Resenha - Brain Cleaner - Mortification
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 27 de setembro de 2005
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
A própria existência de "Brain Cleaner" é motivo de exaltação. Para todos que conhecem a história do Mortification, e para os que virão a conhecer, o trabalho aqui apresentado é assustadoramente surpreendente. Algo que nunca me canso de dizer, ratificar e admirar é a persistência de Steve Rowe. Este respeitado baixista e vocalista foi diagnosticado portador de Leucemia Linfática há 9 anos atrás, esteve à beira da morte (os médicos chegaram a lhe dar apenas mais duas horas de vida), passou por um transplante de medula, e, mesmo após isso, continuou lançando álbuns e fazendo turnês ao redor do mundo, sem contar a gravadora "Rowe Productions" que também permaneceu como forte ponto de apoio para a cena underground. Mesmo com o transplante, o estado de saúde de Rowe nunca foi estável, e por diversas vezes ele passou por sérias crises que ameaçaram sua vida, como a última, no ano passado, que inclusive obrigou-o a cancelar a turnê brasileira-latino/americana que realizaria.

Com tais problemas, seu vocal teve que se adequar a sua situação e abandonar os esplêndidos guturais de outrora. Teve. Lembro-me de minha cara embasbacada quando ouvi "Too Much Pain", a primeira música liberada oficialmente no início do ano passado, e pensei: "como?". Até hoje não consigo responder esta pergunta, e menos ainda após ouvir o álbum por completo. E não foi só o vocal que mudou.
Musicalmente, "Brain Cleaner" é o trabalho mais "tradicional" – ou seja, fiel às raízes da música extrema e ao estilo que consagrou a banda, thrash/death/grind – desde "Primitive Rhythm Machine" de 1995. E é inacreditável ouvir coisas como "Boa Constrictor", a primeira faixa, que nos lembra até o Death de "Scream Bloody Gore". Excelente composição da acertada mistura entre thrash/death/hardcore, ou seja, tudo que os fundadores da cena praticavam.
"Purest Intent" tem um solo de guitarra de verdade, sabe, so-lo de gui-tar-ra na música extrema? Não são apenas barulhinhos desconexos executados na velocidade da luz, como se tornou comum nos expoentes do chamado "death brutal". Mas um solo executado por dedos habilidosos, audível e harmonicamente agradável. E a quantidade de solos, sempre ótimos, é bem acima do esperado e diferencia o material.
A estrutura das músicas é predominantemente simples, o que, longe de ser um problema, é uma qualidade imensurável. Compor coisas cheias de mudança de andamento, entrecortada por riffs ultrasônicos, bateria incessante e vocais "possessos" é fácil, assim como escrever um texto cheio de palavras difíceis também o é, mas e o sentido? Fazer o "simples", como prova o AC/DC, por exemplo, é incrivelmente difícil. E na música pretensiosamente "veloz", "complexa" e "intrincada", muitas vezes perde-se o peso, a habilidade, a melodia, a harmonia, a empatia e a razão. Ou seja, perde-se quase tudo que caracteriza a música como a coisa especial que é. E isto não ocorre com o Mortification.
Sobretudo, percebe-se que as composições guiam-se por uma espécie de duelo entre o baixo de Rowe e a guitarra de Mike Jelinic, com os devidos momentos para o show de cada um e se juntando para criar sonoridades coesas e intensas – e a bateria de Mike Forsberg, se não é diferenciada, atua com propriedade dentro da proposta sonora. Uma nova formação no estilo power trio que funcionou muito bem.
Enquanto "12 men" e "E.D." são puramente grindcore, a seqüência de "Brain Cleaner", "I’m Not Your Commodity", "The Flu Vírus" e "Living Like a Zombie" destróem com qualquer tentativa de classificação. Nos lembrando do que disse o mestre Chuck Shuldiner: "tire todos os rótulos e deixe apenas Metal". É metal purinho o que estas faixas nos trazem, não se restringindo a uma cena específica, principalmente em virtude das guitarras de Jelinic, polivalentes, limpas e trabalhadas, de timbres adequados e pegadas valorosas. "Louder Than The Devil" apenas ratifica o que foi dito aqui, salientando as influências de Napalm Death.
Acima de tudo, "Brain Cleaner" é um trabalho composto por alguém que, com 20 anos de estrada, não precisa (não quer, e nem pensa em) provar nada a ninguém. Nem que é mais rápido, mais brutal ou mais gore. E, mesmo não compactuando com as convicções religiosas de Steve Rowe, não posso deixar de parabenizá-lo por se afastar desse mundinho asqueroso e infantil (e bota infantil nisso!) que grande parte da cena extrema se transformou.
Talvez seja precipitado afirmar isso, mas "Brain Cleaner" firma-se, desde já, ao lado de "Scrolls Of The Meggiloth", como meus dois preferidos álbuns do Mortification. Independente de preferências momentâneas, é um tratado de altíssima qualidade musical. Compre. E prepare-se, pois o novo já está a caminho.
Formação:
Steve Rowe (Vocal/Baixo)
Mike Jelinic (Guitarra)
Mike Forsberg (Bateria)
Site Oficial: www.mortification.de
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O melhor guitarrista de todos os tempos, segundo o lendário Bob Dylan
Ex-Arch Enemy, Alissa White-Gluz anuncia sua nova banda, Blue Medusa
A cantiga infantil sombria dos anos 1990 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez
A melhor banda de rock progressivo para cada letra do alfabeto, segundo a Loudwire
10 álbuns essenciais do metal dos anos 70 que valem ter em vinil
Baterista do Matanza Ritual e Torture Squad é dopado e roubado após show do AC/DC
A atração do Rock in Rio que "as pessoas já viram 500 vezes"
A joia cearense que gravou um clássico do rock nos anos 1970, segundo Regis Tadeu
Jack Osbourne expõe "banda gigante" que exigiu quantia absurda no último show de Ozzy
Terra do Black Sabbath, Birmingham quer ser reconhecida como "Cidade da Música"
A música do Thin Lizzy que sempre deixa James Hetfield de bom humor
Cinco dicas úteis para quem vai ao Bangers Open Air 2026
O melhor guitarrista dos anos 1980, segundo Ritchie Blackmore: "Ele é absurdo"
O único guitarrista fritador que Joe Bonamassa tem certeza que não é IA: "Faz de verdade"
A melhor música do "Black Album", do Metallica, segundo a Metal Hammer
O clássico do Pink Floyd que deixa Geddy Lee, do Rush, com lágrimas nos olhos
James Hetfield, do Metallica, admite que não aguenta o pretensioso Jon Bon Jovi
50 clássicos do Rock que superaram 1 bilhão de plays no Spotify


Virgo um dos álbuns mais importantes da carreira de Andre Matos
Em "Attitude Adjustment", Buzzcocks segue firme como referência de punk rock com melodia
"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional
Iron Maiden: Em 1992 eles lançavam Fear Of The Dark



