Bayley, Wilson e Cherone: grandes erros na história de grandes bandas

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Bayley, Wilson e Cherone: grandes erros na história de grandes bandas


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Estamos de volta à década de 1990, época onde o hair metal definha frente à explosão do grunge e ao nu-metal. Paralelo a isso tudo, três grandes nomes da história do rock se deparam com uma encruzilhada em suas carreiras: o Genesis vê Phil Collins, após anos de sucesso, dizer adeus à banda para se dedicar exclusivamente aos seus trabalhos solos; o Van Halen enfrenta mais uma crise com a briga do segundo vocalista, Sammy Hagar, com os irmãos holandeses, em especial com o guitarrista Eddie; já o Iron Maiden sofre o baque de ver a saída Bruce Dickinson de saco cheio da agenda da banda, com longas e exaustivas turnês, gravações de discos e pouco descanso. Cada um a seu tempo, os três gigantes resolvem tentar superar suas baixas apostando as fichas em novos cantores para os postos vagos. O mundo estaria prestes a presenciar três das maiores bolas foras da história da música...

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Blaze Bayley no Iron Maiden (1995-1998)

Cronologicamente, a primeira varada n’água foi perpetrada pelo Iron Maiden. Após a realização de um show fechado de despedida do grande Bruce Dickinson, com direito a participação especial de um ilusionista e tudo mais (conforme pode ser conferido no VHS/DVD “Raising Hell”), enfrentam um hiato que parecia interminável. Vários boatos começaram a surgir sobre quem assumiria o posto vago: desde Michael Kiske, ex-Helloween, até o brasileiro André Matos (que, de fato, enviou gravações para a banda), passando até mesmo por Paul Di’Anno. Mas na verdade Steve Harris e cia. optaram pelo ex frontman do Wolfsbane, Blaze Bayley. Desconhecido fora da Inglaterra, o pouco que se ouvia dizer era que sua ex-banda tinha um som calcado no hard rock dos anos 1970, com influências do Van Halen, fase David Lee Roth. A princípio tudo isso causou certo estranhamento, mas todos aguardaram pacientemente pelo novo disco para tirar suas próprias conclusões.

Chegou então às prateleiras o CD “The X Factor”. Um álbum que chega até a ser bom. Analisando friamente, talvez melhor até do que o insosso “No Prayer For The Dying”. Os vocais mais graves de Blaze a princípio não chamaram tanta atenção, acabaram passando pelo teste. Mas era ao vivo que o novo vocalista teria sua prova de fogo. E aí sim veio a grande decepção: se em estúdio dava para maquiar algumas imperfeições, no palco isso era impossível. Era sofrível ver aquele cara todo paradão no meio do palco, cantando mal pra caramba, desafinando principalmente nos velhos clássicos... Quem assistiu ao show da banda por aqui no Monsters Of Rock de 1996 sabe muito bem disso – logo de cara já deu uma saudade danada de Bruce, que à época se via envolvido com sua nova sonoridade cada vez mais longe do metal.

De qualquer modo, completaram a tour e lançaram uma coletânea de sucessos e raridades (“Best Of The Beast”, com a inédita e pouco inspirada “Virus” – e um dos vídeo clipes mais ridículos da história da donzela). Surge mais um álbum de estúdio, o fatídico “Virtual XI”. A responsabilidade era grande – os fãs já sabiam das limitações de Blaze e se tornaram ainda mais “viúvos” de Bruce. Pois é... Se “The X Factor” tinha, pelo menos, algumas boas composições, o mesmo já não dava pra se dizer deste novo CD. Talvez se “The Angel And The Gambler” fosse um pouquinho menos repetitiva, poderia se tornar uma grande canção... Salva-se “The Clansman” e olha lá... Que agonia era ouvir a péssima “Como Estais Amigos” (e seu refrão “amigos, no more tears”, que doía aos ouvidos). A nova tour quase decretou o fim da banda, que se via no fundo do poço. Paralelo a isso, Bruce retornava ao metal, muito bem acompanhado de Adrian Smith e Roy Z, e entregava ao mundo “Accident Of Birth”, anos luz melhor que qualquer coisa feita pelo Maiden em toda aquela década. A reunião acabou sendo inevitável, para a felicidade geral da nação. Depois disso, Blaze Bayley continua apostando no metal, com seus projetos solos, mas tende a se tornar mais um Paul Di’Anno: um eterno ex-Iron Maiden...

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Ray Wilson no Genesis (1997-98)

Saindo do lado pesado do rock e passando para o mundo já não tão mais progressivo, o Genesis encarava a dura realidade de ver a saída do carismático Phil Collins do grupo. Phil também se dizia cansado da extensa maratona de shows e gravações, haja vista ainda tinha que levar adiante sua bem sucedida carreira solo, com sua vida pessoal ficando sempre em detrimento. Optou por ficar com esta apenas e dizer adeus à vida nos holofotes: após algum tempo ainda como artista solo, realizaria aquelas que seriam suas apresentações de despedida. Mike Rutherford e Tony Banks estavam entre a cruz e a espada: parar ou arriscar ir adiante? Resolvem então recrutar o escocês Ray Wilson, praticamente desconhecido do mundo todo, e gravar um novo álbum.

Eis que em 1997 chega ao mercado “Calling All Stations”, fruto desta união. Os três membros, acompanhados de músicos contratados, flertavam tanto com o progressivo, abandonado há tempos, quanto com o pop e as baladas “radiofônicas” dos anos 1980, soando um tanto quanto esquizofrênico: parecia uma banda do tipo do Simple Minds tentando soar como Genesis. Se o disco já se demonstrava desde o começo um fiasco, tanto em vendas quanto em relação às críticas, a turnê não poderia ser diferente. Ray Wilson é um bom cantor, com um belo timbre de voz, mas não para o Genesis. Se as novas composições, como “Congo” e a chatíssima “Shipwrecked” decepcionavam, pelo menos ao vivo os fãs poderiam conferir músicas de todas as eras novamente, há muito fora do set list. Mas outra vez veio a dura realidade: cada nova execução de “Carpet Crawlers”, “The Lamb Lies Down On Broadway” ou “Turn It On Again” era um assassinato. Mesmo com a banda baixando o tom para o alcance vocal de Wilson, a coisa toda não funcionava. A “chacina” pode ser conferida no concerto gravado na Polônia, que leva o mesmo nome do álbum. Acertadamente, após vários shows cancelados por baixa vendagem de ingressos, decidiram dar um tempo, quase que definitivo – em 2007, Phil, Tony e Mike fizeram a verdadeira tour de despedida (que infelizmente não desceu para os trópicos, ficando restrita ao primeiro mundo). Ray Wilson segue como artista solo, e recentemente se apresentou no Brasil.

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Gary Cherone no Van Halen (1997-99)

Eddie Van Halen é um sujeito conhecido por ter um dos gênios mais difíceis de se conviver do mundo do rock. Um mestre das seis cordas, sem dúvida alguma, mas seu temperamento, aliado ao alcoolismo, dificulta tudo – já conseguiu tretar até mesmo com o boa praça Steve Morse. E se os fãs já sentiam saudades dos áureos tempos de David Lee Roth, em 1996 com mais uma debandada, por parte de Sammy Hagar, tudo parecia acabado de vez. Foi feita uma tentativa de reunião com Dave naquele ano ainda. O estardalhaço foi grande. Eles chegaram a gravar duas músicas inéditas para uma coletânea (“Best Of Van Halen”) e até a participar do MTV Video Music Awards, entregando um dos prêmios da noite. Mas a reunião acabou ali mesmo, nos bastidores, com mais uma discussão entre Dave e Eddie. O futuro era incerto mais uma vez.

Eis que vem a proposta do manager Ray Daniels: recrutar para o posto Gary Cherone, vocalista do Extreme (banda que era gerenciada pelo mesmo e se encontrava na geladeira). A notícia em si já havia caído como uma bomba. Fãs mais radicais já sepultavam de vez o quarteto. Outros, com algum fio de esperança, ainda aguardavam para ver o que iria acontecer – dentre eles, este que vos escreve. O lançamento de “Van Halen III” em 1998, a exemplo do que aconteceu com o Genesis, já dava mostras do fracasso retumbante eminente. O álbum era tão ruim que dava até dó. À exceção da boa faixa de abertura, “Without You”, e de “Fire In The Hole” (que fez parte da trilha sonora do também péssimo “Máquina Mortífera 4”), o resto das canções mostravam um ou outro bom momento de Eddie nas guitarras aqui e ali. E só. Nenhum tema digno, sequer, de fazer companhia a qualquer outra coisa que a banda tivesse lançado com seus outros dois cantores. Correram notícias ainda de que Michael Anthony só teria gravado o baixo em três músicas – ou seja, mais crises internas.

Ao vivo, Gary até se esforçava bastante. O grande deleite para os fãs seria poder ouvir, novamente, músicas da época de “Diamond Dave”, como “Unchained” e “Mean Streets”, mas não dava... o estilo e o timbre dele simplesmente não tinham química alguma com o som do Van Halen. À época, chegou-se a anunciar um possível retorno da banda ao Brasil (inclusive no próprio site oficial), que acabou não se concretizando. Não foi lançado oficialmente nenhum home video, mas o show transmitido pela TV na Austrália pode ser encontrado na internet. Vale a curiosidade apenas para colecionadores. Chegaram a se reunir em estúdio para compor um novo álbum, mas tudo ficou engavetado. O resto da história todo mundo já sabe: Sammy voltou e saiu de novo, David voltou para o delírio de todos (mas Michael Anthony ficou de fora, por estar tocando junto a Sammy e o baixo foi assumido pelo filho de Eddie, Wolfgang), mas a excursão da banda mais uma vez não saiu da América do Norte. E Gary Cherone montou uma banda chamada Tribe Of Judah, andou sumido e, recentemente, juntou-se a Nuno Bettencourt e ressuscitou o Extreme.

Fica então o tema para uma enquete entre os leitores do Whiplash: qual dos três casos acima foi o pior fiasco na sua opinião? Comente no fórum abaixo.

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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