A opinião de Regis Tadeu sobre o saudoso Frank Beard, do ZZ Top
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de agosto de 2026
Frank Beard morreu em 17 de agosto de 2026, aos 77 anos, após décadas como baterista do ZZ Top. Poucos dias antes, Regis Tadeu havia dedicado um trecho de sua live semanal a defender a técnica do músico - respondendo a um espectador que perguntou se ele era realmente diferenciado. A resposta foi imediata: "Sim."
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Para o jornalista, o problema é o recorte que a maioria das pessoas faz da carreira do baterista. "As pessoas têm uma impressão do Frank Beard a partir do 'Eliminator'", explicou, referindo-se ao álbum de 1984 que vendeu mais de dez milhões de cópias com os hits "Legs", "Sharp Dressed Man" e "Gimme All Your Lovin'". Naquele disco, segundo Regis, ele gravou levadas propositalmente retas - decisão da banda inteira, não uma limitação técnica.
A situação era outra nos anos anteriores. "Você pega os discos antigos do ZZ Top: todo disco tinha uma música em que o Frank Beard fazia uma levada absolutamente indecifrável", afirmou o jornalista. "Você não conseguia entender de tão complexo que era."
Regis citou como exemplo "Nasty Dogs and Funky Kings", faixa do álbum "Fandango!" (1975), disco metade ao vivo e metade em estúdio. "O lado dois desse disco, que são as faixas de estúdio, o Frank Beard faz uns negócios que você não consegue entender nem colocando o disco em rotação lenta", disse.
O que diferenciava o baterista, na avaliação do jornalista, era conseguir complexidade com swing. E, mais tarde, o oposto: fazer diferença tocando simples. "Se tem uma coisa que é difícil fazer, é tocar simples", afirmou Regis. "O cara chega lá fazendo um monte de virada, isso é tranquilo. O duro é você tocar reto e simples."
Ele acrescentou uma observação sobre o que acontece quando bateristas muito técnicos tentam executar músicas simples. "Você pode reparar que o cara nunca consegue fazer a coisa com a intensidade que a música pede." Como exemplo, sugeriu imaginar Billy Cobham tocando o repertório do ZZ Top: não teria a mesma pressão.
O último ponto destacado pelo jornalista foi a sonoridade. "Você ouvia o som do Frank Beard e sabia que era ele", disse Regis, atribuindo a característica a uma escolha técnica específica: ele não usava peles de resposta, deixando os tambores abertos embaixo. "Isso criou uma sonoridade típica dele."
Frank Beard integrou o ZZ Top desde 1969 e gravou todos os quinze álbuns de estúdio da banda. Foi o segundo membro da formação clássica a morrer, após o baixista Dusty Hill, em 2021.
Confira a live completa abaixo.
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