Resenha - Live From Sofia, Bulgaria - Big Four

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Resenha - Live From Sofia, Bulgaria - Big Four


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Após dois meses esperando, ontem finalmente recebi um pacote especial da Amazon.com: "The Big Four - Live From Sofia, Bulgaria - Edição Limitada de Luxo". Sim, estamos falando do produto oriundo da turnê que as quatro grandes bandas do thrash fizeram na Europa, no meio do ano que passou. Este produto foi oferecido aos fãs em três opções diferentes: dois DVDs, dois discos blue-ray ou a edição limitada de luxo, com cinco CDs e dois DVDs. Como ainda compro diversos CDs, e imaginei que esta versão não seria lançada aqui no Brasil (ainda não foi), parti para importar esta edição limitada.

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Inicialmente, devo esclarecer que os produtos abrangem os sets completos das quatro bandas. Nada de melhores momentos, aqui temos todas as músicas que foram tocadas nos shows.

Começamos falando do conteúdo desta edição limitada. São cinco CDs, dois DVDs, quatro fotos (uma de cada banda), um poster e um livreto com fotos e informações. Os CDs ficaram divididos em um disco para cada banda, com o METALLICA ganhando um disco a mais. Cada disco tem por volta de uma hora de show (daqui percebe-se que o METALLICA era claramente o headliner do festival, tocando por mais de duas horas). Já os DVDs são dois, um para as três bandas de abertura e um para o METALLICA. Fora 45 minutos de extras, com documentário e ensaio de "Am I Evil?", canção que todos os integrantes tocaram juntos no palco.

A primeira banda a se apresentar foi o ANTHRAX. Depois de muita confusão envolvendo vocalistas (trouxeram de volta Joey Belladonna, ele se foi, arranjaram um novo vocalista, Dan Nelson, ele se foi, tocaram novamente com John Bush, mas ele não permaneceu na banda), Joey Belladonna está de volta, para deleite dos fãs mais saudosistas (eu incluído). Belladonna é o melhor vocalista das quatro bandas, o que realmente canta. E ainda tem uma puta presença de palco. E os discos clássicos do ANTHRAX tiveram sua presença. O repertório do show se concentrou nos discos que Belladonna lançou com a banda, em especial "Spreading The Disease" - "Madhouse" e "Medusa", "Among The Living" - "Caught In A Mosh", "Indians" e "I Am The Law", "State Of Euphoria" - "Be All, End All" e "Antisocial", e "Persistence Of Time" - "Got The Time". Tivemos ainda "Metal Thrashing Mad", do primeiro disco da banda, "Fistful Of Metal", e "Only", que foi de se estranhar pois esta canção pertence ao disco "Sound Of White Noise", que foi gravado por John Bush e não por Belladonna. Talvez por estar abrindo o festival, o ANTHRAX entrou com uma garra e disposição incríveis, muita movimentação de palco (Destaque para Frank Bello, Stott Ian e o vocalista Joey Belladonna) e aparentavam muita satisfação em estar fazendo parte do evento. Talvez o ANTHRAX tenha sido a banda que mais ganhou com o festival, já que sua carreira está com mais baixos que altos ultimamente. O meu destaque no show vai para "Indians", que teve uma bela homenagem a Dio, com um pequeno pedaço de "Heaven And Hell". No fim do show, Belladonna solta uma frase que tem todo sentido: "Anthrax is back, man!". Aguardemos ansiosamente pelo próximo disco de estúdio...

O MEGADETH veio a seguir e já começou usando um de seus principais trunfos: "Holy Wars". Emendou com "Hangar 18" e deixou a plateia extasiada. O ataque continuou sem tréguas e sem paradas com "Wake Up Dead", "Head Crusher" e "In My Darkest Hour". Os clássicos não paravam, vieram "Skin O'My Teeth", a linda "A Tout Le Monde", "Hook In Mouth", "Trust", "Sweating Bullets", "Symphony Of Destruction" e "Peace Sells". O show se encerra como começou, uma reprise de "Holy Wars".

A banda, que está muito bem afiada, traz de volta (desde o começo de 2010) o baixista Dave Ellefson, que tem uma longa história no MEGADETH e é super bem-vindo à banda. O repertório do show acabou deixando de fora alguns clássicos do disco "Youthanasia", como "Reckoning Day" e "Train Of Consequences". A presença de palco de Dave Mustaine continua a mesma, sem conversar muito com a plateia e concentrado na sua guitarra, que desfere um ataque letal, com velocidade impressionante. Os outros integrantes, com bastante técnica, mantiveram a tradição de grandes bateristas e guitarristas que costumam acompanhar Mustaine. No final, o público aprovou o show com louvor.

A banda mais rápida e violenta do dia seria a seguinte a se apresentar. O SLAYER é o único, dentre os quatro, que está com a formação original que lançou os discos mais clássicos da banda (falta Dan Spitz para o ANTHRAX, Cliff Burton pro METALLICA e o MEGADETH sempre teve uma formação muito instável). A introdução do último disco, "World Painted Blood", foi utilizada e a banda entrou no palco emendando a faixa-título deste disco, mais um petardo de qualidade dentre tantos que o SLAYER vem lançando nos últimos anos. A volta de Dave Lombardo (ele retornou no final de 2001) trouxe de volta aquela aura mais clássica, aquela mistura de melodia e violência na música do SLAYER. E Dave é um baterista insuperável e insubstituível. O repertório do show mesclou músicas dos últimos discos - "Jihad", "Hate Wordwide", "Beauty Through Order", "Disciple" - com os grandes clássicos da banda. Senti falta de diversos clássicos, e principalmente de músicas dos dois primeiros discos da banda, "Show No Mercy" e "Hell Awaits". Outro ponto negativo foi o fato de Tom Araya não poder mais balançar sua cabeça agitando ao ritmo frenético das músicas, graças a problemas na coluna (ele operou a coluna no começo de 2010). Fora isso, o show foi incrível, um ataque sonoro que quase nenhuma banda consegue fazer igual, em termos de velocidade, peso e técnica. O final apoteótico com "Rainning Blood" foi o ponto alto do show, na minha opinião.

Quando começo a escutar a intro "Ecstasy of Gold" tocar, confesso que me arrepio todo. Desde que conheço o METALLICA, eles usam essa canção da trilha sonora do filme de faroeste "Três Homens em Conflito". A turnê atual tem usado até partes do filme (quem viu o filme vai entender melhor; quem não viu, recomendo muito, Clint Eastwood em excelente forma); neste show não foi diferente. Para quem foi ao show do começo do ano passado no Morumbi, não temos muitas surpresas: o METALLICA, nesta turnê, está uma máquina extrema de heavy metal, tocando à beira da perfeição. Anos e anos de turnê deixaram a banda tão afiada que até mesmo três bandas sensacionais de abertura não são páreo para eles. Lars está com um ataque mais direto, sem tanta frescura, mandando muito bem; Kirk está solando como nunca, maravilhosamente bem; o membro mais recente, Robert, traz na bagagem anos de turnê com o Suicidal Tendencies e Ozzy Osbourne e também trouxe mais garra para os shows; e James é o frontman supremo que dispensa comentários, está cantando muito bem e fazendo sua base como sempre, até se arriscando em frases e pequenos solos. O set list está variando a cada show da turnê, e isto torna o show ainda mais empolgante - é o que as bandas tem que fazer, dado o atual estado de excesso de informação que vivemos com a Internet. Comparando o set list do primeiro show em São Paulo com este, poucas variações - "Fuel" no lugar de "Four Horsemen", "Cyanide" e "All Nightmare Long" no lugar de "The End Of The Line" e "The Day That Never Comes" (equilíbrio aqui), "Am I Evil?" no lugar de "Stone Cold Crazy" (grande salto, adoro essa cover, e com a participação dos membros das outras bandas ganhou um contorno ainda mais especial) e "Hit The Lights" no lugar de "Motorbreath" (também equilíbrio aqui). Em termos de plateia, o público do Morumbi foi mais fanático, mais louco e mais participativo. Mas a plateia de Sofia também adorou e participou bastante da apresentação. Pra finalizar o show de forma apoteótica, "Seek And Destroy" cantada em uníssono pela plateia, com as luzes acesas. Mais um show fantástico do METALLICA, imortalizado neste pacote...

Sobre a jam em "Am I Evil?", não foram todos os membros das quatro bandas que participaram. Em especial, o pessoal do SLAYER só ficou representado por Dave Lombardo. O ANTHRAX e o MEGADETH estavam integralmente presentes - Joey Belladonna e Dave Mustaine inclusive dividiram os vocais da canção com Hetfield. Ao final da jam, os outros integrantes do SLAYER vieram ao palco para a foto que foi utilizada na parte de trás do conjunto.

Para os fãs de rock pesado e, em especial, de thrash metal, este pacote é fundamental. Quatro shows de bandas que provam ainda serem relevantes, para um público delirante. As vendas já alcançaram disco de platina nos EUA. Este festival foi um sucesso tamanho que já temos diversos shows marcados para o Big Four na Europa, para os festivais de verão deste ano. O Rock In Rio vacilou em não tentar trazer este line-up para o dia metal. Pelo menos teremos o METALLICA...

Set List dos Shows:
(retirado da Wikipedia)

ANTHRAX
DVD 1/CD 1
"Caught in a Mosh"
"Got the Time"
"Madhouse"
"Be All, End All"
"Antisocial"
"Indians"/"Heaven & Hell"
"Medusa"
"Only"
"Metal Thrashing Mad"
"I Am the Law"

MEGADETH
DVD 1/CD 2
"Holy Wars... The Punishment Due"
"Hangar 18"
"Wake Up Dead"
"Head Crusher"
"In My Darkest Hour"
"Skin o' My Teeth"
"A Tout le Monde"
"Hook in Mouth"
"Trust"
"Sweating Bullets"
"Symphony of Destruction"
"Peace Sells"/"Holy Wars Reprise"

SLAYER
DVD 1/CD 3
"World Painted Blood"
"Jihad"
"War Ensemble"
"Hate Worldwide"
"Seasons in the Abyss"
"Angel of Death"
"Beauty Through Order"
"Disciple"
"Mandatory Suicide"
"Chemical Warfare"
"South of Heaven"
"Raining Blood"

METALLICA
DVD 2/CD 4 & 5
"Creeping Death"
"For Whom the Bell Tolls"
"Fuel"
"Harvester of Sorrow"
"Fade to Black"
"That Was Just Your Life"
"Cyanide"
"Sad But True"
"Welcome Home (Sanitarium)"
"All Nightmare Long"
"One"
"Master of Puppets"
"Blackened"
"Nothing Else Matters"
"Enter Sandman"
"Am I Evil?" com ANTHRAX, MEGADETH e Dave Lombardo do SLAYER
"Hit the Lights"
"Seek & Destroy"

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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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