Lynyrd Skynyrd: a grande roda ainda gira
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 04 de setembro de 2012
Pense em filmes como "Paris, Texas", "A Encruzilhada", "Quase Famosos" assistidos com o som no mute. Pense em "Easy Rider" e suas lisérgicas cenas no deserto com o Bolero de RAVEL ao invés de STEPPENWOLF ao fundo, nas antigas propagandas daquela famosa marca de cigarro tocando funk carioca no lugar de clássicos como "Breaking all The Rules" ou "Don´t Stop Believing" .
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Travou? SCHOPENHAUER já dizia que a única coisa realmente libertária nessa vidinha mais ou menos daqui de baixo, é a expressão artística - a construção de nossos paraísos artificiais aqui na terra. Desde que os BEATLES descobriram que não podiam estar em todos os lugares ao mesmo tempo e inventaram o videoclipe com "Help", o rock n´roll assumiu o papel de ilustrar um pouco aquela vontade latente de dar um chute na bunda do chefe, comprar uma garrafa de tequila e sair por aí dirigindo por uma estrada esburacada - imaginando a Rota 66 como o próprio purgatório da monotonia do dia a dia.
Fato é que toda banda que se preze teve seu hit "cinematográfico –libertário", na melhor esteira da esquizofrenia interativa e casual entre som e imagem: dirija a vinte por hora ouvindo "Dreams " do VAN HALEN ou se sinta deprimido em um boteco ouvindo "Lick It Up" se puder. Se a música é a religião elétrica - como dizia o diácono HENDRIX – os botequeiros sulistas do LYNYRD SKYNYRD são o Concílio de Trento, o conclave episcopal do rock n´roll.
"Se pronuncia Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd" era o aviso contido no título da primeira epístola de 1973. Se imagem e som formam uma amálgama do consciente coletivo, os caras de Jacksonville, Flórida, mostram que as cores do pântano de sua terra natal podem se tornar uma ilustração atraente para ouvintes do Nepal ou da Etiópia com a mesma facilidade; mostrou que porres, diversão, terça- feiras que se vão e pássaros que não se engaiolam fácil estão espalhados em cada pedaço longíquo desse mundão esquisito.
Faixas como "Poison Whiskey", "Needle and the Spoon", "That Smell", apesar de indicarem que uma estranha luz no painel se acendia naqueles insólitos anos, mostraram a diversão e o desprendimento dignos de um filme de TERENCE HILL e BUD SPENCER; os lamentos de "Simple Man" e "Freebird" parecem colados na mesma placenta de grandes panorâmicas de velhos filmes de LEE VAN CLEEF ou CLINT EASTWOOD; a energia de petardos como "Gimme Three Steps" ou o cover encampado de "Call me The Breezze" seriam a coloração perfeita para as surreais perseguições de carros dos filmes de BURT REYNOLDS nos anos setenta.
Em uma das cenas do filme "Con Air" enquanto prisioneiros escutavam "Sweet Home Alabama" e a aeronave começa a cair, uma das personagens diz em tom irônico: "Morreremos ouvindo a música de uma banda que morreu em um acidente de avião". Morreram, ressurgiram e continuam por aí. São como os filmes: perdem um pouco de cor, mas continuam eternos.
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