Resenha - Dust Bowl - Joe Bonamassa

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Resenha - Dust Bowl - Joe Bonamassa


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Vamos falar sobre o último lançamento da carreira solo de Joe Bonamassa, o álbum "Dust Bowl", lançado em março de 2011 nos EUA, mas apenas recentemente aqui no Brasil. Joe reveza sua carreira solo com sua participação no Black Country Communion, banda que já resenhei aqui para o Whiplash.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Depois de iniciar o Black Country Communion e gravar seu primeiro álbum, "Black Country", tudo isto em 2010, Joe ainda fez uma turnê européia no final daquele ano. Com agenda cheia, ele ainda conseguiu encaixar a gravação deste álbum, o nono de sua carreira solo, e o segundo do BCC. A gravação deste disco levou oito semanas e foi feita em quatro estúdios diferentes (estúdios na Grécia e Nashville, Malibu e Los Angeles, EUA), o que mostra que foi feito em etapas e durante um período de muita agitação na carreira deste grande guitarrista. Tudo isto para lançar este álbum em março de 2011, depois cair na estrada com sua banda para promover o disco e depois lançar o segundo do BCC em junho e cair na estrada com seus novos companheiros. Ufa!

Para este projeto, Bonamassa manteve seus parceiros tradicionais de discos anteriores: Carmine Hojas no baixo (já excursionou com David Bowie, Rod Stewart e diversos outros artistas), Anton Fig na bateria (ele toca no programa de David Letterman e já gravou a bateria de dois discos do Kiss - "Dynasty" e "Unmasked") e Rick Melick nos teclados. Claro, temos diversas participações ao longo das doze faixas. Mas o cerne do disco é este citado. Aliás, é a banda de apoio ao vivo e que vem gravando os últimos discos do prodígio. Para a produção, mais uma vez temos Kevin Shirley (produtor dos discos de Joe desde o álbum "You And Me", de 2006), que também tem produzido o Black Country Communion.

O álbum apresenta um conjunto notável de faixas, com produção caprichada do Caveman. Eis minhas impressões, faixa a faixa:

1 - "Slow Train" - o disco começa com o trem saindo da estação do blues, um trem lento mas contínuo e crescente. Um belo início para este grande álbum, onde Bonamassa já expõe as cartas na mesa e mostra seus trunfos, com belos solos permeando a canção. O produtor Kevin Shirley mostra aqui também parceria na composição.

2 - "Dust Bowl" - primeira faixa a ser divulgada do disco, pouco antes de seu lançamento, foi liberada gratuitamente no site do guitarrista. Com um pouco mais de clima, é uma canção que usa camadas de teclados ao longo e tem como forte seu refrão. Confesso que achei esta um pouco abaixo das outras (na hora do solo melhora bem), e quando escutei antes do lançamento do disco me deu uma falsa impressão de que o disco não seria tão bom. Ledo engano...

3 - "Tennessee Plates" - esta canção segue na direção country rock, com um bom resultado. Ela conta com o convidado John Hiatt nos vocais. Aliás, o que não falta é convidados nesta faixa: Steve Nathan no piano, Chad Cromwell na bateria (Chad já tocou com Neil Young e Mark Knopfler), Michael Rhodes no baixo e Vince Gill na guitarra (famoso cantor country americano). Este último ainda aparece mais a frente como convidado em outra canção.

4 - "The Meaning Of The Blues" - voltamos ao bom e velho blues aqui, um mais arrastado, lentinho, onde Bonamassa conduz com maestria, fraseando com belas linhas de guitarra e arrasando na hora do solo. A melhor do disco até aqui.

5 - "Black Lung Heartache" - outra bem voltada ao blues, mas Bonamassa utilizou instrumentos pouco comuns no começo da canção (baglama, tzouras, bouzouki. Que raios de instrumentos são esses? todos instrumentos de corda de diferentes culturas, como Grécia, Turquia, dentre outras). O resultado é uma bela canção, mais uma deste incrível álbum.

6 - "You Better Watch Yourself" - depois das extravagâncias na canção anterior, esta é baseada no trio baixo/bateria/guitarra (sem dispensar um solo de teclado), ainda com um pé fincado no blues. Desnecessário dizer, mas os solos continuam excelentes...

7 - "The Last Matador Of Bayonne" - esta canção é daqueles blues lentinhos, arrastados, deliciosos de se ouvir. O solo então, maravilhoso... Joe já fez temas lentos interessantes no BCC e aqui não é diferente. Pra mim, a melhor música do disco. Com o convidado Tony Cedras no trompete, dando um toque ainda mais especial à canção.

8 - "Heartbreaker" - esta é uma cover do Free, do seu último disco homônimo. Joe já declarou seu amor pelo blues rock britânico e já coverizou outras canções de bandas de Paul Rodgers ("Walk In My Shadows", também do Free, e "Seagull", do Bad Company). Nesta cover, ele traz como convidado para os vocais seu companheiro no BCC, Glenn Hughes. O resultado não poderia ser melhor, ficando quase tão bom quanto o original.

9 - "No Love On The Street" - outra que não é composição de Bonamassa, nesta ele recheia de convidados também: Blondie Chaplin na guitarra (um dos vocalistas que excursionam com os Rolling Stones), Arlan Schierbaum no órgão hammond e Beth Hart compartilhando os vocais (Joe gravou um disco com Beth, "Don't Explain"). O pé fincado no blues continua, e os solos seguem matadores. Outra faixa de grande qualidade.

10 - "The Whale That Swallowed Jonah" - voltando aos instrumentos pouco comuns, Joe usa nesta canção um bandolim. E traz mais um convidado: Reese Wynans nos teclados (Reese tocou na banda de Stevie Ray Vaughan, o Double Trouble. Tocou também no Captain Beyond). Esta faixa tem um andamento mais pop rock, mas de qualidade acima da média.

11 - "Sweet Rowena" - vamos chegando ao final deste belíssimo disco. Nesta canção, o convidado Vince Gill (ele tocou guitarra na faixa 3) volta para tocar e cantar uma composição sua. Mais um blues de qualidade, perfeito para Bonamassa desfilar seus grandes solos.

12 - "Prisoner" - encerrando o álbum, um blues belíssimo e inspirado, não poderia ser diferente. Passeamos por doze faixas, que trouxeram diversos convidados que enriqueceram muito este disco. Tivemos também um excelente trabalho de produção de Kevin Shirley, que até se arriscou compondo em parceria com Joe na primeira faixa. Em suma, um dos melhores álbuns da carreira deste jovem guitarrista (apenas 34 anos), mas que já tem uma extensa carreira com dez discos de estúdio, fora álbuns ao vivo e sua participação intensa na banda Black Country Communion. O novo menino prodígio do blues!!

Alguns "vídeos" (somente com áudio) das músicas deste álbum:

"Slow Train":

"The Meaning Of The Blues":

"The Last Matador Of Bayonne":

"Heartbreaker":

Fique ligado no blog Ripando a História do Rock, para mais matérias. Até a próxima, com muito rock and roll!!

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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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