Por Everton Kill
Os amigos de infância, Tim Armstrong (vocal / guitarra) e Matt Freeman (baixo / vocal) começaram a tocar juntos quando ainda estavam no colégio, com o que mais tarde seria a banda Operation Ivy, uma das bandas punk mais influentes dos anos 80. Em 89, o Operation Ivy se separa e os dois passam mais de 1 ano tentando achar um baterista competente, até que desistem e resolvem apostar num skatista, colega de quarto de Tim, chamado Brett Reed. A aposta deu certo e em 1991, estava formado o Rancid. Logo depois, lançam pela Lookout! Records o primeiro single da banda, que impressionava por ser muito mais pesado e rápido do que o som o Operation Ivy. Não demorou muito para o trio assinar um bom contrato com a Epitaph Records.
Antes de começar a gravar o primeiro disco, Tim convida o guitarrista da banda Slip, Lars Frederiksen, para fazer parte do Rancid, mas ele recusa. Billie Joe, do Green Day também é convidado e aceita, mas por causa de seu talento discutível, sua passagem pela banda dura apenas um show. Então, o trio grava Rancid em 1993. O disco não mostrava um som pesado como no primeiro single, mas sim um “street punk” conduzido pelo baixo e com os vocais de Tim e Matt se alternando. A banda se torna um destaque do circuito underground americano e ainda em 93, depois de ver sua banda se separar, Lars Frederiksen volta atrás e se torna o segundo guitarrista do Rancid.
Em 1994, em apenas quatro dias de gravação, gravam o segundo disco do grupo, Let’s Go. Em seu álbum de estréia, Lars não se apresenta só como um bom guitarrista, mas também como um ótimo vocalista e a banda passa a ter 3 vocais dividindo as 23 faixas do disco, que mostra a banda começando a flertar com o ska. O disco acaba transformando o Rancid em um alvo interessante para a indústria fonográfica. A Epic chega a oferecer um contrato de 2 milhões de dólares, mas a banda recusa por ter que renunciar da liberdade criativa que o contrato com a Epitaph lhes dava.
Cada vez mais influenciados por ska, lançam em 95 ... And Out Come The Wolves, considerado por muitos como o melhor álbum da banda. “Time Bomb” e “Rubi Soho” se tornam hits no mundo todo e não param de tocar nas rádios e na MTV. “Maxwell Murder” chama a atenção por uma linha de baixo que acabou com a herança deixada por Dee Dee Ramone e Sid Vicious de que baixista de punk rock não precisa tocar bem. Com o anunciado fim dos Ramones e a estranhíssima volta “caça-níqueis” dos Sex Pistols, o Rancid é apontado pela crítica como “A Salvação do Punk Rock”. Em 96, participam do Lollapalooza e fazem uma turnê muito desgastante, principalmente para Tim que estava cada vez mais viciado em álcool e cocaína.
Depois de um longo período de desintoxicação e algumas participações em tributos e compilações, Tim e o Rancid vão pra Jamaica começar a gravar seu álbum mais experimental. Life Won´t Wait é lançado em 98 e choca os fãs mais radicais da banda. O disco é carregado de baladas, com quase uma centena de convidados (incluindo Marky Ramone, fazendo alguns vocais), solos gaita, guitarras havaianas e tem as influências de reggae e ska sendo levadas ao extremo. O velho “street punk” é pouco lembrado e pela primeira vez, o vocal de Matt não é usado.
O ano 2000 marca a volta do Rancid à suas raízes. Com a banda entrosada, lançam Rancid (também chamado de Rancid #2 e Rancid 2000), que é, até agora, o álbum mais pesado da banda. Vocais gritados, com o som das guitarras bem sujo, solos intermináveis de baixo e a volta dos vocais de Matt marcam o disco. A influência de ska continua presente, mas em bem menos quantidade que no disco anterior.
Em 2001, a banda diminui a intensidade das turnês para Lars poder se dedicar ao seu projeto solo, o Lars Frederiksen & The Bastards, enquanto Tim e Matt tentam reunir o Operation Ivy para uma turnê, mas sem sucesso.
Em 2002, aceitam um convite para gravar um Split com o NOFX e o cd se torna um item clássico para os fãs, com as bandas tocando somente versões para músicas da outra. Gravam também uma versão do clássico, “Sheena Is A Punk Rocker” dos Ramones para o álbum tributo produzido por Rob Zombie, chamado We’re a Happy Family. No final de 2002, Tim grava e lança o álbum de um antigo projeto seu, chamado The Transplants. O disco conta com o baterista do Blink 182, Travis Barker e o som é uma grande e até interessante, mistura de punk rock, ska e rap.
E depois de 3 anos sem um lançamento oficial e em meio a um monte de boatos que a banda assinaria com algum grande selo, o Rancid lança Indestructible, no fim de 2003. O disco apresenta um som muito próximo ao seu maior sucesso em vendas ... And Out Come The Wolves, só que variando mais o estilo das músicas e mostrando uma clara evolução de seus músicos, mas tudo isso sem perder as características únicas da banda.
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