Dire Straits: Os trinta anos de "Love Over Gold"
Resenha - Love Over Gold - Dire Straits
Por Breno Rubim
Postado em 14 de agosto de 2012
Nota: 10 ![]()
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Em setembro deste ano, completam-se 30 anos do lançamento de "Love Over Gold", dos britânicos do Dire Straits. Como grande fã da banda, senti-me na incumbência de fazer um pouco de justiça ao que é, de certa maneira, um álbum injustiçado, de uma banda injustiçada, cujo frontman é um guitarrista injustiçado.

Portanto, antes de entrarmos na resenha do álbum, cabe um pequeno desabafo.
Em termos de guitarristas, sempre houve uma superexposição (e, por que não dizer, babação excessiva) por Jimi Hendrix, Eric Clapton, David Gilmour, Yngwie Malmsteen, Eddie Van Halen, John Petrucci e outros (que realmente são mestres), mas nunca houve um grande reconhecimento de Mark Knopfler: se há esse reconhecimento, está muito aquém da contribuição de Mark para o rock mundial. Mark é um gênio das cordas, tanto por sua originalidade quanto por sua criatividade musical. Seu virtuosismo vai muito além de tocar a guitarra de um jeito esquisito ("raspando" os dedos nas cordas): passa pela diversidade musical de um cara que manteve por 15 anos uma banda que mesclava hard rock, pop rock e rock progressivo, e hoje, em carreira solo, continua executando esses mesmos elementos, mas adicionando blues, jazz e folk. Tudo tocado com a mais absoluta competência, com arranjos milimetricamente sob medida, sem falar de sua voz grave e rouca, totalmente inconfundível.

E justamente por ser frontman do Dire Straits, e sendo um guitarrista injustiçado, esta banda sempre ficou meio "à margem" da grande mídia especializada, assim como outras bandas excepcionais, tais como Rush e Uriah Heep. Os 15 minutos de fama do Dire Straits ocorreram durante a promoção do álbum "Brothers In Arms" (1985), que lançou rits em rádios. Muito pouco para uma banda que produziu obras-primas seguidas de obras-primas.
O álbum de que irei falar agora foi lançado antes dessa "explosão momentânea de sucesso" de 1985. "Love Over Gold" data de 1982, e, apesar de muitas vezes ser visto como um registro que ficou "à sombra" de "Brothers In Arms", é, na minha opinião, um trabalho excelente, que não merece ficar na sombra de nada.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Antes de comentar as poucas faixas do disco (eram apenas cinco), uma coisa interessante que se percebe é que, em duas músicas, Mark Knopfler não canta, apenas fala. É exatamente aí que se encontra sua genialidade musical: a aparente "pobreza" de linhas vocais contrasta com um instrumental verdadeiramente exuberante, tão rico, tão emotivo, e tão bem tocado, que a música se torna excelente mesmo assim.
O play abre com um petardo de rock progressivo chamado "Telegraph Road", de cerca de 14 minutos de duração. Há de tudo nessa música: melodia belíssima (ora singela, ora intensa), quebras de atmosfera e ambientação, interlúdios instrumentais, e uma letra excelente. Destaque também para os últimos minutos, em que o som se torna mais explosivo, com um solo de Knopfler tão memorável que poderia durar dezenas de minutos. A letra conta a história da construção de uma cidade a partir de uma trilha primitiva (a tal Telegraph Road), que mais tarde se transforma em avenida principal e lugar de grande congestionamento de veículos, ao redor da qual grandes instalações – prédios e empresas – vão sendo formadas; até que, muito tempo depois, a cidade se torna grande demais para ela mesma e então entra em colapso.

A segunda faixa é "Private Investigations", que se tornou clássica sobretudo por sua originalidade, focada em um clima de mistério, sobretudo na parte final em que ouvimos apenas uma ambientação de teclado e toques periódicos de uma nota só no baixo (logo após Knopfler sussurrar o nome da música). O violão (que já se fizera presente na faixa anterior) ganha ainda mais destaque, porquanto Knopfler sola o tempo todo. Aliás, essa é uma característica marcante dos Straits: seja guitarra, seja violão, as harmonias são basicamente focadas em pequeninos solos encaixados nos momentos em que Knopfler não canta, entre um verso e outro. Se bem que "cantar" não é o termo exato para essa música: aqui Knopfler apenas fala. E mesmo assim a melodia do todo é marcante. Eis sua genialidade. A letra fala de um e-lírico investigador, que, ao final de mais um dia cansativo de trabalho, avalia seus progressos.

Em "Industrial Disease", Knopfler de novo apenas fala, e nesta música o som é mais agitado, com um tema de teclado meio engraçado que ocasionalmente se repete após os "pedaços" de vocal, que é mais despojado aqui: em alguns momentos parece que Knopfler está rindo, ou zombando de alguma coisa. A construção é mais linear: não há tanta complexidade quanto as duas músicas anteriores, mas se trata de uma faixa muito interessante, embora infelizmente subestimada. A letra mordaz tem um conteúdo político-econômico, falando do declínio da indústria manufatureira britânica no início dos anos 80, concentrando-se em greve de depressão e disfuncionalidade.
A quarta música é a faixa-título, que nos traz um clima, eu diria, "romântico", com uma melodia singela que novamente evidencia bastante o violão. Não considero a melhor do álbum, mas reconheço a excelência do solo de violão no final. Algo, talvez, comparável ao que David Gilmour fez no final de "Lost For Words", do último álbum de estúdio do Pink Floyd.

E o play fecha como começa. "It Never Rains" tem algumas das caracterísicas da primeira faixa: grande duração, início leve e singelo, e um crescendo de peso que culmina em minutos finais de um instrumental explosivo e de longo solo de guitarra. Eu, como grande apreciador dos apoteóticos desfechos instrumentais conduzidos por Knopfler, tenho que "Telegraph Road" e "It Never Rains" fazem o álbum. Esta é outra faixa (absurdamente) subestimada.
O que não faz "Love Over Gold" um clássico de tão grande repercussão quanto o sucessor "Brothers In Arms" é o fato de que aquele só tem duas músicas consideradas clássicas dos Straits (as duas primeiras), sendo que apenas uma emplacou como "hit" (a segunda); ao passo que este emplacou pelo menos 4 grandes "hits". Porém, uma audição detalhada do álbum nos mostrará que este trabalho não deve nada a nenhum outro: a criatividade é latente, a qualidade da gravação é ótima, e cada uma das faixas possui uma peculiaridade que a destaca de alguma forma. Em minha opinião, a tracklist de cinco músicas conta com cinco clássicos atemporais.
Ademais, "Brothers In Arms" é um trabalho mais "pop" e mais colorido. "Love Over Gold" é mais progressivo, complexo, sólido, introspectivo, obscuro. Mas exuberante.
Dire Straits - Love Over Gold (1982)
01. Telegraph Road - 14:18
02. Private Investigations - 6:46
03. Industrial Disease - 5:50
04. Love Over Gold - 6:17
05. It Never Rains - 7:59
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