potente refrão do álbum. Para ouvir de pé! Nota 10.

3. “Weird Dreams”: a música começa esquisita, como sugere o próprio nome, mas depois se desenvolve numa série de solos de guitarra e um show a parte do pedal duplo do ótimo baterista Thomas Stauch. Instrumental de 1 minuto e 20 segundos de duração. Sem nota (por se tratar de uma vinheta e não de uma música com tempo suficiente para uma nota).

4. “Lord Of The Rings”: poderia ter sido composta por qualquer gênio de qualquer época, fosse ele Mozart, Beethoven, Eric Clapton, BB King, Steve Harris, Kai Hansen... Espetacular! Nota 8.

5. “Goodbye My Friend”: Power Metal beirando Thrash Metal é meu habitat natural. Se fosse um pouco mais pesada, teria sido composta por Dave Mustaine e seria a cereja do bolo chamado “Rust In Peace”, lançado no mesmo ano de 1990. Nota 9.

6. “Lost In The Twilight Hall”: por incrível que pareça, essa foi a música que mais me chamou a atenção na primeira vez que ouvi esse álbum. Power Metal livro-texto, tem na bateria sua fonte primária de raiva até que somos brindados pela voz rouca e perfeitamente desafinada de Kai Hansen. Além dos solos fantasticamente lapidados para a faixa, sempre me impressiono com seu refrão. Nota 10.

7. “Tommyknockers”: sem dúvida alguma, a faixa mais sombria do trabalho. Alterna velocidade e peso, além de um refrão que parece ter sido forjado à marteladas. Nota 8.

8. “Altair 4”: lá vamos nós para mais uma faixa rápida de menos de 2 minutos e meio. Essa não me agrada em quase nada e não entendo muito o motivo dela estar no trabalho. Nota 5.

9. “The Last Candle”: tudo parece fazer sentido nessa música, da letra até os gritos do magistral Hansi Kursch. É a última música de estúdio do álbum e o fecha com a arrogância humilde de quem sabe que é bom. Nota 8.

Usando a simples metodologia de fazer uma média simples das notas da músicas, temos um fenomenal 8.38 para esse álbum que é uma jóia rara que não recebe o devido crédito mundo afora. É assim que enxergo esse trabalho que já mostrava em 1990 que o BLIND GUARDIAN não estava para brincadeira. Kai Hansen já havia se interessado pelo trabalho de seus compatriotas um ano antes, os ajudando e participando das gravações de “Follow The Blind”. Ou seja, coisa ruim não viria. Espero que a criatividade desses gênios nunca se esgote e que eles continuem a nos presentear a cada quatro anos (tempo considerado ideal pela banda para lançamento de um novo trabalho desde o “Nightfall In Middle Earth” de 1998) com um belíssimo álbum. Up the Guardians!

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Sobre Ricardo Mazzo

Cresci ouvindo muito Punk Rock e Hardcore, mas migrei para o Heavy Metal há alguns anos. No entanto, não abro mão de um bom Bad Religion. Acredito piamente que se Pelé fosse um pouco melhor seria chamado de Kai Hansen ou teria composto a “The Trooper”. Estudei guitarra, tive banda, freqüentei inúmeros shows e criei o blog #dicarock. Up the Irons!

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