O clássico do progressivo que fez Geddy Lee querer levar o Rush a caminhos mais ambiciosos
Por Bruce William
Postado em 20 de agosto de 2026
Antes de "2112", "A Farewell to Kings" ou "Hemispheres", o Rush era uma banda bem mais direta. O primeiro álbum, lançado em 1974, ainda carregava fortemente a influência de power trios como Cream e do peso do Led Zeppelin. Geddy Lee, porém, já havia encontrado alguns anos antes um disco que ampliaria bastante sua ideia do que uma banda de rock poderia fazer: "Thick as a Brick", do Jethro Tull.
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Lançado em 1972, o álbum levava às últimas consequências uma proposta pouco amigável para rádios: essencialmente uma única composição, dividida pelos dois lados do LP, cheia de mudanças de andamento, passagens instrumentais e variações de clima. Geddy não ficou impressionado apenas com o disco. Ver Ian Anderson comandando aquilo no palco completou o impacto.
"Eu fiquei hipnotizado por Ian Anderson. Sua apresentação era simplesmente mágica, e ele fazia aquilo com muito humor e estilo. Realmente não havia ninguém que parecesse ou soasse como eles, e isso continua verdadeiro até hoje", contou Lee ao The Quietus em 2012.
O que mais mexeu com o futuro vocalista e baixista do Rush foi perceber que aquela complexidade não precisava transformar uma apresentação em exercício acadêmico, relata a Music Radar. O Jethro Tull conseguia levar músicas extensas e cheias de mudanças para o palco mantendo dinamismo, teatralidade e contato com a plateia. "Nós víamos como um enorme desafio tentar criar algo que pudesse parecer tão dinâmico ao vivo", lembrou.
A transformação do Rush propriamente dita ainda levaria algum tempo, ressalta a Far Out. Neil Peart entrou apenas em 1974, substituindo John Rutsey logo depois do primeiro disco, e sua chegada trouxe uma bateria tecnicamente mais elaborada e letras que permitiam ao trio explorar histórias e ideias muito mais extensas. "Fly by Night" e principalmente "Caress of Steel" já mostrariam essa vontade de abandonar os limites da canção convencional.
A aposta quase custou caro. "Caress of Steel" teve desempenho comercial decepcionante, e a gravadora pressionou o Rush por um trabalho mais acessível. A resposta veio na direção oposta: "2112", de 1976, abriu com uma suíte de mais de 20 minutos e acabou salvando a carreira do grupo. Geddy posteriormente chamou o álbum de responsável por conquistar para a banda a liberdade de expressão criativa que manteria dali em diante.
Por isso "Thick as a Brick" ocupa um lugar curioso na história do Rush. O grupo não tentou simplesmente copiar o Jethro Tull, mas encontrou naquele disco uma espécie de autorização artística: era possível ser pesado, complexo, teatral e ambicioso sem deixar de funcionar como uma banda de rock. Para um Geddy Lee ainda procurando até onde poderia levar seu próprio grupo, aquela descoberta abriu uma porta enorme.
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